Sustentabilidade no fretamento

Operadora paulista de fretamento, Sertran, investe na propulsão limpa para reduzir a pegada de carbono no segmento

Recentemente, a Sertran, empresa referência no transporte fretado para o agronegócio, anunciou a aquisição de uma unidade do modelo Volare Fly 10 GV, que, quando abastecido com biometano, dá uma expressiva resposta em relação a diminuir a pegada de carbono do transporte de passageiros sobre pneus.

A revista AutoBus conversou com Daniel Felício, diretor de Novos Negócios e Tecnologias e acionista da Sertran, sobre a estratégia da operadora paulista quanto a investimentos em tecnologias sustentáveis utilizadas no segmento da mobilidade coletiva. De acordo com ele, a iniciativa foi lançada em virtude de atender clientes que já tinham a produção de biometano em suas plantas relacionadas com o setor do sucroalcooleiro e que necessitavam reduzir as emissões poluentes e, ao mesmo tempo, aproveitar a produção do biocombustível. “Nós somos o maior fornecedor de transporte de funcionários do setor brasileiro da cana-de-açúcar e fomos desafiados a realizar uma operação com veículos equipados com motorização a gás. Chegamos a fazer um retrofit com veículos Euro V a diesel para a tração a gás, com uma fabricante de motores, fato que não foi atrativo em termos financeiros. Contudo, também, desafiamos a fabricante Volare a desenvolver um modelo de micro-ônibus com essa tecnologia para podermos atender a demanda de nossos clientes. Nisso surgiu o Volare a GNV”, explicou Daniel.

Em operação, o referido veículo aproveita o biometano que é produzido nas usinas, pela transformação da vinhaça, apresentando uma competitividade em termos de custo operacional mais em conta se comparado com o diesel. “Como nosso cliente produz o biometano, o abastecimento fica mais atrativo e há uma redução do custo da operação. Contudo, o custo de aquisição desse modelo, ainda, é alto em relação ao modelo a diesel. Esperamos que, com o ganho de escala na produção do veículo, o valor tende a baixar. Estou apostando nessa tecnologia por acreditar na viabilidade, tanto econômica, como em eficiência”.

Aposta em tecnologias limpas e diversificadas

Segundo ele, caso o cenário se mantenha nessa parceria entre a produção do biocombustível e as operações do veículo, mantendo-se o contrato com o cliente, há uma perspectiva que o investimento no micro-ônibus a gás seja amortizado em três anos e que os resultados poderão ser melhores. “Acreditamos nessa possibilidade tecnológica quanto a ser uma solução eficiente dentro das demandas que temos e teremos, tanto pelas condições econômicas, como as ambientais”, afirmou Daniel.

Além da operação com o gás, a Sertran mostrou sua iniciativa ambiental em ter na frota outro veículo com tração limpa desenvolvido pela Volare, mas com a configuração híbrida, combinando os motores elétricos e a etanol, projeto inovador que foi apresentando há pouco tempo. “Estamos fazendo operações pilotos com essa nova tecnologia híbrida da Volare, que usa um motor a etanol, na modalidade de motogerador, e um propulsor elétrico. Após os primeiros testes chegamos a conclusões positivas em relação ao diesel. É um veículo que tem as baterias que podem ser recarregadas pelo modelo plug-in ou pela geração energética a bordo, com o motor a etanol”, comentou Daniel.

A avaliação do Volare com tração híbrida apresentou uma viabilidade econômica interessante, de acordo com informações de Daniel, com menor custo operacional operando com etanol, em média de R$ 1,10 o quilômetro rodado, e R$ 0,70 o quilômetro quando abastecido, apenas, pela energia elétrica. “Esse valor resultado da operação com etanol é possível pois nosso cliente é uma usina sucroalcooleira, o que permite o menor custo do combustível”, explicou. “Até o final do ano vamos adquirir essa unidade híbrida para que rode, comercialmente, em nossos clientes”, informou.

A Sertran tem 30 anos de mercado, começando em 1996 com operações no transporte urbano de Sertãozinho (SP), expandindo anos depois, seus negócios para outras cidades. Contudo, ela foi abandonando, aos poucos, esse segmento. Em 2014, iniciou as atividades do fretamento em mercados agrícolas, sendo que hoje o setor é o responsável pela maior fatia dos negócios (também, realiza o transporte corporativo em cidades), atuando em 52 municípios brasileiros e atendendo a clientes dos ramos da celulose, sementes, grãos, sucroalcooleiro e o mineiro. São 3.500 colaboradores e uma frota composta por 1.600 veículos, entre ônibus, micro-ônibus e vans.

Imagens – Divulgação

A melhor maneira de viajar de ônibus rodoviário com segurança e conforto

Ônibus movido a biometano, por Juliana Sá, Relações Corporativas e Sustentabilidade na Scania

Posts Recentes

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *