Para fortalecer o transporte coletivo, os investimentos são significativos

Levantamento feito pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) durante o Seminário Nacional NTU 2026, mostra a necessidade de R$ 518,4 bilhões em investimentos para 328 projetos de transporte urbano

Apesar do título deste texto, é preciso reconhecer que a falta de atenção governamental ao principal modelo de transporte coletivo e mobilidade urbana no decorrer dos anos, implicou numa guinada para baixo de toda a sua qualificação e competitividade.

Nisso, o que estamos presenciando há muito tempo traz à tona uma enorme necessidade por revitalizar o tempo perdido e a forma como o modal ônibus é tratado na sociedade. E, para que isso ocorra, o Plano CNT de Transporte e Logística 2026 destaca, somente para mobilidade urbana, 328 projetos, com investimentos estimados em R$ 518,4 bilhões, indicando, ainda, o favorecimento aos sistemas metroferroviário e aquaviário.

Em sua apresentação sobre mobilidade urbana durante o Seminário Nacional da NTU, a diretora-executiva da CNT, Fernanda Rezende, reuniu dados da Pesquisa CNT de Mobilidade Urbana, do O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País e do Plano CNT de Transporte e Logística 2026 – para apresentar o cenário atual e propostas para ampliar a eficiência dos sistemas de transporte nas cidades.

Quanto ao segmento urbano (ônibus), estão previstos 230 projetos, que somam R$ 97,6 bilhões e abrangem 2.896,4 quilômetros. Desse total, 204 projetos são de implantação de sistemas de priorização do transporte coletivo, com 2.694,2 quilômetros e investimentos estimados em R$ 86,4 bilhões. A carteira inclui os projetos de corredores de ônibus, faixas exclusivas e BRT, a adequação e construção de vias urbanas. “Se não tem uma infraestrutura de qualidade para fluir o transporte de pessoas ou de cargas, o Brasil colapsa. O setor é essencial para a economia do país e, por isso, tem que ser olhado com muita atenção em relação aos investimentos”, disse Fernanda.

A questão da preferência no deslocamento das pessoas, também, foi abordada pela engenheira, ao destacar que a Pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana ressalta que o modal teve sua participação reduzida como o meio de transporte mais utilizado nas cidades, com percentual de 30,9% em 2024 ante 45,2% dos deslocamentos em 2017. Já o carro próprio saltou de 22,2% para 29,6% no mesmo período, e utilização de serviços oferecidos por aplicativos passou de 1,0% para 11,1%, enquanto a de motocicletas próprias subiu de 5,1% para 10,9%. “Necessitamos de uma política de financiamento perene para garantir a sustentabilidade dos sistemas de transporte coletivo. Entre as propostas apresentadas pela CNT, estão linhas de financiamento específicas para ações de mobilidade urbana, revisão periódica das tarifas para garantir o equilíbrio econômico-financeiro das concessões e autorizações, manutenção da desoneração da folha de pagamento das empresas de transporte coletivo urbano e adoção de diferentes fontes de custeio”, explicou.

Fernanda Rezende, da CNT

No entendimento de Fernanda, quando o transporte coletivo é mantido somente com a tarifa paga pelo passageiro, não sustenta uma queda de demanda. “Por isso, essa modalidade precisa de incentivos para sua sustentabilidade financeira, além de linhas de financiamento específicas para compra de novos veículos. Esses financiamentos tem que ser constante, com a integração entre governo federal, governo estadual e governos municipais para que o transporte consiga receber de fato esse cuidado”, observou.

Segundo a CNT, a priorização da ampliação da infraestrutura para o transporte coletivo, com construção e adequação de vias, sistemas de priorização e soluções como monotrilho, VLT e aeromóvel, é fundamental.

Imagens – Divulgação e Revista AutoBus

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