{"id":2757,"date":"2020-06-23T10:08:00","date_gmt":"2020-06-23T13:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/vila8.com.br\/clientes\/autobus\/?p=2757"},"modified":"2021-06-25T14:03:43","modified_gmt":"2021-06-25T17:03:43","slug":"combinacao-com-vantagens-ao-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaautobus.com.br\/?p=2757","title":{"rendered":"Combina\u00e7\u00e3o com vantagens ao meio ambiente"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Editorial<\/em><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Este editorial \u00e9 o primeiro com o prop\u00f3sito de comentar um pouco sobre as tecnologias presentes em modelos distintos de propuls\u00e3o dos \u00f4nibus urbanos, entendendo que h\u00e1 espa\u00e7o para todas (as mais modernas) que tenham a finalidade de mitigar os efeitos negativos causados por modelos (des)atualizados de motores a diesel presentes em nosso cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>G\u00e1s natural \u00e9 um agente f\u00f3ssil. O biometano \u00e9 um propulsor para que os dejetos se tornem algo \u00fatil, deixando de ser um passivo ambiental. Unidos, esses combust\u00edveis servem em comum \u00e0 pr\u00e1tica da sustentabilidade ambiental no setor de transportes. E o Brasil possui os dois, em expressiva quantidade. De acordo com a ABEG\u00c1S (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas Distribuidoras de G\u00e1s Canalizado), por aqui rodam mais de 1.600.000 ve\u00edculos abastecidos com o g\u00e1s natural (GNV), formado, em sua imensa maioria por autom\u00f3veis particulares. Temos extensos campos de explora\u00e7\u00e3o capazes de garantir um abastecimento para toda a frota de \u00f4nibus urbano que roda no Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao biometano, o potencial brasileiro desse combust\u00edvel renov\u00e1vel \u00e9 enorme. Segundo informa\u00e7\u00f5es da ABiog\u00e1s (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Biog\u00e1s), ele pode ser obtido de diversas fontes, da vinha\u00e7a da produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e etanol \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o de dejetos animais e do lodo gerado pelas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto, e ainda dos aterros sanit\u00e1rios. Seu contexto ambiental \u00e9 uma grande oportunidade de reutiliza\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos que s\u00e3o descartados e geram polui\u00e7\u00e3o. Em n\u00fameros, a produ\u00e7\u00e3o de biometano pode alcan\u00e7ar um volume capaz de substituir 70% do diesel utilizado atualmente no Brasil no abastecimento de \u00f4nibus e caminh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A fonte prim\u00e1ria do biometano \u00e9 o biog\u00e1s, sendo o Brasil o principal pa\u00eds do mundo em termos energ\u00e9ticos, com a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 84,6&nbsp;bilh\u00f5es Nm\u00b3\/ano, divididos&nbsp;entre saneamento (7%), res\u00edduos sucroenerg\u00e9tico (48%) e res\u00edduos&nbsp;agroindustriais (45%).<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, no \u00e2mbito das cidades brasileiras, muito se fala em eletromobilidade como a melhor forma de proporcionar uma significativa diminui\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es poluentes. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que esse conceito dominar\u00e1 o cen\u00e1rio urbano dentro de mais alguns anos, quando ent\u00e3o o motor de combust\u00e3o interna ser\u00e1 aposentado (ser\u00e1?). Mas, neste momento, o que mais precisamos \u00e9 promover a transi\u00e7\u00e3o da tra\u00e7\u00e3o convencional para o modelo limpo, levando em considera\u00e7\u00e3o aspectos econ\u00f4micos, extensas fontes energ\u00e9ticas e a capacidade tecnol\u00f3gica. Biocombust\u00edveis, como o biometano, s\u00e3o considerados uma solu\u00e7\u00e3o na busca pelo transporte limpo, pois tem a capacidade para reduzir at\u00e9 90% das emiss\u00f5es