Após muitos anos de experiência no transporte coletivo da capital argentina, Buenos Aires, com os seus ônibus a diesel e a gás, a marca Agrale quer trazer para São Paulo seu conhecimento na tecnologia da propulsão a gás, com destaque para o biometano, combustível que está no centro das atenções quando o assunto é descarbonização da mobilidade coletiva urbana.
Edson Martins, diretor-comercial e de Marketing da Agrale S/A, destacou que a capital paulista tem um padrão operacional e tecnológico muito parecido com a capital portenha e que a solução desenvolvida para lá pode, muito bem, ser adotada no sistema paulistano. “Temos uma vasta experiência em Buenos Aires, onde já colocamos mais de sete mil chassis a diesel e, agora, com quase 400 unidades a gás que estão sendo fornecidas. Queremos trazer para São Paulo toda a nossa expertise para participar do processo de descarbonização do transporte coletivo”, disse.
Segundo o executivo, o respectivo chassi exposto na feira paulistana tem uma configuração versátil, capaz de atender duas versões de ônibus adotada pelo padrão da capital paulista, que são a básica e o Padron, para as operações locais e nos corredores. “Nosso chassi está preparado para atender as especificações do transporte coletivo paulistano, oferecendo aos operadores um produto viável, robusto e econômico”, afirmou Martins.
E, não só o mercado da capital paulista é alvo da fabricante gaúcha. Ela quer chegar à diversas partes do País com seus produtos dotados desse tipo de motor, visando a redução das emissões poluentes, principalmente com a opção do biometano, combustível com o poder de transformação com amplo potencial energético. Martins ressaltou que essa capacidade brasileira em torno do combustível renovável tem apelo ambiental maior que, até mesmo, dos ônibus elétricos, pois na produção dele é factível a conversão de uma fonte poluidora em propulsão limpa, reduzindo todas as emissões poluentes. “Nós alcançamos muito ganho usando o biometano na cadeia do transporte. Por isso apresentamos esse produto durante a Lat.Bus 2026, reforçando nossa capacidade de desenvolvimento de veículos com tecnologias próprias para atender as demandas locais”, observou.

Chassi com propulsão a gás da Agrale busca maior espaço no transporte urbano brasileiro
O executivo adiantou que a família a gás irá aumentar, até o final do ano, com a chegada de um novo chassi, configurado com o motor dianteiro, denominado MA 18, para operações comuns aos sistemas brasileiros de transporte coletivo, com opção tecnológica da transmissão automática e suspensão pneumática ou caixa manual e suspensão metálica.
Martins lembrou que a questão econômica é algo essencial para a viabilidade das operações que buscam a sustentabilidade ambiental e que o ônibus a gás pode ser o lado positivo dessa estratégia. “A opção pelo veículo com motor a gás tem sua atratividade econômica em relação ao modelo elétrico, que custa três vez mais que uma versão a diesel. Hoje, estamos muito próximos do valor de ônibus a diesel, sendo 20% a 30% mais caro em virtude de algumas particularidades, como os tanques importados, tipo 4. Além disso, o valor do gás/biometano está mais em conta no mercado e o nosso veículo não necessita do ARLA. Portanto, no custo operacional, levamos vantagens na economia proporcionada. Lembrando que o potencial brasileiro desse biocombustível é enorme, fazendo jus à descarbonização do transporte”, explicou.
O respectivo chassi mostrado na feira está sendo encarroçado e logo passará pelo processo de homologação da SPTrans, órgão gestor do transporte coletivo paulistano.
Características do chassi exposto na Lat.Bus
Motor – Weichai WP7NG270E61
Potência Máxima – 265 cv a 2100 rpm
Torque máximo – 1150 Nm a 1100/1500 rpm
Caixa de Câmbio – Allison T3325XFE R – Automática
Tanque de combustível – 940 L (4 cilindros tipo 4)
Suspensão – totalmente pneumática
Imagens – Revista AutoBus

















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