Poucas situações são tão críticas para o transporte rodoviário de passageiros quanto um incêndio a bordo do ônibus. Nos últimos anos aconteceram diferentes ocorrências envolvendo os modelos rodoviários e urbanos que se incendiaram durante a operação. Embora cada caso tenha suas próprias circunstâncias e causas, os episódios reforçam a necessidade de tratar a prevenção como um dos elementos prioritários da engenharia e da operação dos veículos.
Na Lat.Bus 2026, um estande de pequeno porte, mas que enfatizou uma tecnologia de enorme importância, expôs um recurso, relativamente simples e capaz de extinguir uma situação que pode por em risco a vida das pessoas. Durante a feira, a Fogmaker International AB destacou seus sistemas de supressão de incêndio com névoa de água de alta pressão para compartimentos de motores.
A empresa, com mais de 30 anos de mercado, surgiu na Suécia e já forneceu mais de 400 mil sistemas no mercado mundial, atendendo à um variado segmento de veículos comerciais com a sua tecnologia.
Se em países de primeiro mundo há normativas quanto à segurança veicular, exigindo que ferramentas sejam adotadas para diversas situações, como incêndio no compartimento do motor, por aqui esse aspecto, ainda, não é observado e nem utilizado. E a técnica para isso não é nem um bicho de sete cabeças.
Samuel Caparrotti, diretor da Fogmaker Brasil, explicou que o sistema é composto por um cilindro que armazena fluido à base de água sob pressão para ser pulverizada assim que o princípio de incêndio é detectado no compartimento do motor. “Nosso sistema tem o reservatório do fluído, normalmente pressurizada a 105 bar, válvula de segurança e uma linha de ignição, instalada próxima a áreas com maior propensão de fogo, e que quando é derretida aciona a válvula e libera o fluído pela tubulação, liberando uma névoa que preenche o compartimento. Ao expulsar o oxigênio, há o corte do fogo. Outra observação importante é que o sistema continua pulverizando a névoa por 40 a 50 segundos para abaixar a temperatura do compartimento evitando uma reignição”, explicou.

O sistema de supressão de incêndio é simples e pode ter um excelente resultado
Além disso, segundo Caparrotti, há um composto químico incluso na água no fluido capaz de gerar uma espuma para proteger os componentes com uma camada isolante assim que o sistema é disparado. “Ele, também, não deixa o combustível entrar em contato com os componentes que, ainda, podem estar quentes”, informou.
Para ônibus elétrico, com apenas um cilindro de supressão Fogmaker é possível obter até dois minutos de supressão contínua no compartimento das baterias. Se houver a adição de uma segunda unidade, há uma ampliação desse período para quatro minutos, um tempo precioso para que os passageiros possam evacuar o veículo antes que a situação saia de controle, considera a empresa.
A escolha pelo reservatório do fluído dependerá em função do tamanho do motor e de seu compartimento. Contudo, é possível acoplar nessa área cilindros maiores com capacidade de até 11,5 litros de fluido. “Já fornecemos nosso sistema com um tanque de 7,5 litros instalado em ônibus que foram exportados”, sintetizou Caparrotti.

Quanto a mercado nacional, o executivo mostra otimismo sobre negócios futuros e uma mudança de conceito junto aos operadores para a proteção de seus passageiros e do ativo operacional. “Estamos nos apresentando ao setor de ônibus, destacando que a tecnologia traz resultados positivos e gera uma segurança extra, inclusive com a vantagem de reduzir os valores dos seguros dos veículos. Os benefícios são significativos, com um valor baixíssimo investido, em torno de 1% do preço do ônibus, e pela manutenção simples, onde uma inspeção anual é o suficiente para verificar seu funcionamento. Já a troca do fluído se dá em cinco anos”, explicou.
E, não é somente os ônibus novos que podem usar a tecnologia. Os veículos mais antigos, também, podem receber, passando por um processo de instalação que demanda um tempo de até um dia e meio.
Caparrotti disse que já vem mantendo contato com todos os fabricantes de ônibus do Brasil, mostrando as vantagens da tecnologia e como ela pode proporcionar segurança. “Nossa maior preocupação é preservar as vidas de quem está utilizando os ônibus e, claro, do próprio veículo. Recebemos na Lat.Bus muitas visitas de interessados em conhecer nosso produto. O supressor é um divisor de águas quanto a disponibilizar segurança nas operações”, concluiu.
Imagens – Divulgação e Revista AutoBus

















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