{"id":1665,"date":"2019-05-17T07:59:00","date_gmt":"2019-05-17T10:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/vila8.com.br\/clientes\/autobus\/?p=1665"},"modified":"2021-06-23T18:14:29","modified_gmt":"2021-06-23T21:14:29","slug":"gas-natural-para-onibus-urbano-para-tirar-o-atraso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaautobus.com.br\/?p=1665","title":{"rendered":"G\u00e1s natural para \u00f4nibus urbano: para tirar o atraso"},"content":{"rendered":"\n<p>O setor de g\u00e1s natural para frotas de \u00f4nibus urbanos vive um momento totalmente diferente daquele em que se encontrava h\u00e1 mais de 25 anos aqui no Brasil. Houve uma evolu\u00e7\u00e3o de conceitos, tanto na tecnologia veicular, como na disposi\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel no mercado brasileiro e nos recursos tecnol\u00f3gicos de abastecimento. \u201cPrecisamos espantar os fantasmas do passado\u201d, sintetizou Gustavo Galiazzi, gerente t\u00e9cnico da Abeg\u00e1s (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas Distribuidoras de G\u00e1s Canalizado) nesta conversa com a revista AutoBus.<\/p>\n\n\n\n<p>Galiazzi est\u00e1 nesse setor desde 1985, quando come\u00e7ou a acompanhar o uso do g\u00e1s natural em ve\u00edculos pesados. Naquela \u00e9poca, 70% do diesel consumido no Brasil era importado e o g\u00e1s j\u00e1 podia ser reconhecido como uma alternativa imediata para a sua substitui\u00e7\u00e3o. \u201cAinda hoje, com todos os avan\u00e7os alcan\u00e7ados, sua viabilidade t\u00e9cnica \u00e9 muito atrativa e pode fazer parte da matriz energ\u00e9tica dos transportes aqui no Brasil\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.revistaautobus.com.br\/uploads\/images\/2019\/05\/354-1558101827.jpg\" alt=\"Para tirar o atraso\" title=\"Para tirar o atraso\"\/><\/figure>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><em><strong>Gustavo Galiazzi<\/strong><\/em><\/pre>\n\n\n\n<p>Entretanto, para ser um mercado altamente competitivo, a Abeg\u00e1s luta pela ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que incentivem o maior uso desse combust\u00edvel e que novos&nbsp;<em>players<\/em>&nbsp;possam aumentar a concorr\u00eancia na distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o do produto. E com o Pr\u00e9-Sal, o potencial brasileiro \u00e9 muito significativo, capaz de atender \u00e0 uma variada demanda, tanto em mobilidade, como na produ\u00e7\u00e3o de energia. At\u00e9 alcan\u00e7armos a totalidade do uso das energias renov\u00e1veis para diversas aplica\u00e7\u00f5es, o g\u00e1s natural \u00e9 a transi\u00e7\u00e3o de baixo impacto ambiental e com viabilidade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>O passado e a evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os problemas que aconteceram no passado com a motoriza\u00e7\u00e3o a g\u00e1s foram superados. Atualmente, h\u00e1 um dom\u00ednio da tecnologia e no desenvolvimento dos motores, estes trazendo a eletr\u00f4nica embarcada e um n\u00edvel muito baixo de emiss\u00f5es poluentes em compara\u00e7\u00e3o ao diesel. O passado ainda pode assustar quem n\u00e3o conhece a nova realidade da motoriza\u00e7\u00e3o a g\u00e1s para ve\u00edculos pesados.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Exemplos em opera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O uso de g\u00e1s natural em frotas urbanas de \u00f4nibus pelo mundo pode ser observado em v\u00e1rios exemplos. Em Los Angeles (EUA), a LA Metro, operadora do transporte coletivo local, conta com 2.400 ve\u00edculos, todos abastecidos com g\u00e1s desde 2011, quando resolveu transformar sua frota para o uso desse combust\u00edvel. Depois de oito anos, a transportadora est\u00e1 experimentando misturar junto ao g\u00e1s natural o biometano para alcan\u00e7ar a emiss\u00e3o zero de seus ve\u00edculos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.revistaautobus.com.br\/uploads\/images\/2019\/05\/354-1558101909.jpg\" alt=\"Para tirar o atraso\" title=\"Para tirar o atraso\"\/><\/figure>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><em><strong>Opera\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus a g\u00e1s natural em Los Angeles<\/strong><\/em><\/pre>\n\n\n\n<p>A Su\u00e9cia come\u00e7ou seu programa de uso do biometano h\u00e1 20 anos. Mas precisou utilizar o g\u00e1s natural no princ\u00edpio de seu projeto de sustentabilidade ambiental. Hoje, 90% da tra\u00e7\u00e3o dos \u00f4nibus urbanos de Estocolmo \u00e9 feita pelo biometano, sendo complementado pelo GNV em virtude das baixas temperaturas de seu inverno.