{"id":17813,"date":"2026-02-09T18:10:30","date_gmt":"2026-02-09T21:10:30","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaautobus.com.br\/?p=17813"},"modified":"2026-02-12T08:33:57","modified_gmt":"2026-02-12T11:33:57","slug":"o-que-ha-nas-entrelinhas-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaautobus.com.br\/?p=17813","title":{"rendered":"O que h\u00e1 nas entrelinhas 1"},"content":{"rendered":"<p>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e a efici\u00eancia operacional dos \u00f4nibus urbanos s\u00e3o aspectos cruciais, sendo temas que se completam no processo de constru\u00e7\u00e3o de um sistema de transporte mais sustent\u00e1vel. Contudo, ainda s\u00e3o encarados como dilemas na estrutura das cidades, pela falta de pol\u00edticas consistentes que fortale\u00e7am seus ideais, em um novo momento vivido pelo modal.<\/p>\n<p>No aspecto da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, a real necessidade para substituir os combust\u00edveis f\u00f3sseis por fontes de energia mais limpas e renov\u00e1veis tem sido debatida em diversas esferas, assunto fundamental para se alcan\u00e7ar a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>Quanto a efici\u00eancia operacional, pode-se observar a otimiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, a rapidez do fluxo dos ve\u00edculos e o menor consumo de energia, no processo di\u00e1rio de opera\u00e7\u00e3o dos \u00f4nibus urbanos, o que traz \u00e0 luz a necessidade por investimentos em infraestrutura que promovam tal fato, possibilitando a prerrogativa ao modal e o menor tempo de tempo de deslocamento dos passageiros.<\/p>\n<p>Mesmo que um \u00f4nibus seja movido por uma fonte de energia limpa, \u00e9 importante que ele seja eficiente no uso dessa energia. Isso inclui pr\u00e1ticas como a manuten\u00e7\u00e3o adequada dos ve\u00edculos, o uso de tecnologias que aumentem a efici\u00eancia do motor e a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas operacionais como otimiza\u00e7\u00e3o de rotas, hor\u00e1rios e carregamento inteligente, entre outras. A efici\u00eancia, neste caso, n\u00e3o s\u00f3 reduz o consumo de energia e os custos operacionais, mas, tamb\u00e9m, maximiza o impacto ambiental positivo da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Mas, de toda essa import\u00e2ncia que envolve a nova realidade do transporte e seu compromisso ambiental em tempos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e9 essencial olhar para alguns fatores ligados ao contexto da moderniza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e da mitiga\u00e7\u00e3o dos efeitos negativos da polui\u00e7\u00e3o. Francisco Christovam, diretor-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), \u00e9 enf\u00e1tico ao dizer que transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica n\u00e3o se trata, apenas, de promover uma pintura verde nos ve\u00edculos, para indicar que o \u00f4nibus limpo \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para os problemas. \u201c\u00c9 muito mais que isso, pois envolve investimentos expressivos, exige a participa\u00e7\u00e3o de principais \u201cplayers\u201d na produ\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de transporte, como operadores, gestores p\u00fablicos, \u00f3rg\u00e3os de governos, institui\u00e7\u00f5es financeiras, especialistas e a pr\u00f3pria sociedade. \u00c9 importante definir o papel de cada um no desenvolvimento de um assunto dessa magnitude.\u00a0 N\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel falarmos de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica dos \u00f4nibus sem um m\u00ednimo de profissionalismo, sem o debate t\u00e9cnico, sem estudos adequados e sem programas que valorizem e incentivem o tema. Esse assunto n\u00e3o pode ser tratado apenas como um programa de governo, mas sim, como uma pol\u00edtica de estado\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Christovam, que tem vasto conhecimento na \u00e1rea dos transportes, com uma longa trajet\u00f3ria no setor e trabalhos nos dois lados do balc\u00e3o, come\u00e7ou sua vida profissional na extinta CMTC (Companhia Municipal de Transporte Coletivo), e passou por gest\u00f5es