Eletrificar o transporte público para que ele seja operado em regiões topograficamente desafiantes é considerado um aspecto que exige soluções compatíveis com as demandas, principalmente, a ambiental. Sistemas elétricos com baterias, frequentemente, atingem seus limites de eficácia operacional nos Alpes, por exemplo, sofrendo algum problema que interfere na propulsão.
No entanto, a tecnologia de células a combustível combinada com motores elétricos potentes pode ser uma alternativa sustentável, desde que os componentes do motor sejam projetados para atender aos requisitos dinâmicos específicos dos perfis de rotas alpinas.
Na Áustria, um exemplo pode ser visto pela operação com ônibus dotados de sistema de tração elétrica combinada com as células a combustível. A empresa Österreichische Postbus AG, da região da Caríntia, colocou para rodar 35 unidades do tipo MCV C127 FC LE (veículo com 12 metros e entrada baixa) equipadas com o inovador sistema de propulsão elétrica VEDS 1.0 da Driventic.
O conceito de baixa entrada usado no respectivo veículo combina a seção de piso baixo acessível na parte dianteira com uma seção traseira elevada que abriga os tanques de hidrogênio de alta pressão e as células a combustível. Essa divisão permite uma separação funcional entre o compartimento de passageiros e a unidade de fornecimento de energia, ao mesmo tempo que proporciona uma distribuição otimizada da carga sobre os eixos.
O sistema de propulsão elétrica VEDS, fabricado pela Driventic em St. Georgen, Áustria, conta com um motor HD com potência máxima de 410 kW, com um torque de até 3.100 Nm. O controle do motor é feito pelo inversor de tração VEDS 1.0 com chopper (sistema com resistores capaz de absorver o excedente de energia absorvida na frenagem em longos trechos de descida) de frenagem integrado, o que possibilita o uso de um resistor de frenagem montado no teto (quando as baterias estão 100 % carregadas, a energia gerada na frenagem é enviada a estes resistores para ser dissipada através do ar. Ele funciona como um retarder eletromagnético). Já a comunicação com o sistema de controle do veículo ocorre por meio da unidade de gerenciamento de acionamento (DMU), que está conectada ao sistema geral através de uma interface eletrônica central (CEI), que, também, serve como interface de serviço.
Segundo informações, o alto torque é importante para situações que exigem desempenho na partida e velocidade constante em trechos alpinos com inclinações superiores a 10%. Os testes de altitude bem-sucedidos realizados em um protótipo de veículo em novembro de 2025, nos Alpes Austríacos, antes do lançamento comercial, foram muito positivos.
A rota de testes, entre Kematen, Tirol – Kühtai (2.017 m acima do nível do mar) – Estação de trem Ötztal -, foi percorrida várias vezes em ambas as direções, incluindo subidas com fases de alta carga prolongadas e descidas com fases de frenagem regenerativa acentuadas. “Estamos muito satisfeitos que nosso cliente de longa data, Österreichische Postbus AG, esteja agora utilizando nossos sistemas de propulsão elétrica pela primeira vez nos ônibus MCV. Temos orgulho de contar com uma contribuição austríaca tão significativa no valor gerado pela tecnologia utilizada, sendo que isso reforça nosso compromisso em impulsionar a descarbonização do transporte de forma sustentável”, declarou Alfred Gmeiner-Ghali, chefe de Vendas e Serviço da Driventic Áustria.
A operadora citada é uma cliente tradicional que já utiliza, há décadas e com muito sucesso, as transmissões automáticas Diwa da Driventic, também, baseado em desenvolvimento de aplicação considerando as condições especificas daquela região.
Imagem – Divulgação















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