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Espanha, muitas cidades usam o g\u00e1s em seus sistemas de transporte p\u00fablico, assim como Portugal, It\u00e1lia, Su\u00e9cia, Alemanha, dentre outros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.revistaautobus.com.br\/uploads\/images\/2019\/05\/354-1558102176.jpg\" alt=\"Para tirar o atraso\" title=\"Para tirar o atraso\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, a Col\u00f4mbia se destaca por ter dois grandes sistemas de \u00f4nibus urbanos movidos a g\u00e1s, enquanto que a Argentina tem um programa embrion\u00e1rio para introduzir de forma gradativa a tra\u00e7\u00e3o alternativa. O M\u00e9xico tamb\u00e9m segue essa linha de opera\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel em corredores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O abastecimento<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil conta com uma rede capilarizada em sua regi\u00e3o costeira e pr\u00f3xima a ela. Importantes regi\u00f5es econ\u00f4micas do Pa\u00eds j\u00e1 s\u00e3o abastecidas com o g\u00e1s natural.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, por falta de demanda, o Brasil ainda n\u00e3o conta com infraestrutura completa para abastecimento r\u00e1pido de ve\u00edculos pesados, contudo a tecnologia \u00e9 acess\u00edvel e pode ser importada com facilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>E as operadoras podem ter sistemas terceirizados de abastecimento, n\u00e3o havendo a necessidade de investimento nessa estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>O que falta<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O poder p\u00fablico, em suas tr\u00eas esferas, precisa ter mais vontade de promover o maior uso do g\u00e1s natural no transporte coletivo. Por isso, pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo na aquisi\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos equipados com motoriza\u00e7\u00e3o a g\u00e1s s\u00e3o necess\u00e1rias no segmento (custam entre 15% a 18% mais caros). O g\u00e1s natural traz um benef\u00edcio direto em termos ambientais e em sa\u00fade p\u00fablica. Por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o ao material particulado, \u00e9 poss\u00edvel ter uma redu\u00e7\u00e3o de 85% em compara\u00e7\u00e3o com o diesel. Isso \u00e9 um importante ganho social para as cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, a Abeg\u00e1s realizou um semin\u00e1rio para mostrar todas as vantagens do g\u00e1s na mobilidade urbana. Dentre os participantes, um representante da Su\u00e9cia disse que o Brasil est\u00e1 30 anos atrasado em rela\u00e7\u00e3o ao uso do g\u00e1s no transporte. Para ele, h\u00e1 uma janela que deve ser aproveitada em fun\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds j\u00e1 contar com tecnologia veicular semelhante ao que se encontra nos pa\u00edses do primeiro mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>O futuro<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Reafirmo que o combust\u00edvel tem o poder de reduzir imediatamente os efeitos nocivos causados pela polui\u00e7\u00e3o do transporte. Segundo especialistas ambientais, a simples substitui\u00e7\u00e3o de 10% da frota movida a diesel por g\u00e1s natural, pode representar um impacto de 25% na melhor das condi\u00e7\u00f5es da sa\u00fade p\u00fablica. Ainda, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, a fuma\u00e7a negra ou o material particulado, \u00e9 o quarto fator que mais promove problemas cardiovasculares nas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto \u00e9 que o Brasil conta com um expressivo potencial na produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural, o que permite atender o mercado nacional em sua demanda veicular. E volto a dizer, vivemos um momento inverso ao que aconteceu no passado, com diferen\u00e7as marcantes e positivas em tecnologia dos propulsores, na distribui\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel e na capacidade de abastecimento dos ve\u00edculos.