O processo de renovação da frota, seja ela rodoviária ou urbana, é um motivo para que o operador e a operação possam contar com tecnologia atualizada, dentro dos preceitos da segurança e do conforto à quem utiliza os ônibus. Outro detalhe é que, com veículo novo, o índice de quebra e manutenção é mínimo ou inexistente.
Nesse contexto, a substituição leva em consideração a idade comercial do veículo ou uma quilometragem determinada pelo operador, sendo encaminhado como fonte de pagamento dos ônibus novos ou disponibilizado para pequenos e médios transportadores que não têm condições de aquisição de um modelo novo.
Durante muito tempo, o mercado de ônibus seminovos foi tratado como um segmento secundário dentro da indústria do transporte, sendo associado, principalmente, à clientela formada por operadores de menor porte, empresas de fretamento ou transportadores que buscavam uma alternativa mais econômica ao ônibus zero-quilômetro. Por muitos anos, é reconhecido como uma moeda de troca que contribui para a rentabilidade de quem está envolvido com a operação.
Outrossim, somente encontrar um mais ônibus barato deixou de ser o ponto fundamental nesse processo. É preciso conhecer sua procedência, histórico de manutenção, quilometragem, condições do chassi e da carroceria, estado do conjunto mecânico e, principalmente, seu potencial de permanência em operação. Nisso, a avaliação deixou de lado a pergunta básica do quanto custa o ônibus para considerar qual será o custo operacional nos próximos anos.
E, neste ano de 2026, a Lat.Bus reservou espaço dedicado para essa forma de comercialização, favorecendo o mercado e dando oportunidades à quem necessita de um veículo para sua frota em perfeito estado de conservação e manutenção. E, aproveitando o momento da feira, alguns importantes grupos rodoviários expuseram seus veículos seminovos.
Do Paraná, a Viação Garcia olha o momento de ascensão do mercado secundário de ônibus no País. Com seu estande na Lat.Bus, o público presente pôde conhecer as opções disponíveis do catálogo da empresa e obter informações diretamente com a equipe de vendas, revelando ser um contato que amplia o mercado nesse negócio, que já é referência no segmento.

Ônibus da Viação Garcia
Segundo Ildefonso Silva, consultor de vendas de seminovos da empresa, o perfil do comprador tem mostrado mudanças nos últimos anos, contemplando não só empresas rodoviárias tradicionais, mas, também, operadores de pequeno e médio porte, transportadores independentes, companhias de fretamento e outras empresas que desejam ampliar a capacidade operacional sem investir na aquisição de ônibus novos. Para ele, a disponibilidade imediata dos veículos, com um modelo de ‘pronta-entrega’ ao cliente, é outro diferencial significativo, além das condições da empresa para financiamento próprio e por meio de instituições financeiras parceiras. “É neste cenário que a empresa tem se destacado. Veículos com histórico de manutenção, procedência, conservação e relação custo-benefício passaram a ter grande procura e temos atendido vários segmentos do mercado de seminovos, como rodoviário, metropolitano e urbano”, afirmou.
Durante a Lat.Bus, a Viação Garcia expôs seu ônibus Marcopolo Paradiso G8 1800 DD, com chassi Volvo B450R 8×2, que integra uma categoria de ônibus de nova geração, destinada às operações rodoviárias que demandam elevada capacidade de transporte e diferentes configurações de conforto. “O evento reforçou a reputação das marcas sólidas no mercado, aproxima os diferentes elos da cadeia do transporte rodoviário de passageiros e promove o relacionamento presencial entre os agentes do setor”, destacou Estefano Boiko Jr., vice-presidente da Viação Garcia.
Pertencente ao Grupo JCA, um dos mais tradicionais do segmento rodoviário de passageiros, a empresas Renovebus, responsável pela comercialização de ônibus seminovos provenientes das operadoras Viação Cometa, Auto Viação 1001, Auto Viação Catarinense, Expresso do Sul e Rápido Ribeirão, conecta compradores a veículos com procedência conhecida e histórico de operação, permitindo que os ônibus substituídos nos ciclos de renovação do grupo sigam em uso em outros mercados, ao mesmo tempo em que contribui para a recomposição de caixa e para novos investimentos em frota.
Segundo a Renovebus, a comercialização dos veículos substituídos é uma das principais fontes internas de recursos para sustentar a continuidade dos investimentos do Grupo JCA, sendo que, atualmente, há cerca de 500 ônibus disponibilizados ao mercado, com opções voltadas a operadores de transporte rodoviário, fretamento, turismo e outros segmentos de mobilidade.

