Por Sued Pinheiro, Head de Operações da WeSafety
Ao contratar um ônibus para uma viagem, excursão ou evento, preço e disponibilidade costumam pesar na decisão. No entanto, é fundamental que a segurança esteja entre os critérios prioritários a serem avaliados. Escolher uma empresa regular, com profissionais capacitados e processos de prevenção estruturados ajuda a reduzir riscos antes mesmo de o veículo pegar a estrada.
O transporte clandestino mostra o que pode acontecer quando essas condições são deixadas de lado. Em agosto, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que mais de 500 veículos clandestinos já haviam sido apreendidos no Brasil, em 2026. Entre as irregularidades encontradas estavam para-brisas trincados, pneus fora dos padrões de segurança, extintores vencidos, ausência de equipamentos de emergência, seguros inválidos e motoristas sem a capacitação obrigatória.
A experiência da WeSafety, empresa do Grupo Águia Branca especializada em consultoria e gestão de segurança viária, mostra que reduzir esses riscos exige olhar para toda a operação. O comportamento do motorista, suas condições físicas e mentais, a jornada de trabalho, o estado do veículo, as características da rota e a forma como a empresa acompanha esses fatores estão relacionados à segurança da viagem.
Excesso de velocidade, distração, uso inadequado do celular, distância insegura e condução incompatível com as condições da via estão entre os comportamentos que exigem atenção. Fadiga, privação de sono e estresse também podem comprometer a atenção e o tempo de reação do condutor.

Sued Pinheiro
Os dados da Polícia Rodoviária Federal ajudam a dimensionar o problema. Em 2025, foram registrados 72.529 sinistros nas rodovias federais, com 6.043 mortes e 83.550 feridos. A ausência de reação e a reação tardia ou ineficiente do condutor permaneceram entre as principais causas dos sinistros registrados pela PRF.
A preparação do motorista não deve se limitar a treinamentos pontuais. Seleção, integração, capacitação, acompanhamento de desempenho, reciclagem e controle de fadiga precisam fazer parte da rotina. A frota também deve contar com manutenção preventiva, inspeções e acompanhamento dos itens críticos.

A segurança dos passageiros é um dever costumaz da operadora regular
A tecnologia apoia esse trabalho. Telemetria e videomonitoramento ajudam a identificar comportamentos e eventos de risco, mas os dados precisam ser analisados e transformados em ações para orientar os profissionais e corrigir problemas antes que resultem em ocorrências.
Para quem contrata um serviço de transporte, a recomendação é não escolher um serviço de transporte apenas pelo preço ou pela disponibilidade. Também é importante conhecer o histórico de acidentes e incidentes, os processos de qualificação e acompanhamento dos motoristas, o controle de jornada e fadiga, a manutenção da frota, o monitoramento dos veículos e a forma como a empresa identifica e trata os riscos das viagens.
O passageiro ainda pode adotar cuidados simples, como verificar a empresa responsável pelo transporte e sua regularidade, observar as condições do veículo e utilizar o cinto de segurança durante toda a viagem. Em caso de dúvida sobre uma operação de transporte interestadual, é possível consultar as informações e a documentação, incluindo a Licença de Viagem, no site da ANTT.
Imagens – Divulgação















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