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Los Angeles roda com g\u00e1s<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Com suas pr\u00e1ticas ambientais adotadas para proporcionar um ambiente mais limpo, livre das emiss\u00f5es poluentes, a LA Metro, operadora do transporte coletivo na \u00e1rea de Los Angeles, Calif\u00f3rnia, apostou no g\u00e1s natural para movimentar sua frota de \u00f4nibus desde 2011, transportando hoje cerca de 1,3 milh\u00e3o de passageiros por dia. De l\u00e1 para c\u00e1, ela conseguiu reduzir em 40% as emiss\u00f5es de \u00f3xido de nitrog\u00eanio. E continua investindo na moderniza\u00e7\u00e3o dos propulsores de seus \u00f4nibus, adquirindo novas vers\u00f5es que apresentam um \u00edndice cada vez menor de poluentes emitidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.revistaautobus.com.br\/uploads\/images\/2019\/05\/354-1558101962.jpg\" alt=\"Para tirar o atraso\" title=\"Para tirar o atraso\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Junto com o g\u00e1s natural, desde 2017 a operadora come\u00e7ou a utilizar 10% de biometano. A previs\u00e3o \u00e9 que para este ano ela alcance 100% com o combust\u00edvel renov\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>E at\u00e9 2030 a frota de \u00f4nibus dever\u00e1 ser eletrificada, de acordo com o plano ambiental da LA Metro, com energia derivada de fontes renov\u00e1veis, reduzindo suas emiss\u00f5es poluentes, expandindo as a\u00e7\u00f5es para melhorar ainda mais o ar na regi\u00e3o metropolitana de Los Angeles e proporcionar qualidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>O g\u00e1s movimenta as frotas europeias<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na Europa, o g\u00e1s natural j\u00e1 move os ve\u00edculos comerciais h\u00e1 um bom tempo. Hoje, 16 mil \u00f4nibus est\u00e3o equipados com propulsores a g\u00e1s e s\u00e3o encontrados em diversos pa\u00edses, como Espanha, Su\u00e9cia, It\u00e1lia, Rep\u00fablica Tcheca, dentre outros. Para isso, pol\u00edticas p\u00fablicas foram sendo adotadas ao longo dos anos como forma de incentivar o combust\u00edvel na matriz energ\u00e9tica dos transportes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a NGVA, associa\u00e7\u00e3o europeia que re\u00fane os fabricantes de ve\u00edculos a g\u00e1s, componentes e associa\u00e7\u00f5es de defesa, o combust\u00edvel \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para um sistema de transporte descarbonizado. Segundo a entidade, a Europa tem que promover uma redu\u00e7\u00e3o de 40% de suas emiss\u00f5es poluentes (abaixo dos n\u00edveis de 1990) at\u00e9 2030 e necessita adotar um conjunto de medidas que visem um ambiente mais limpo, promovendo o desenvolvimento e a implementa\u00e7\u00e3o de tecnologias com baixa ou nenhuma emiss\u00e3o, com efici\u00eancia em termos de custo e opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.revistaautobus.com.br\/uploads\/images\/2019\/05\/354-1558102137.jpg\" alt=\"Para tirar o atraso\" title=\"Para tirar o atraso\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O papel do g\u00e1s natural nesse quesito \u00e9 expressivo e contribui com os objetivos ambientais determinados para um futuro sem carbono. Neste per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o para a eletromobilidade, o biometano ou o g\u00e1s renov\u00e1vel, como se fala na Europa, \u00e9 um grande auxiliador quando o assunto \u00e9 reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, sendo perfeitamente compat\u00edvel com a mistura. Se o g\u00e1s natural representa uma diminui\u00e7\u00e3o de 20% do CO\u00b2 emitido no sistema de transporte em rela\u00e7\u00e3o ao modelo a diesel, o biometano tem o poder de alcan\u00e7ar at\u00e9 95% menos polui\u00e7\u00e3o. O potencial europeu de produ\u00e7\u00e3o desse biocombust\u00edvel em 2030 \u00e9 estimado em 45 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos, volume que supera a demanda de abastecimento dos 13 milh\u00f5es de ve\u00edculos estimados para o referido ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do g\u00e1s natural comprimido e biometano, surge com for\u00e7a o uso do g\u00e1s natural liquefeito para opera\u00e7\u00f5es rodovi\u00e1rias, tanto em \u00f4nibus, como em caminh\u00f5es, no mercado europeu, op\u00e7\u00e3o capaz de atender aos servi\u00e7os de longas dist\u00e2ncias (1.600 km).<\/p>\n\n\n\n<p>Imagens &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o Scania M\u00e9xico, Divulga\u00e7\u00e3o MAN, LA Metro, Juan Saavedra, Divulga\u00e7\u00e3o ABEG\u00c1S<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tecnologia do g\u00e1s natural para o transporte p\u00fablico se encontra em um momento muito favor\u00e1vel e avan\u00e7ado para ser reconhecida como a transi\u00e7\u00e3o \u00e0 um modelo totalmente limpo de mobilidade<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1666,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1665","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conexao-mobilidade","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - 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