*Emanoelle Wilges
Ao final de um dos dias da Lat.Bus 2026, percebi que havia caminhado 12 quilômetros sem sair do São Paulo Expo. O número mostrava o tamanho da feira, mas não explicava tudo o que eu havia encontrado pelo caminho.
Foram mais de 200 marcas em 45 mil metros quadrados, praticamente o dobro da edição anterior. Em três dias, mais de 30 mil pessoas passaram pelo evento, incluindo profissionais de mais de 40 nacionalidades, segundo a organização.
A Lat.Bus veio mostrar por que esse setor está aqui. Em corredores que pareciam um labirinto da mobilidade, encontrei ônibus, sistemas de bilhetagem, plataformas de gestão, aplicativos e outras tecnologias. Eram empresas brasileiras e estrangeiras, marcas tradicionais, novos negócios e organizações menores experimentando sua presença em um evento dessa dimensão.
Havia tanto para conhecer que não consegui conversar com todas as pessoas que gostaria, visitar todos os estandes ou compreender cada novidade. Ainda assim, não saí frustrada. Saí querendo mais e com vontade de voltar ainda mais preparada.
No meio desse percurso, eu ouvia: “Manu!”, “Emanoelle!”. E lá estava mais um cliente, amigo, parceiro ou conhecido. Muitos não pertenciam a empresas expositoras. Estavam ali para acompanhar o mercado, estabelecer conexões e fazer negócios.
Percebi que havia duas feiras simultâneas. Uma estava nos estandes, veículos e lançamentos. A outra acontecia nos corredores, nos encontros inesperados e nas conversas entre um compromisso e outro. Mesmo quem não estava expondo entendia que precisava estar ali.
Os fóruns paralelos reforçaram essa percepção. Dois ou três debates aconteciam ao mesmo tempo. Nos espaços que visitei, encontrei auditórios cheios e pessoas acompanhando em pé.
O público não havia ido somente para conhecer produtos. Também buscava informação e caminhos para os desafios do setor. Enquanto os estandes mostravam soluções, os fóruns discutiam financiamento, operação, tecnologia, transição energética e o futuro do transporte coletivo.
A comunicação de algumas marcas também chamou minha atenção. A Orbe levou um simulador e a BYD criou uma dinâmica com equipamento de força, transformando a passagem pelo estande em experiência.
Mas foi a Marcopolo que melhor sintetizou essa mudança. No centro da feira, encontrei um estande tão amplo que comecei a chamá-lo de “uma cidade”. Os produtos dividiam espaço com palestras, debates e uma estrutura envidraçada, semelhante a um aquário, destinada às entrevistas.
Passaram por ali veículos como a CNN e programas como o Pânico. Essa variedade refletia a diversidade do público: empresários, executivos, gestores, profissionais em busca de negócios e também os busólogos, que acompanham os avanços do transporte.

Na minha percepção, a Marcopolo fez algo disruptivo para a comunicação na mobilidade urbana: transformou seu estande em uma plataforma de conteúdo. Entrevistas e debates reuniram empresas, entidades e instituições como o BNDES para tratar de assuntos que ultrapassavam os interesses comerciais da marca.
Por trás de cada solução de bilhetagem, plataforma de gestão, aplicativo, inteligência artificial ou novo veículo, existe um trabalho contínuo. São profissionais que pesquisam, desenvolvem e testam formas de otimizar a operação, organizar as frotas, reduzir falhas e facilitar o acesso à informação.
Tudo converge para um propósito: tornar o transporte público mais confortável, ágil e seguro para quem utiliza; mais eficiente para quem opera; e mais inteligente para quem administra.
A Lat.Bus tornou esse universo visível ao reunir veículos, softwares, bilhetagem, aplicativos, dados, conectividade e gestão operacional. Soluções diferentes que fazem parte de uma construção coletiva.
Por isso, acredito que o Brasil precisa de um evento desse nível: com dimensão internacional, capaz de valorizar a indústria nacional, aproximar soluções estrangeiras, abrir espaço para empresas de diferentes portes e colocar o transporte coletivo no centro das discussões sobre as cidades.
Saí da Lat.Bus com uma impressão profundamente positiva. A feira mostrou a força de quem estuda, pesquisa, testa e aprimora a mobilidade durante todo o ano.
Talvez tenha sido isso que tornou impossível conhecer tudo em apenas três dias. A Lat.Bus não apresentou somente o que o setor levou para a feira. Ela revelou o universo por trás de cada viagem realizada diariamente em nossas cidades.
Imagens – Acervo pessoal e Revista AutoBus

*Emanoelle Wilges é especialista em comunicação e marketing B2B, atua em CX na Revista NTUrbano e é fundadora da MobiPress. Há mais de uma década, trabalha com comunicação para a mobilidade urbana















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