Modelo exposto pela Renovebus
Gustavo Rodrigues, diretor-presidente do Grupo JCA, destacou que o assunto renovação de frota, muitas vezes olhado, apenas, como a entrada de novos veículos, tem algo mais a ser observado, que é a etapa, igualmente estratégica, sobre a destinação correta dos ônibus que deixam a operação principal. A Renovebus tem uma atuação muito conectada ao momento do mercado. Quando o Grupo JCA renova sua frota, surgem oportunidades para que outros operadores adquiram veículos em bom estado, com histórico conhecido e respaldo de uma operação consolidada. É uma dinâmica que fortalece todo o ciclo: o grupo investe em ônibus mais modernos e o mercado recebe veículos confiáveis”, disse o executivo.
Já Samuel Leite, gerente-comercial da Renovebus, disse que a entrada de ônibus mais modernos na operação principal e a saída organizada dos veículos substituídos formam um fluxo que beneficia diferentes pontos da cadeia, pois passageiros passam a contar com uma frota mais atualizada; compradores acessam veículos com histórico conhecido; e a holding preserva valor dos ativos enquanto fortalece sua capacidade de investimento. “Comprar um ônibus não é uma decisão simples. O comprador precisa saber de onde o veículo veio, como ele foi mantido, se está regularizado e se tem condições de seguir operando com segurança. A Renovebus oferece essa rastreabilidade porque trabalha com veículos que fizeram parte de uma operação acompanhada e com padrões definidos pelo Grupo JCA”, ressaltou.
Hugo Ribeiro do Nascimento, que conquistou, ao longo dos anos, um importante espaço no mercado brasileiro de venda de ônibus, comentou que o mercado de seminovos em 2026 tem sido razoável em decorrência da pouca renovação das frotas por questões financeiras relacionadas à crédito, com os juros, ainda altos. “No meu caso, que estou com a revenda via virtual, tenho visto uma procura razoável por ônibus seminovos. Por se tratar de um grande mercado, estou investindo na minha loja física, que fica em Campinas, no quilômetro 104 da Rodovia Anhanguera, que será inaugurada no fim deste mês de agosto. Com um espaço dedicado, acredito que esse negócio tende a apresentar crescimento nos próximos anos”, afirmou.
Ele, que viu na Lat.Bus 2026 uma oportunidade interessante para que importantes operadoras vendessem seus veículos, disse que é um mercado desafiante, ainda mais em seu caso, ao ter multimarcas para a comercialização. “É um setor que exige credibilidade, reputação, para comercializar os veículos, sempre dentro das características da qualidade, da boa operação. São poucas as revendedoras que têm isso, sempre ofertando produtos que atendem as necessidades dos transportadores”, explicou.
Proprietário da Hugo Ônibus, o empresário cita seu trabalho para atender uma clientela que necessita de todos os tipos de veículos, com disponibilidade operacional e em bom estado de conservação. “Com minha loja virtual, estou há um ano e meio no mercado, com resultados bons para esse período. Agora, com meu novo espaço físico, entendo que poderei anteder os operadores com mais atenção, sempre com uma boa conversa, ofertando veículos multimarcas e da melhor qualidade”, ressaltou Hugo.
A Tursan é uma conhecida operadora do ramo de fretamento contínuo, uma das maiores do Estado do Rio de Janeiro, com importantes clientes que são do ramo industrial, siderúrgico, e-commerce, farmacêutico, dentre outros segmentos, tendo um contínuo processo de renovação de sua frota, sempre mantendo-a com baixa idade média e excelente conservação de seus veículos. Ela participou, recentemente, da Lat.Bus com o seu estande, ressaltando a importância do segmento de seminovos.

O ônibus da Tursan, exposto na Lat.Bus, teve seu destino concluído
Paulo Bonafé, CEO da Tursan, comentou que o momento da participação na feira paulistana foi muito positivo, pois no estande recebeu diversas visitas de clientes, amigos do setor e imprensa, sendo palco para alguns negócios, de ocasião e, também, de muito network para futuros negócios. “Foi muito importante ter participado da Lat.Bus. Recebemos muita gente em nosso estande e o saldo de nossa exposição foi muito positivo, principalmente com conclusões de algumas vendas durante o evento. O nosso veículo em exposição foi comercializado, o que representa o cuidado que temos com nossos ônibus em termos de manutenção e baixa idade média”, disse.
Segundo o CEO da Tursan, essa questão do veículo com baixa quilometragem e idade operacional transforma a Tursan num modelo de negócios para outros operadores, se tornando referência no segmento do fretamento, fator que impulsiona a comercialização de seus seminovos. “Vendemos nossos ônibus com um ano e meio de uso ou 70 mil quilômetros em média. Tais aspectos contribuem com a qualidade de nossos veículos”.
Bonafé revelou que a Tursan, também, faz a locação de seus ônibus, num modelo que permite ao operador interessado resolver sua demanda por frota com qualidade e disponibilidade. “Além de vendermos nossos ônibus, somos flexíveis em locá-los para transportadores que precisam de veículos seminovos, obviamente que após uma criteriosa analise. Trabalhamos em duas frentes, além de nossa operação cotidiana, reforçando nossos negócios. Já fazemos essas locações há dois anos, com resultados positivos e vantajosos aos nossos clientes, pois podem realizar suas operações de maneira satisfatória”, concluiu.
O Grupo Santa Cruz, com a Viação Santa Cruz e a SCMinas, esteve na feira com um espaço dedicado, visando ampliar seus negócios no referido segmento de seminovos. Francisco Mazon, diretor-presidente do grupo, destacou a importância da Lat.Bus no contexto do transporte, da evolução do ônibus, da tecnologia e da oportunidade de dar destino aos veículos usados.

A Viação Santa Cruz se destaca no segmento por ter ônibus seminovos em excelente estado de conservação
Segundo ele, muita gente percorreu a área onde estavam expostos os ônibus, com operadores interessados em conhecer seus dois veículos, um com motor dianteiro e outro com propulsor traseiro, ambos na configuração rodoviária. “Fiquei surpreso com a movimentação de pessoas e pelo interesse em nossos produtos. Houve muita consulta de operadores que gostaram do que viram em termos de conservação e manutenção. Posso dizer que a exposição das nossas marcas foi um ponto fundamental para reforçarmos o negócio de seminovos”, explicou.
A Viação Santa Cruz teve a parceria da Alfabus, empresa especializada no segmento de ônibus usados, ao expor seu modelo rodoviário na Lat.Bus. De acordo com Mazon, a relação comercial entre ambas empresas já dura 10 anos, sendo muito saudável nesse tempo todo. “A Alfabus nos faz assessoria para comercializar nossos veículos seminovos, tendo muito sucesso nessa relação de venda para nós. Como ele está localizado em Campinas, na rodovia Anhanguera, o poder de exposição é grande, fator que ajuda as nossas vendas”, concluiu Mazon.
Imagens – Revista AutoBus e Viação Garcia

















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