p\u00fablicas na prefeitura paulistana e no governo do Estado, atuando, tamb\u00e9m, como representante das operadoras privadas. Ele lembra que a eletromobilidade teve seu processo iniciado na cidade de S\u00e3o Paulo, primeiros com os tr\u00f3lebus, nos idos de 1949, chegando, hoje, com os \u00f4nibus el\u00e9tricos a bateria, resultado de press\u00f5es pol\u00edticas e da Lei Municipal N\u00ba 16.802\/2018*, que determina a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de material particulado (MP), \u00f3xidos de nitrog\u00eanio (NOx) e g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2), at\u00e9 o ano de 2038. Num primeiro momento, a cidade de S\u00e3o Paulo se concentrou na substitui\u00e7\u00e3o dos \u00f4nibus a diesel por modelos el\u00e9tricos, desconsiderando outras tecnologias dispon\u00edveis, ou seja, o pr\u00f3prio \u00f4nibus diesel, com tecnologia Euro VI, e o \u00f4nibus movido a g\u00e1s biometano.<\/p>\n<p>Segundo o executivo, sem um programa dedicado a melhorar o transporte p\u00fablico, tornando-o mais acess\u00edvel, moderno e eficiente, como sempre defendido pela NTU, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel alcan\u00e7ar os resultados almejados. \u00c9 preciso examinar essa quest\u00e3o sob o \u00e2ngulo da governan\u00e7a dos sistemas de mobilidade urbana, focando na produ\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o com um patamar m\u00ednimo de qualidade e funcionalidade. \u201cCostumo dizer que aquilo que est\u00e1 errado na teoria, nunca vai dar certo, na pr\u00e1tica.\u00a0 Hoje, s\u00f3 se fala em \u00f4nibus el\u00e9trico, enquanto existem outras op\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis, em termos ambientais, econ\u00f4micos e operacionais. Se a op\u00e7\u00e3o for pelo \u00f4nibus el\u00e9trico, \u00e9 preciso fazer um planejamento adequado, considerando a implanta\u00e7\u00e3o de toda a infraestrutura necess\u00e1ria, inclusive para o abastecimento da frota. Outro aspecto importante \u00e9 a quest\u00e3o do modelo econ\u00f4mico-financeiro adotado para se ter uma frota el\u00e9trica, afinal, esse tipo de ve\u00edculo custa tr\u00eas vezes mais que a vers\u00e3o a diesel Euro VI equivalente.\u00a0 Para falar a verdade, cada cidade est\u00e1 trabalhando com o seu pr\u00f3prio modelo econ\u00f4mico-financeiro e encontrando uma solu\u00e7\u00e3o, seja para o CAPEX (investimento) como para o OPEX, (custos operacionais)\u201d, disse.<\/p>\n<div id=\"attachment_17814\" style=\"width: 523px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17814\" class=\"wp-image-17814\" src=\"https:\/\/revistaautobus.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Francisco-237x300.jpg\" alt=\"\" width=\"513\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/revistaautobus.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Francisco-237x300.jpg 237w, https:\/\/revistaautobus.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Francisco-809x1024.jpg 809w, https:\/\/revistaautobus.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Francisco-768x972.jpg 768w, https:\/\/revistaautobus.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Francisco.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 513px) 100vw, 513px\" \/><p id=\"caption-attachment-17814\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #333399;\"><em><strong>Francisco Christovam &#8211; Transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica n\u00e3o se trata, apenas, de promover uma pintura verde nos ve\u00edculos, para indicar que o \u00f4nibus limpo \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para os problemas. \u00c9 muito mais que isso.