poluentes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/revistaautobus.com.br\/uploads\/images\/2020\/06\/738-1592918023.jpg\" alt=\"\" title=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Bogot\u00e1, na Col\u00f4mbia, vem investindo na renova\u00e7\u00e3o da sua frota de \u00f4nibus urbano com a tecnologia do g\u00e1s natural<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na Europa, um mercado altamente competitivo e que tem investido cada vez mais em \u00f4nibus el\u00e9tricos para as suas cidades, o biometano e o g\u00e1s natural n\u00e3o perderam seus espa\u00e7os nos sistemas de transporte. Pelo contr\u00e1rio, convivem e conviver\u00e3o harmoniosamente por mais alguns bons anos. N\u00e3o \u00e9 muito lembrar que o g\u00e1s tem o seu uso comercial estimulado por pol\u00edticas p\u00fablicas institu\u00eddas por governos locais preocupados com o desenvolvimento ambiental por meio de subs\u00eddios \u00e0 programas de renova\u00e7\u00e3o de frotas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma ideia, 17% de todo o g\u00e1s consumido nos sistemas de transporte da Europa \u00e9 composto de biometano. Hoje, mais de 4.100 esta\u00e7\u00f5es de abastecimento de g\u00e1s natural est\u00e3o presentes naquele continente, que incluem a mistura com o biocombust\u00edvel. Atualmente, o mercado americano \u00e9 o principal mercado mundial para o \u00f4nibus com essa tecnologia, tendo cerca de 53.000 unidades, segundo informa a ABEG\u00c1S por interm\u00e9dio da fonte Clean Fuels Consulting. J\u00e1 no mercado europeu, s\u00e3o 16.000 unidades, dados de 2019, conforme relata o IGU &#8211; International Gas Union.<\/p>\n\n\n\n<p>A associa\u00e7\u00e3o que congrega as empresas distribuidoras de g\u00e1s ressalta que o biometano \u00e9 g\u00e1s e acredita na solu\u00e7\u00e3o. Segundo ela, hoje o estado do Cear\u00e1 tem 20% da sua oferta de g\u00e1s proveniente do biometano, sendo um caminho que outros pa\u00edses est\u00e3o trilhando em fun\u00e7\u00e3o do volume do biocombust\u00edvel gerado n\u00e3o ser suficiente para o suprimento do mercado.&nbsp; O fornecimento em larga escala poder\u00e1 reduzir custos de tratamento do renov\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>O g\u00e1s natural nunca teve uma pol\u00edtica governamental consistente no Brasil. O biometano, apesar de ser uma refer\u00eancia mais antiga, neste momento tamb\u00e9m n\u00e3o conta com apoio do governo para o seu uso em larga escala no transporte. H\u00e1 no Pa\u00eds uma montadora que acredita no potencial de ambos combust\u00edveis para serem utilizados nos segmentos de passageiros e carga. Ela j\u00e1 vendeu seus primeiros caminh\u00f5es, fato que poder\u00e1 incentivar outras concorrentes a introduzirem no mercado esse conceito, com condi\u00e7\u00f5es adequadas para que os transportadores possam investir na sustentabilidade ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos uma falta de incentivo ao mercado. Mas isso pode mudar, segundo informa a ABEG\u00c1S. Recentemente, o BNDES publicou um relat\u00f3rio, muito bem elaborado, sobre o mercado de g\u00e1s, considerando o GNV como uma oportunidade no desenvolvimento da demanda. Por isso, \u00e9 preciso instituir o detalhamento das pol\u00edticas p\u00fablicas necess\u00e1rias para um desenvolvimento r\u00e1pido da aplica\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de corredores log\u00edsticos. De acordo com a entidade, estudos internacionais e nacionais mostram as vantagens claras e palp\u00e1veis do uso de GNV para o meio ambiente e para sa\u00fade p\u00fablica, principalmente em grandes metr\u00f3poles. \u00c9 necess\u00e1ria&nbsp;a conscientiza\u00e7\u00e3o das autoridades, entidades de classe e dos empres\u00e1rios&nbsp;em rela\u00e7\u00e3o aos benef\u00edcios gerados pelo combust\u00edvel. Tamb\u00e9m surgem no cen\u00e1rio do transporte alguns&nbsp; empres\u00e1rios&nbsp;mais comprometidos&nbsp;com metas corporativas&nbsp;de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es no setor, vislumbrando no g\u00e1s a possibilidade de atendimento das&nbsp;mesmas, muito em virtude da redu\u00e7\u00e3o conferida de CO2 (-25%), materiais particulados (-85%) e \u00f3xido de nitrog\u00eanio (-95%) em compara\u00e7\u00e3o ao uso do diesel.