*André Heidrich Rodeghiero
Neste 19 de outubro, Dia Nacional da Inovação, vale lembrar que a mobilidade está na origem dessa celebração. A data homenageia o feito de Santos Dumont, que, em 1901, contornou a Torre Eiffel com o dirigível nº 6. Seguimos diante do desafio de transformar conhecimento, curiosidade e coragem em novas maneiras de conectar pessoas.
Nesta coluna, a inovação aparece em diferentes momentos da mesma viagem. Está na escolha da passagem, no embarque, no ambiente da cabine e na gestão que sustenta a operação. Esse olhar sobre a experiência completa guia a coluna Próxima Parada na revista AutoBus.
Nos trens chineses, observamos como infraestrutura, informação e tecnologia podem trabalhar juntas para facilitar o embarque. Dentro deles, conforto, privacidade e organização dos espaços provocaram outra reflexão: quanto da experiência que admiramos em outros modais poderia inspirar os nossos ônibus?
Essa discussão passa pelas cabines, pelas poltronas individuais e por novas configurações internas. Ao resgatar o Golden Dolphin, aproximamos uma visão de futuro dos anos 1950 das possibilidades atuais do transporte rodoviário. Repensar o espaço a bordo significa reconhecer que passageiros têm necessidades diferentes e que conforto também pode ser uma estratégia de diferenciação e receita.
A viagem, porém, começa antes de entrar no veículo. Totens de autoatendimento, venda online e compra pelo WhatsApp fazem parte dessa transformação. Permitem que o passageiro encontre opções, pague e receba sua passagem com facilidade. Quando cada canal exige recomeçar o atendimento, perdemos justamente a simplicidade que a digitalização deveria oferecer.
Discutimos as barreiras enfrentadas por estrangeiros e a importância de um atendimento acessível. Um processo precisa funcionar para quem não tem CPF, não domina o idioma ou prefere conversar com uma pessoa. A tecnologia deve ampliar escolhas e permitir que diferentes públicos viajem com autonomia, mantendo o apoio humano disponível.
Nos bastidores, os sistemas ganharam protagonismo. A Lat.Bus trouxe à conversa integração, distribuição, dados e inteligência comercial. Antecipar demanda, ajustar a oferta e planejar viagens extras exige transformar informação em decisão. O resultado precisa chegar à operação e ao passageiro: melhor aproveitamento dos veículos, comunicação clara e serviços mais confiáveis.
Nosso percurso também passou pelas pinturas que tornam marcas reconhecíveis, pelos programas de fidelidade e pelas possibilidades da direção autônoma. Temas distintos, unidos por uma pergunta: que problema estamos resolvendo e que valor estamos criando? Essa pergunta ajuda a escolher prioridades e a separar uma novidade interessante de uma melhoria que merece investimento.
Buscar essas referências em outros países e continentes faz parte da minha maneira de trabalhar. Da Ásia à Europa, e nas experiências dos nossos vizinhos latino-americanos, procuro observar soluções, entender contextos e identificar oportunidades para o Brasil e a América Latina. Adaptar exige considerar nossa regulação, infraestrutura, cultura e realidade econômica.
Neste Dia Nacional da Inovação, o convite é transformar observação em iniciativa. Ouvir os nossos passageiros e equipes, testar em pequena escala, medir resultados e aperfeiçoar o que funciona. O próximo avanço pode surgir de uma grande tecnologia ou de uma dificuldade cotidiana que finalmente decidimos resolver. Qual será a próxima parada da sua empresa?

*André Heidrich Rodeghiero é diretor da Vulcano Mobility e atua no desenvolvimento de projetos de inovação, tecnologia e novos negócios para o transporte de passageiros. Viajante por natureza, já conheceu cerca de 60 países e viveu no exterior por quase uma década. De volta ao Brasil, busca aplicar ao setor de mobilidade toda essa bagagem multicultural, somada à sua experiência profissional e a diversas certificações nacionais e internacionais em inovação e transporte
Imagens – Acervo pessoal

















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