{"id":10322,"date":"2023-10-24T14:27:01","date_gmt":"2023-10-24T17:27:01","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaautobus.com.br\/?p=10322"},"modified":"2023-10-24T14:33:40","modified_gmt":"2023-10-24T17:33:40","slug":"modelos-de-contrato-para-a-eletrificacao-das-frotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaautobus.com.br\/?p=10322","title":{"rendered":"Modelos de contrato para a eletrifica\u00e7\u00e3o das frotas"},"content":{"rendered":"<p>Por Francisco Christovam &#8211; diretor-executivo (CEO) da NTU<\/p>\n<p>A 26\u00aa Busworld Europe reuniu, em Bruxelas, na B\u00e9lgica, no per\u00edodo de 7 a 12 de outubro, grandes empresas fabricantes de ve\u00edculos, al\u00e9m de fornecedores de pe\u00e7as e equipamentos para \u00f4nibus. A feira ocupou uma \u00e1rea de cerca de 80 mil metros quadrados, contou com mais de 500 expositores e, segundo os organizadores, foi visitada por cerca de 40 mil pessoas.<\/p>\n<p>A grande novidade deste ano foram os \u00f4nibus el\u00e9tricos \u2013 puros ou h\u00edbridos \u2013 dos mais variados tamanhos, com designs futuristas ou conservadores, com diferentes tipos de baterias, com autonomia tamb\u00e9m bastante variada, para uso no transporte urbano ou no transporte rodovi\u00e1rio de m\u00e9dia dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que a substitui\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus diesel por ve\u00edculos menos poluentes \u00e9 um movimento mundial, com \u00eanfase na utiliza\u00e7\u00e3o da eletricidade ou do hidrog\u00eanio como fontes de energia para alimentar os motores el\u00e9tricos de tra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Independentemente do porte dos fabricantes e da nacionalidade das montadoras, para os \u00f4nibus el\u00e9tricos, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel verificar uma tend\u00eancia na utiliza\u00e7\u00e3o de baterias menores, mais leves e mais eficientes, na diminui\u00e7\u00e3o no tempo necess\u00e1rio para o reabastecimento dos ve\u00edculos, no uso de motores de tra\u00e7\u00e3o junto \u00e0s rodas e de sistemas especiais de arrefecimento ou refrigera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1, tamb\u00e9m, uma significativa varia\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o de aquisi\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos. Para \u00f4nibus urbano de doze metros, o pre\u00e7o na origem (FOB), quando produzidos na China, pode variar de 350 a 450 mil euros. Para o mesmo tipo de ve\u00edculo, fabricado na Europa, o pre\u00e7o atinge de 500 a 600 mil euros, dependendo da configura\u00e7\u00e3o, do material utilizado nas carrocerias e da autonomia dos modelos.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que a eletrifica\u00e7\u00e3o de uma frota \u00e9 muito mais do que uma simples substitui\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos movidos a combust\u00edveis f\u00f3sseis por outros menos poluentes e exige a elabora\u00e7\u00e3o de um projeto detalhado, incluindo a defini\u00e7\u00e3o da tecnologia a ser utilizada, a obten\u00e7\u00e3o de recursos financeiros para a aquisi\u00e7\u00e3o da frota, o detalhamento do procedimento de carga e recarga das baterias e at\u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do modelo de neg\u00f3cio a ser praticado.<\/p>\n<p>As cidades de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, Salvador, Vit\u00f3ria, Bras\u00edlia e Manaus est\u00e3o realizando suas primeiras experi\u00eancias com os \u00f4nibus el\u00e9tricos. Al\u00e9m disso, Curitiba e Goi\u00e2nia tamb\u00e9m trabalham na defini\u00e7\u00e3o das condicionantes da eletrifica\u00e7\u00e3o de parte de suas frotas de \u00f4nibus urbanos.<\/p>\n<p>Como os investimentos s\u00e3o muito altos e as opera\u00e7\u00f5es financeiras s\u00e3o bem diferentes daquelas conhecidas e utilizadas para a aquisi\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus diesel, algumas cidades est\u00e3o criando legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, para cada caso, com a defini\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is, obriga\u00e7\u00f5es, responsabilidades e salvaguardas, tanto para o Poder Concedente, como para os demais agentes envolvidos no financiamento, na aquisi\u00e7\u00e3o e na opera\u00e7\u00e3o das novas frotas de ve\u00edculos el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, as empresas operadoras de transporte por \u00f4nibus s\u00e3o remuneradas pelo investimento em frota, equipamentos e instala\u00e7\u00f5es fixas (Capital Expenditure \u2013 CAPEX) e, tamb\u00e9m, pela realiza\u00e7\u00e3o das despesas operacionais (Operacional Expenditure \u2013 OPEX). No caso da aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos por terceiros \u2013 p\u00fablicos ou privados \u2013 a remunera\u00e7\u00e3o do capital (CAPEX), obviamente, caber\u00e1 a quem realizar os investimentos.