O primeiro dia mostrou uma feira com recorde de público. Para quem chegou nos horários de maior movimento, a experiência começou antes mesmo de entrar: mais de uma hora de espera para acessar o evento. Passada a porta, porém, veio a grata surpresa: uma feira bem organizada, corredores movimentados, muito networking, reencontros e novidades.
Há novos ônibus, eletrificação, componentes, equipamentos e muita tecnologia embarcada. Mas, depois de caminhar pela feira, uma coisa me chamou especialmente a atenção: talvez a principal inovação desta LAT.BUS não esteja nos ônibus. Está nos sistemas que vão gerenciá-los.
Dias antes da feira, publiquei no LinkedIn quatro das cinco previsões que havia feito para o evento. A quinta resolvi guardar até conferir pessoalmente.
Minha quinta previsão era que esta seria a LAT.BUS dos back offices. E ela se confirmou.
Durante anos, boa parte da transformação digital do transporte rodoviário aconteceu naquilo que o passageiro conseguia enxergar: sites, aplicativos, marketplaces e novos meios de pagamento. Agora, uma nova disputa começa alguns passos atrás dessa interface: a disputa pelo cérebro digital da operação.
A Praxio apresenta novidades no Luna, enquanto o Total Bus, da RJ Consultores, chega como uma solução já consolidada no mercado brasileiro. Mas novos personagens tornam esse movimento ainda mais interessante.
A Eucatur traz o Impetus ao mercado, transformando em produto uma tecnologia nascida dentro da própria operação. A estoniana Turnit desembarca com sua experiência internacional em ticketing, reservas e distribuição. E a holandesa Sqills apresenta o poderoso S3 Passenger, plataforma de inventário, reservas, vendas, distribuição e gestão comercial.
Não estamos falando apenas de trocar o sistema que vende ou emite uma passagem. Estamos falando da construção de uma nova camada de gestão para as empresas brasileiras de transporte.
Inventário centralizado, integração com marketplaces, APIs, pricing, distribuição, dados em tempo real, automação e inteligência comercial passam a fazer parte da mesma conversa. É uma infraestrutura tecnológica muito mais próxima daquela encontrada em outros segmentos do transporte e do turismo.
Isso pode — e deve — representar um novo salto tecnológico para o transporte rodoviário brasileiro.
Mas existe uma condição fundamental.
Software sozinho não transforma uma empresa.
Podemos contratar a melhor plataforma do mundo e colocar milhões de dados à disposição da operação. Sem profissionais capazes de interpretar essas informações, parametrizar sistemas e transformar dados em decisões, teremos apenas ferramentas sofisticadas sendo subutilizadas.
A escassez de mão de obra já é evidente entre motoristas, mecânicos e equipes operacionais, mas também começa a alcançar posições técnicas e gerenciais. O gestor do transporte do futuro precisará entender cada vez mais de dados, tecnologia, distribuição digital, revenue management e experiência do cliente, sem perder o conhecimento da operação.
Tecnologia e qualificação precisam avançar juntas.
Caso contrário, investir milhões em sistemas de última geração sem preparar as pessoas para utilizá-los será como colocar gasolina Podium em um carro velho: o combustível pode ser excelente, mas sozinho não transforma o desempenho do conjunto.
Talvez estejamos entrando em uma nova etapa da digitalização do transporte rodoviário brasileiro.
A primeira colocou a passagem na internet.
A segunda colocou a venda no celular.
A próxima pode colocar inteligência no centro da gestão.

















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