Os perigos ocultos do transporte clandestino

Para a FETRAM, a vida humana é muito maior do que correr riscos com o transporte coletivo irregular nas estradas

A Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais (FETRAM), destacou o debate sobre a responsabilidade coletiva nas estradas ao incluir a convivência entre motoristas, ciclistas e pedestres, em uma convivência pacífica. Porém, para a entidade, há um outro aspecto que precisa ser considerado nessa lógica – os graves perigos do transporte clandestino de passageiros.

Em seu conceito “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, ressalta-se o crescimento de ofertas irregulares de viagens. No universo do transporte coletivo sobre pneus, enquanto o sistema regular e legalizado investe rigorosamente em manutenção preventiva de frotas, monitoramento por telemetria, cumprimento estrito de jornadas de descanso para os motoristas e seguros de acidentes para os viajantes, o mercado clandestino opera à margem da lei, transformando o passageiro em um alvo vulnerável de imprudências, que em muitos casos resulta em perda de vidas.

Nesse sentido, entre os principais riscos apontados pelos especialistas em segurança viária estão a falta de vistorias mecânicas obrigatórias, o que eleva exponencialmente a probabilidade de quebras e acidentes graves no meio da estrada, além da ausência de motoristas capacitados e com controle de jornada.

Rubens Lessa Carvalho, presidente da FETRAM e da Seção I de Transporte Rodoviário de Passageiros da CNT, observou que o passageiro que opta pelo transporte clandestino economiza na tarifa, mas paga o preço mais alto possível, colocando a própria vida em risco, além de viajar com a vulnerabilidade de ficar abandonado na beira de rodovias isoladas, sem qualquer assistência. “Falar em ‘enxergar o outro’ no trânsito é um convite profundo à responsabilidade com o ser humano. Quando tratamos do transporte clandestino, esse cuidado é testado ao extremo. O passageiro que escolhe um serviço irregular muitas vezes desconhece os riscos invisíveis aos quais está se expondo. Veículos sem manutenção, motoristas exaustos e a incerteza de saber se voltará para casa em segurança ou se ficará retido no meio da estrada por uma pane mecânica. Proteger vidas exige que o poder público, as empresas e a sociedade reprimam essa prática ilegal e que o passageiro compreenda que a sua segurança não tem preço”, disse.

Para a FETRAM, é fundamental que além das multas, esses veículos sejam retidos de forma imediata, impedindo que voltem a circular e a colocar em risco a vida de passageiros e demais usuários das vias.

Imagem – Divulgação

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