<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o da Lei Municipal N\u00ba 16.802, de 17 de janeiro de 2018, as empresas concession\u00e1rias dos servi\u00e7os de transporte urbano, em S\u00e3o Paulo, v\u00eam discutindo diferentes modelos de contrata\u00e7\u00e3o para a substitui\u00e7\u00e3o de milhares de \u00f4nibus diesel por el\u00e9tricos. Depois de meses de discuss\u00e3o, as empresas operadoras, na sua totalidade, ainda n\u00e3o definiram o melhor modelo de neg\u00f3cio para a realidade paulistana.<\/p>\n<p>Com base nos modelos adotados pelo <em>Red Metropolitana de Movilidad<\/em>, em Santiago, no Chile, e pelo <em>Transmil\u00eanio<\/em>, em Bogot\u00e1, na Col\u00f4mbia, num primeiro momento, discutiu-se o financiamento e\/ou aquisi\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos el\u00e9tricos pela concession\u00e1ria de energia, ficando as empresas operadoras na condi\u00e7\u00e3o de arrendat\u00e1rias e a Prefeitura de S\u00e3o Paulo como agente garantidor do empr\u00e9stimo. Esse modelo ainda n\u00e3o foi totalmente descartado; mas, gerou um grande debate sobre como tratar a propriedade da frota e a opera\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos de terceiros, dentro das regras contratuais existentes.<\/p>\n<div id=\"attachment_10325\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10325\" class=\"wp-image-10325 size-large\" src=\"https:\/\/revistaautobus.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Confrat18_108_Setpesp_-Fotos-Edi-Pereira-20-1024x675.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/revistaautobus.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Confrat18_108_Setpesp_-Fotos-Edi-Pereira-20-1024x675.jpg 1024w, https:\/\/revistaautobus.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Confrat18_108_Setpesp_-Fotos-Edi-Pereira-20-300x198.jpg 300w, https:\/\/revistaautobus.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Confrat18_108_Setpesp_-Fotos-Edi-Pereira-20-768x506.jpg 768w, https:\/\/revistaautobus.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Confrat18_108_Setpesp_-Fotos-Edi-Pereira-20-1080x712.jpg 1080w, https:\/\/revistaautobus.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Confrat18_108_Setpesp_-Fotos-Edi-Pereira-20.jpg 1326w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-10325\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #800000;\"><strong><em>Francisco Christovam<\/em><\/strong><\/span><\/p><\/div>\n<p>Uma outra possibilidade em discuss\u00e3o \u00e9 a empresa operadora investir o valor correspondente \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de um \u00f4nibus diesel, como se estivesse renovando um ve\u00edculo da sua frota atual, devendo a Prefeitura aportar a diferen\u00e7a do pre\u00e7o de aquisi\u00e7\u00e3o do \u00f4nibus el\u00e9trico. Como o pre\u00e7o de um \u00f4nibus el\u00e9trico \u00e9 cerca de tr\u00eas vezes superior ao valor de um \u00f4nibus diesel, de porte equivalente, a concession\u00e1ria dever\u00e1 investir 1\/3 do valor de compra e a Prefeitura se responsabiliza pelo investimento da parte restante, ou seja, de 2\/3 do valor de aquisi\u00e7\u00e3o. Neste caso, a empresa operadora ser\u00e1 remunerada somente pela parcela do investimento sob sua responsabilidade.<\/p>\n<p>Um outro modelo que tamb\u00e9m vem sendo praticado em algumas cidades, considera a simples aquisi\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos el\u00e9tricos com recursos p\u00fablicos, por \u00f3rg\u00e3os governamentais, e a sua cess\u00e3o para a opera\u00e7\u00e3o pelas empresas privadas. S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos est\u00e1 utilizando esse modelo, para a opera\u00e7\u00e3o de doze \u00f4nibus el\u00e9tricos articulados, e acaba de publicar um edital de licita\u00e7\u00e3o para o aluguel, por 15 anos, de quatrocentos novos \u00f4nibus el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>Para a opera\u00e7\u00e3o na Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador, o Governo do Estado da Bahia adquiriu vinte \u00f4nibus el\u00e9tricos, que est\u00e3o sendo operados por uma empresa privada local, e assumiu a responsabilidade pela implanta\u00e7\u00e3o dos pontos de carga e recarga das baterias. Na cidade de Salvador, a Prefeitura repassou recursos financeiros para as empresas operadoras, a t\u00edtulo de reequil\u00edbrio dos contratos de concess\u00e3o, para a aquisi\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de oito \u00f4nibus el\u00e9tricos e constru\u00e7\u00e3o do terminal de carga e recarga das baterias.