Por Edson Ares Sixto Martins, diretor-comercial e de Marketing da Agrale S/A
O transporte público sofre pressão para descarbonizar suas frotas e oferecer um serviço seguro, confiável e acessível. A escolha energética deve combinar benefícios ambientais, eficiência operacional e previsibilidade de custos. Nesse contexto, o gás veicular é uma solução madura, disponível e estratégica para o Brasil.
A dependência do diesel expõe os operadores à instabilidade internacional. Os conflitos no Golfo e em outras regiões pressionam a oferta e os preços dos derivados de petróleo. No Brasil, os subsídios federais amortecem esse impacto, mas são temporários, sujeitos à disponibilidade orçamentária. O alívio atual não elimina o risco de novos aumentos: a redução desses incentivos pode ampliar a pressão sobre os custos das frotas. Para quem precisa planejar investimentos e cumprir contratos de longo prazo, essa incerteza pesa.
O gás veicular oferece uma oportunidade de reduzir essa exposição. Contratos de fornecimento de longo prazo, com condições de reajuste bem definidas, podem trazer maior previsibilidade ao orçamento dos operadores. O gás natural também está sujeito a oscilações, conforme sua origem e a fórmula contratual. Já o biometano produzido no Brasil, a partir de recursos locais, permite reduzir a dependência do petróleo importado e das rotas internacionais de abastecimento, fortalecendo a segurança energética.
Essa vantagem se soma à flexibilidade tecnológica. O gás natural veicular (GNV), de origem fóssil, e o biometano, renovável, podem abastecer a mesma plataforma veicular, isoladamente ou em mistura, desde que atendidas as especificações do combustível. É possível iniciar uma operação com GNV e ampliar a participação do biocombustível conforme avancem a oferta, a logística e a competitividade.
A descarbonização precisa caber na conta. A decisão deve considerar o Custo Total de Propriedade (TCO): aquisição do ônibus, combustível, manutenção, infraestrutura e disponibilidade ao longo da vida útil, além do custo por quilômetro rodado.
No transporte público, eficiência econômica tem dimensão social. Reduzir custos e ampliar sua previsibilidade contribui para o equilíbrio das concessões, diminui a pressão por subsídios e favorece a modicidade tarifária. A solução energética precisa sustentar a operação e beneficiar o passageiro.
O biometano amplia essa oportunidade ao conectar mobilidade e economia circular. Produzido a partir do biogás de resíduos orgânicos, efluentes e outras fontes de biomassa, pode reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida, conforme a matéria-prima, o processo e o controle de vazamentos. O potencial brasileiro na agropecuária, na indústria e nos resíduos de grandes e médios centros urbanos permite desenvolver cadeias regionais de abastecimento.
A indústria já apresenta respostas concretas. A Agrale prevê encerrar 2026 com 401 chassis a gás entregues para o transporte coletivo de Buenos Aires e já fechou uma encomenda de 750 unidades para 2027. Outros negócios estão a caminho no Brasil. Essa expansão evidencia a confiança dos operadores na tecnologia e o papel da competitividade do combustível na renovação das frotas.
A Agrale vem formando parcerias com distribuidoras de gás, como a Gasmig, em Minas Gerais, para desenvolver e disponibilizar produtos específicos para esse mercado, alinhando veículos e soluções de abastecimento às necessidades dos operadores. Expandir esse movimento exige capacitação técnica, financiamento e contratos que deem segurança aos investimentos.
O futuro da mobilidade pesada será eclético. A eletrificação terá seu espaço, mas o gás veicular deve ocupar papel relevante na renovação das frotas urbanas no país. Com biometano, esse caminho reúne produção local, potencial de redução de emissões e maior autonomia energética. Para transformar essas vantagens em transporte público mais sustentável e acessível, a palavra decisiva agora é AÇÃO!
Imagem – Divulgação

















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