Eficiência, tecnologia e sustentabilidade

A participação da Scania na Lat.Bus 2026 destacou pilares fundamentais que estão presentes no segmento do transporte coletivo sobre pneus

Com novas configurações mecânicas e tecnológicas em seus chassis, a Scania foi um dos destaques durante a feira Lat.Bus 2026. A marca, que é referência em veículos pesados no Brasil, apresentou sua gama Super de ônibus, antes de completar um ano de presença na Europa. De acordo com ela, essa concepção traz o novo trem de força formado por motor, câmbio, eixo cardan e diferencial.

Além disso, para o transporte urbano, a fabricante expôs e ressaltou seus desenvolvimentos voltados para a eletrificação e uso de biocombustíveis, visando aumentar o leque de produtos que contribuem, positivamente, com o processo de descarbonização da mobilidade das pessoas.

Em se tratando de transporte rodoviário, ela salienta sua linha de chassis Super equipados com motores de 11 litros nas versões K 350 (350 cavalos de potência e 1.800Nm de torque), K 390 (390cv e torque de 2.000Nm) e o K 430 (430cv e 2.200Nm de torque). Se olharmos para um propulsor maior, o de 13 litros, ele estará presente nos chassis K 460 (460cv e 2.500Nm) e K 500 (500 cavalos de potência e que desenvolve 2.650Nm de torque).

Em paralelo aos motores, há novidades em relação à caixa de câmbio G 25, projetada tanto para os modelos de 11 litros quanto de 13 litros, novo eixo R 756 e o sistema de otimização de combustível (FOU), além da arquitetura eletrônica de sétima geração com o painel digital e o recente pacote de segurança.

Marcelo Gallão, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Scania Operações Comerciais Brasil, destacou que a economia de combustível será 8% superior na comparação com a Nova Geração P8/Euro VI, com o objetivo de surpreender os clientes. “O trem de força mais econômico, de maior eficiência energética e mais durável da história da Scania agora chegou para os ônibus, após o sucesso absoluto nos caminhões na Europa e no Brasil. Vale a pena ressaltar que a gama Super vai agregar todas as vantagens da Nova Geração de ônibus Scania P8/Euro VI, que foi lançada em 2022, no Brasil, e trazer muitas novidades, além de seu eficiente trem de força, para complementar a nossa já consagrada linha rodoviária de chassis”, afirmou.

A Scania informa que os motores de 11 litros e 13 litros contam com duplo comando de válvulas no cabeçote, fator que garante mais eficiência alcançado pelo aumento da pressão de pico no cilindro para 250bar, com a bomba de combustível de alta pressão aprimorada e na redução da fricção dos componentes internos. Outras vantagens dos novos propulsores são a melhoria na lubrificação, na refrigeração e na eficiência do turbo compressor.

Ivanovik Marx, gerente de Engenharia de Aplicações de Oferta de Soluções da Scania Operações Comerciais Brasil, observou que os motores Scania Super atendem as mais diversas necessidades dos clientes, representando o que há de mais moderno em tecnologia de combustão. “A economia excepcional de combustível de até 8% reduz significativamente o custo total de operação e, ao mesmo tempo, diminui consideravelmente as emissões de CO2. Por outro lado, os torques variando de 1.800Nm a 2.650Nm são o mais puro ganho de eficiência energética ao oferecer uma alta força em rotações mais baixas para obter maior economia de combustível”, disse.

A linha de chassis Super chega prometendo vantagens aos operadores

A otimização operacional, também, pode ser obtida com a caixa de câmbio Scania Opticruise G 25, de 14 marchas com overdrive. Segundo a Scania, ela sai de fábrica com a remoção dos anéis sincronizadores e as mudanças de marcha são feitas por freios de contra-eixo, o que resulta em trocas mais suaves e rápidas. Além disso, a caixa transmissão tem componentes que promovem menores atritos internos e é confeccionada em uma carcaça de alumínio até 75 kg mais leve que a GRS895.

A linha Super de ônibus sairá de fábrica com painel digital de 12,3 polegadas, conectividade, acelerador inteligente e o Scania Actcruise, controle de cruzeiro com predição ativa (a partir de 0km/h) que funciona como um piloto automático inteligente e com previsão ativa que usa GPS e um mapa do terreno para controlar a velocidade e as marchas, gerando até 3% de economia de combustível.

No quesito segurança, há o completo pacote composto pelo ADAS 2.0, sensores de pontos cegos e alerta de pedestres (ASLA).