<\/p>\n<p>Em Vit\u00f3ria, os quatro \u00f4nibus el\u00e9tricos foram adquiridos pelas empresas operadoras, com recursos pr\u00f3prios, ficando o Governo do Estado respons\u00e1vel pela implanta\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o de carga e recarga das baterias e pelo fornecimento da energia de tra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os seis ve\u00edculos el\u00e9tricos que est\u00e3o operando em Bras\u00edlia e os dois que circulam em Manaus foram adquiridos pelas empresas operadoras locais, sem nenhum incentivo governamental. Como em ambas as cidades a tarifa t\u00e9cnica \u00e9 diferente da tarifa p\u00fablica, as empresas est\u00e3o recebendo a remunera\u00e7\u00e3o do investimento (CAPEX) totalmente apartada da cobertura das despesas operacionais (OPEX).<\/p>\n<p>Para a aquisi\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de uma frota de cerca de setenta \u00f4nibus el\u00e9tricos, a Prefeitura de Curitiba, com a participa\u00e7\u00e3o do CWBUS Inova\u00e7\u00e3o, est\u00e1 estudando a celebra\u00e7\u00e3o de um contrato com as empresas operadoras, que ser\u00e1 respaldado por uma lei municipal. O aporte financeiro necess\u00e1rio para suportar essa opera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 por meio de subven\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas operadoras ou pela assinatura de um contrato de m\u00fatuo. Nos termos do art. 586 do C\u00f3digo Civil brasileiro, o contrato de m\u00fatuo \u00e9 aquele que trata da transfer\u00eancia de bens fung\u00edveis, m\u00f3veis, que podem ser substitu\u00eddos por outros da mesma esp\u00e9cie, qualidade e quantidade.<\/p>\n<p>No caso de Goi\u00e2nia, com vistas ao projeto de renova\u00e7\u00e3o de toda a frota de \u00f4nibus do sistema, a come\u00e7ar pela aquisi\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de 65 ve\u00edculos el\u00e9tricos articulados, o Governo do Estado de Goi\u00e1s aprovou a Lei Complementar n\u00ba 187, de 6 de outubro de 2023, que, dentre outras inova\u00e7\u00f5es institucionais, aprovou a cria\u00e7\u00e3o de uma C\u00e2mara de Liquida\u00e7\u00e3o e Cust\u00f3dia, por meio da qual ser\u00e1 implantado um modelo de gest\u00e3o centralizada dos fluxos de recursos financeiros da rede de transportes, baseado nos princ\u00edpios e conceitos praticados em contratos de fid\u00facia.<\/p>\n<p>Referidos contratos, ainda sem previs\u00e3o legal espec\u00edfica no ordenamento jur\u00eddico brasileiro, s\u00e3o conhecidos e cotidianamente utilizados em pa\u00edses como Inglaterra e Estados Unidos, l\u00e1 conhecidos pela express\u00e3o \u201cTrust\u201d. De forma geral, o contrato fiduci\u00e1rio tem o objetivo de constituir um administrador para atuar como intermedi\u00e1rio na liquida\u00e7\u00e3o de transa\u00e7\u00f5es financeiras, de modo a garantir e atestar, nas opera\u00e7\u00f5es de recebimentos e pagamentos de valores, a seguran\u00e7a e a integridade das transa\u00e7\u00f5es, atuando como agente central para todas as partes interessadas, na pr\u00e1tica, minimizando os riscos de inadimpl\u00eancia e aumentando a efici\u00eancia e a transpar\u00eancia da gest\u00e3o dos recursos do sistema.<\/p>\n<p>As cidades de Fortaleza, Bauru, Diadema, Guaruj\u00e1, Maring\u00e1, Mau\u00e1, S\u00e3o Bernardo do Campo, Santos, Sorocaba e Volta Redonda tamb\u00e9m est\u00e3o estudando a ado\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus el\u00e9tricos, num total de quarenta e dois ve\u00edculos. Como n\u00e3o h\u00e1 um padr\u00e3o a ser seguido, cada cidade vem discutindo um modelo de neg\u00f3cio e um modelo de contrato, considerando a sua capacidade de gest\u00e3o e de investimento, bem como o seu conhecimento sobre as diferentes possibilidades jur\u00eddicas, econ\u00f4mico-financeiras e operacionais, para a eletrifica\u00e7\u00e3o de suas frotas de \u00f4nibus urbanos.<\/p>\n<p>Imagens &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o e revista AutoBus<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c9 importante ressaltar que a eletrifica\u00e7\u00e3o de uma frota \u00e9 muito mais do que uma simples substitui\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos movidos a combust\u00edveis f\u00f3sseis por outros menos poluentes&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10324,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[562,52,526],"tags":[68,13],"class_list":["post-10322","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eletrificacao","category-especialistas","category-onibus-eletrico","tag-francisco-christovam","tag-ntu","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - 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