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao \u00f4nibus urbano, falta a iniciativa operacional para que o g\u00e1s tenha seu caminho comercial. O setor convive com a car\u00eancia de recursos financeiros e projetos em seu cotidiano. Somente os valores das passagens n\u00e3o ir\u00e3o animar o transportador a trocar a matriz energ\u00e9tica de sua frota. \u00c9 preciso mais. Seguran\u00e7a no fornecimento do combust\u00edvel com pre\u00e7os atrativos \u00e9 o m\u00ednimo nessa situa\u00e7\u00e3o. E, o gestor p\u00fablico deveria promover no \u00e2mbito municipal o seu compromisso para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es poluentes, a come\u00e7ar pela institui\u00e7\u00e3o de programas de avalia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e de incentivos, por meio de fundos financeiros, para que haja o uso de outras formas limpas de tra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/revistaautobus.com.br\/uploads\/images\/2020\/06\/738-1592917929.jpg\" alt=\"\" title=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>No passado brasileiro, os motores a diesel tinham patamar tecnol\u00f3gico mais avan\u00e7ado do que os de GNV (por exemplo, o sistema de controle eletr\u00f4nico) e isso foi claramente sentido nas compara\u00e7\u00f5es. Entretanto, hoje as vantagens tecnol\u00f3gicas e ambientais est\u00e3o todas voltadas para o GNV, faltando a defini\u00e7\u00e3o de um programa que reconhe\u00e7a o g\u00e1s natural como um energ\u00e9tico com o papel importante na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e com potencial de aumentar sua disponibilidade e atrair investimentos para o Pa\u00eds. Fonte &#8211; ABEG\u00c1S<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que pensar em apenas uma solu\u00e7\u00e3o para ser adotada no \u00e2mbito de combust\u00edveis e tipos de tra\u00e7\u00e3o no transporte urbano, \u00e9 interessante observar que as v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es podem trabalhar juntas, com racionaliza\u00e7\u00e3o em determinados nichos. Se a eletromobilidade pode ser ideal em \u00e1reas centrais das grandes cidades, a dobradinha g\u00e1s natural\/biometano pode cumprir com o seu papel de sustentabilidade em sistemas com alta demanda de passageiros, que ligam os sub\u00farbios aos centros.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, Bogot\u00e1, capital colombiana, come\u00e7ou a receber 1.084 \u00f4nibus em seu sistema SITP (transporte zonal), todos fornecidos pela Scania com a sua tecnologia do g\u00e1s, encarro\u00e7ados pela Marcopolo e Busscar, ambas fabricantes instaladas na Col\u00f4mbia. Outro grande sistema, o TransMilenio, que tamb\u00e9m faz parte do SITP, tem em sua frota \u00f4nibus articulados e biarticulados movidos a g\u00e1s natural.<\/p>\n\n\n\n<p>O condado norte-americano de Miami Dade \u00e9 outra localidade urbana que encomendou recentemente novos \u00f4nibus a g\u00e1s natural. S\u00e3o 140 unidades, que se juntar\u00e3o \u00e0s outras 300 adquiridas h\u00e1 dois anos pela Miami-Dade Transit.<\/p>\n\n\n\n<p>Dever\u00edamos seguir o exemplo de muitos centros urbanos mundiais que est\u00e3o investindo em frotas de \u00f4nibus limpos, com as op\u00e7\u00f5es 100% livres de emiss\u00f5es locais ou movidos pelos referidos combust\u00edveis citados neste editorial, al\u00e9m de otimizar as opera\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os, alcan\u00e7ada por meio da prioriza\u00e7\u00e3o ao modal. &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Visto com descren\u00e7a por alguns especialistas e defensores do meio ambiente, o g\u00e1s natural sempre foi mal utilizado no Brasil em termos de tra\u00e7\u00e3o para o \u00f4nibus urbano. 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