<\/strong><\/em><\/span><\/p><\/div>\n<p>Na vis\u00e3o do engenheiro Christovam, os biocombust\u00edveis t\u00eam potencial para andarem lado a lado com a eletricidade, contribuindo com as solu\u00e7\u00f5es para um transporte limpo. \u201cN\u00e3o podemos ir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s dificuldades, n\u00e3o aproveitando nossa capacidade de produzir combust\u00edveis renov\u00e1veis, numa estrat\u00e9gia ambiental adequada e coerente com as necessidades reais do nosso transporte. Veja o caso do HVO, que j\u00e1 \u00e9 vi\u00e1vel em v\u00e1rios pa\u00edses e que pode apresentar resultados positivos, quanto a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. Por\u00e9m, sua produ\u00e7\u00e3o local \u00e9 \u00ednfima, necessitando de maiores incentivos para que se torne uma op\u00e7\u00e3o dos operadores, para a utiliza\u00e7\u00e3o de mais um combust\u00edvel de origem n\u00e3o-f\u00f3ssil. H\u00e1, tamb\u00e9m, o g\u00e1s biometano, combust\u00edvel que j\u00e1 mostrou sua viabilidade operacional. Veja o caso de Goi\u00e2nia, que decidiu investir nessa tecnologia, em paralelo ao que est\u00e1 fazendo com a utiliza\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus el\u00e9tricos. Portanto, n\u00e3o podemos pensar, apenas, em uma \u00fanica solu\u00e7\u00e3o ambiental\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O diretor da NTU lembrou do tr\u00f3lebus, como outra alternativa poss\u00edvel para a descarboniza\u00e7\u00e3o das frotas. Segundo Christovam, essa modalidade carrega uma imagem negativa, uma vez que essa tecnologia n\u00e3o recebeu os investimentos necess\u00e1rios para modernizar n\u00e3o apenas os ve\u00edculos, mas toda a infraestrutura el\u00e9trica necess\u00e1ria, em especial para a rede de contato \u201cO tr\u00f3lebus est\u00e1 em minha vida profissional h\u00e1 muitos anos, afinal, participei de v\u00e1rios projetos, junto com o mestre Adriano Murgel Branco, para a moderniza\u00e7\u00e3o desse sistema, desde o final da d\u00e9cada de 1970. Tivemos, no Brasil, 14 sistemas de tr\u00f3lebus em opera\u00e7\u00e3o, mas hoje, somente S\u00e3o Paulo continua usando esse tipo de ve\u00edculo. Repito, o tr\u00f3lebus \u00e9 uma tecnologia vi\u00e1vel, desde que seja tratado como um sistema de transporte e receba investimentos, em frota e em infraestrutura (vi\u00e1ria e el\u00e9trica), principalmente para opera\u00e7\u00e3o em corredores exclusivos ou sistemas do tipo BRT\u201d. Christovam fez quest\u00e3o de salientar que as decis\u00f5es quanto \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica do transporte coletivo urbano de passageiros devem seguir certos ritos e nunca permitir que decis\u00f5es pol\u00edticas estejam acima das decis\u00f5es t\u00e9cnicas. Infelizmente, em v\u00e1rias cidades brasileiras, o modelo de substitui\u00e7\u00e3o da frota diesel por ve\u00edculos menos poluentes segue um certo modismo, sem as devidas avalia\u00e7\u00f5es de todos os pontos envolvidos numa pol\u00edtica dessa magnitude. \u201cLembro, novamente, que necessitamos de pol\u00edticas consistentes para obtermos sucesso nesse processo de transi\u00e7\u00e3o. O que estamos vendo, hoje, na maioria dos casos, s\u00e3o investimentos vultosos com resultados que deixam muito a desejar. Uma boa pol\u00edtica, um plano bem detalhado e um programa de trabalho consistente podem ser a garantia que os projetos atinjam seus objetivos, que os investimentos sejam realizados de maneira correta e que o transporte coletivo cumpra com o seu papel e ajude a organizar o uso do espa\u00e7o urbano nas cidades, oferecendo um servi\u00e7o de qualidade que seja valorizado pelos usu\u00e1rios e pela sociedade, como um todo\u201d, concluiu.<\/p>\n<p><em>*D\u00e1 nova reda\u00e7\u00e3o ao art. 50 da Lei n\u00ba 14.933\/2009, que disp\u00f5e sobre o uso de fontes motrizes de energia menos poluentes e menos geradoras de gases do efeito estufa na frota de transporte coletivo urbano do Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo e d\u00e1 outras provid\u00eancias<\/em><\/p>\n<p>Imagens &#8211; Acervo Revista AutoBus<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica do transporte coletivo precisa ser vista por diversos \u00e2ngulos e vari\u00e1veis, para ser aproveitada de forma vi\u00e1vel e eficiente<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17815,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[919,7,1060,90],"tags":[1053],"class_list":["post-17813","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente","category-mobilidade-urbana","category-notas","category-noticias","tag-transicao-energetica-em-onibus","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - 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