Como a insegurança jurídica e contratual prejudica a renovação da frota

Em Curitiba, o processo de compra de novos ônibus para o sistema de transporte coletivo local está paralisado e gerando críticas

O Setransp, entidade que representa as empresas de ônibus urbanos de Curitiba, PR, veio a público se manifestar na defesa pela necessidade da renovação da frota responsável pela mobilidade coletivas dos curitibanos. Segundo o sindicato, diante de reportagens e questionamentos públicos sobre o envelhecimento da frota do transporte coletivo de Curitiba, é importante esclarecer que não corresponde aos fatos atribuir às empresas operadoras falta de interesse em renovar os ônibus.

Eraldo Constanski, consultor técnico do Setransp, disse que frota de Curitiba conta com 1.445 ônibus, sendo que 680 unidades estão com suas idades limite vencidas, com mais de 10 anos de operação. “Há anos, as empresas manifestam formalmente à Urbs a disposição de investir na substituição dos veículos e na modernização da frota. Também, dos 164 ônibus biarticulados que temos, 100 já ultrapassaram a idade máxima de operação”, ressaltou.

De acordo com o Setransp, desde 2018, mais de 30 ofícios foram encaminhados à Urbs solicitando ou tratando da renovação da frota, com documentos que demonstram que a preocupação das operadoras com a idade dos veículos não é recente e antecede em anos o atual processo de licitação do transporte coletivo. “Não podemos realizar esse processo de renovação sem a autorização da Urbs. Estamos sendo criticados por não querer renovar a frota. Isso é equivoco, pois nosso grande interesse é, sim, ter ônibus novos que proporcionem os melhores serviços”, afirmou Constanski.

Eraldo Constanski, consultor técnico do Setransp

A entidade reforça que o envelhecimento dos veículos compromete a confiabilidade da operação e aumenta a exposição a falhas e indisponibilidades, pois quando um ônibus apresenta problemas durante a operação, o principal prejudicado é o passageiro. Além disso, a renovação da frota permitiria ainda colocar em circulação veículos mais modernos, eficientes, menos poluentes e mais confortáveis.

Para o Setransp, a proximidade da nova licitação não pode ser utilizada para apagar esse histórico, sendo que a situação atual da frota, portanto, não pode ser apresentada como resultado do desinteresse das operadoras em investir. Por meio de um comunicado, o sindicato destaca que o passageiro não pode ser penalizado pela falta de autorização do poder público para a substituição de veículos que precisam ser renovados. Tampouco se pode ignorar esse histórico e transmitir à sociedade a ideia de que somente uma nova licitação possibilitará a modernização do transporte coletivo.

Imagens – Divulgação

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