A Scania investiu R$ 120 milhões em P&D de Engenharia, no desenvolvimento da cadeia de fornecedores e na atualização da sua linha de montagem, em São Bernardo do Campo (SP). A marca revelou que houve a necessidade de desenvolvimento e a aquisição de novas ferramentas e dispositivos, sendo mantidas todas as tecnologias da Indústria 4.0 já utilizadas no processo produtivo, garantindo a continuidade dos padrões de automação, conectividade e monitoramento da operação. “No mercado, o Scania Super não terá similar em termos de economia de combustível e do menor custo total de operação. Nossa visão holística do setor está sendo elevada a um novo patamar”, lembrou Eronildo Barros, presidente e CEO da Scania Operações Comerciais Brasil.

Sustentabilidade urbana

A fabricante acredita na diversidade tecnológica em propulsão para alcançar resultados positivos no processo de redução da pegada de carbono dos sistemas de transporte sobre pneus. Nisso, tem atuado em duas frentes de trabalho, desenvolvendo produtos que utilizem eletricidade e biocombustíveis na operação.

Na Lat.Bus, ela ampliou seu portfólio de chassi com tração elétrica ao apresentar o novo modelo K 300 6×2*4, de 15 metros de comprimento, é mais uma opção de aplicação urbana, tem capacidade para cerca de 105 passageiros e autonomia de 250 a 300 km. “Essa nova versão de 15 metros preenche uma lacuna que a gente encontra hoje, com poucas opções no mercado com um produto desse porte. Com a chegada dele, a Scania tem o seu portfólio completo nessa versão, junto com o modelo a diesel e a gás”, disse Raphael Abranches, engenheiro de Aplicações de Oferta de Soluções para Mobilidade da Scania Operações Comerciais Brasil.

O novo chassi poderá usar 4 ou 5 baterias, sendo que uma dela é posicionada na parte do balanço traseiro, fator que é possível customizar as restantes que vão ser instaladas no teto, no caso da versão com piso baixo. Scania destaca suas baterias, que terão capacidade de 356 kWh (320 kWh Útil) e tempo de recarga de aproximadamente 62 minutos ou 445 kWh (400 kWh Útil), com tempo de recarga de cerca de 73 minutos.

Nova versão do chassi equipado com motorização a gás, no padrão do transporte coletivo paulistano

As baterias são de NMC (níquel-manganês-cobalto), diferentes da maioria das usadas atualmente no mercado que são de LFP (lítio-ferro-fosfato), dispondo de uma maior densidade de carga, o que significa menos peso total do veículo e, consequentemente, mais capacidade para transportar passageiros.

Em termos de inovação, o modelo integra junto ao motor elétrico uma transmissão permitindo que o propulsor não seja tão exigido. “Essa transmissão vai poupar a máquina elétrica de esforços, beneficiando, até, no consumo de bateria, porque o sistema vai poupar o motor de fazer um trabalho demasiado alto.

Sobre combustíveis renováveis, a Scania mostrou na Lat.Bus o chassi K 280 4×2 com motor a gás de potência de 280cv, torque de 1.350Nm, caixa automática ZF Ecolife 2, autonomia entre 300 a 350 km, para encarroçamento de até 14 metros de comprimento, vocacionado para a operações urbanas. Dispõe como opcional, do pacote de segurança com piloto automático, leitor de faixa (LDW), entre outros componentes.

Segundo a fabricante, suas pioneiras soluções a gás e biometanto são plenamente viáveis para o mercado brasileiro e cadeias sucroenergética e do agronegócio, sendo que o biocombustível pode ser gerado de restos de culturas agrícolas, fezes de animais, resíduos da agroindústria e do lodo sanitário urbano. “A prefeitura de São Paulo vem seguindo uma forte jornada de descarbonização de seu transporte público urbano nos últimos anos. Com o nosso chassi, faremos uma demonstração, em parceria muito valiosa com a Caio, que tem larga experiência nos veículos urbanos, para comprovar a viabilidade do produto”, afirmou Mauricio Lucena, gerente de Vendas de Soluções para Mobilidade da Scania Operações Comerciais Brasil.

Para ele, o biometano é mais do que um combustível renovável, sendo reconhecido como uma ferramenta para a economia circular, pois quando produzido a partir de resíduos locais, também, apoia a independência energética da região e gera empregos locais.

Imagens – Divulgação/Marcos Mesquita

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