A situação atual do transporte coletivo brasileiro revela um cenário nada favorável. Mais de 60% dos passageiros estão insatisfeitos com os serviços. É o que diz uma pesquisa inédita realizada pela Prompt Consultoria em parceria com o aplicativo Cittamobi, que recebeu o nome de “Pesquisa Qualimob”, tendo como objetivo principal compreender a percepção dos passageiros sobre o nível do serviço oferecido, identificar pontos críticos e coletar dados analíticos essenciais para a tomada de decisões.
De acordo com os desenvolvedores do estudo, mais de 10 mil respostas foram alcançadas em 246 cidades, incluindo grandes centros urbanos de todas as regiões do Brasil, indicando a pontualidade, lotação e o tempo de espera como os principais gargalos na operação. Dessa maneira, resulta em um guia estratégico para gestores e operadoras que buscam aprimorar a qualidade e a eficiência da mobilidade urbana no país.
Nesse levantamento, o ônibus aparece como o principal modal no Brasil e é a opção mais adotada por 58,6% dos participantes, sem combinar com outro meio. No entanto, segundo os pesquisadores, em metrópoles com infraestrutura sobre trilhos, a intermodalidade ganha força, pois cerca de 22,8% dos usuários combinam ônibus e metrô, enquanto 9,1% utilizam trem e ônibus e 7,9% optam por BRT e ônibus. “Essa combinação de modais demonstra que a intermodalidade é uma aliada para agilizar os deslocamentos, especialmente, nos grandes centros urbanos, evidenciando uma demanda crescente por soluções que otimizem o transbordo e o conforto dos passageiros”, disse Tiago Araújo, CEO da Prompt Consultoria.

Contudo, há muitos pontos negativos. No quesito satisfação geral, mais de 6 a cada 10 passageiros se declaram insatisfeitos, com indicadores mais sensíveis destacando a falta de pontualidade, com 34,1%, lotação com 28,8% e tempo de espera com 28%. A Prompt informou que, embora os números representem uma fragilidade, a partir desses dados as empresas podem ter subsídios para elaborar planos preventivos e de melhorias em suas respectivas cidades. “Muitas vezes, comunicar com assertividade não irá alterar a dinâmica dos deslocamentos, porém, muda a percepção de quem espera e ajuda a reduzir a incerteza e a sensação da espera. Quando utilizamos a comunicação a favor do transporte conseguimos otimizar e ampliar a experiência do passageiro”, explicou Araújo.
Uma questão fundamental na vida dos passageiros é o tempo de viagem. A pesquisa evidenciou que 37,7% dos entrevistados gasta de 30 minutos a 1 hora por trecho, um período considerável que impacta diretamente na qualidade de vida. Tiago disse que esse é um dos quesitos mais desafiadores para quem faz a gestão de uma operação de transporte, pois todo sistema está sujeito a imprevistos que acabam impactando no tempo. “Saber o que faz a diferença na vida do passageiro vai colaborar na implantação de soluções mais assertivas e pensadas para contribuir para a qualidade dos serviços e a satisfação”, sintetizou.
A pesquisa indicou que quase todos os participantes utilizam soluções de mobilidade no dia-a-dia dos deslocamentos, sendo que 51% dos passageiros buscam aplicativos que oferecem informações do transporte público e 49% das pessoas procuram ferramentas de transporte individual. Tal resultado aponta que o uso dos aplicativos supre lacunas na agilidade e pontualidade que o serviço das operadoras de transporte muitas vezes não consegue assegurar.
O levantamento contou com a participação de 52,5% do público feminino e 47,5% masculino. Desse total, a faixa etária variou de 6,4% até 18 anos, 7,7% de 18 a 25 anos, 16,9% de 26 a 40 anos, 25,3% de 41 a 50 anos, 32,6% de 51 a 65 anos e 11% acima de 65 anos.
Imagens – Divulgação

















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