Localizado na cidade mineira de Brumadinho, a aproximadamente 60 km de Belo Horizonte, o Instituto Inhotim não é apenas um museu; é um vasto complexo que integra um jardim botânico espetacular com um dos mais significativos acervos de arte contemporânea do Brasil e do mundo.
Seus mais de 140 hectares de área visitável abrigam cerca de 1.862 obras de mais de 280 artistas de 43 países, exibidas tanto ao ar livre quanto em galerias espalhadas pelos jardins, interagindo com a natureza exuberante, que inclui mais de 4.300 espécies botânicas raras, vindas de todos os continentes.
E o mais interessante nessa jornada cultural é uma obra de arte em formato de um ônibus, o conhecido modelo integral O-321 da Mercedes-Benz, que estampa uma parede e destaca a importância do veículo como agente indutor da mobilidade das pessoas, numa referência que conecta o transporte, a natureza e o lado social.
De acordo com a educadora da Diretoria de Educação e Território do Museu, Isadora Godoy, a obra é de autoria dos artistas John Ahearn e Rigoberto Torres e representa a culminância do processo de imersão deles no território de Brumadinho. Ela destaca que o ônibus, enquanto meio de transporte coletivo, carrega muitas pessoas e histórias. “Nesta obra, as figuras representadas são moradores de Brumadinho que fizeram e/ou fazem parte da história do Inhotim. O painel, intitulado “Rodoviária de Brumadinho”, retrata um importante ponto de referência da cidade. Mais do que um simples terminal de ônibus, a rodoviária é reconhecida pelos moradores como um local de encontro e convivência. Até pouco tempo atrás, era ali que acontecia o tradicional forró das sextas-feiras, evento semanal que reunia muitos moradores para momentos de lazer e socialização, tendo a rodoviária como cenário”, explicou.
Ela, ainda, disse que a obra, também, preserva memórias da cidade. “Nela está registrado, por exemplo, o coreto que já ocupou o local da rodoviária e que hoje não existe mais. Assim, o ônibus da obra não apenas leva pessoas, mas também simbolicamente traz aos visitantes do Inhotim o conhecimento sobre aqueles que ocupam e constroem essa cidade, valorizando a história e as pessoas que fizeram desse território o que ele é hoje, muito antes de o Inhotim se tornar o maior museu a céu aberto da América Latina”, concluiu.


Imagens – Marco Landroni

















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