*Rodnei Quinello
A operadora que, ainda, faz qualquer ação na parte ambiental pensando somente na burocracia que temos de cumprir está perdendo uma ótima oportunidade de economizar em sua frota. Dentro da gestão dela, poucos indicadores são tão negligenciados quanto a opacidade da fumaça em motores a diesel.
Tratada por muitos como uma exigência burocrática, ela é, na prática, um dos sinais mais claros de falha operacional e desperdício financeiro. Sim, muitas empresas só fazem alguma gestão ambiental quando se vê diante de uma obrigação contratual ou governamental, somente por obrigação. Porém, isso não pode ser encarado dessa maneira.
No caso do teste de opacidade, que é algo importante para a frota e o meio ambiente, muitas empresas e gestores de frota não levam tão a sério, mesmo quando o fazem. Essa postura reativa traz consequências diretas, como os veículos operando fora do padrão ideal; aumento no consumo de combustível; desgaste prematuro de componentes; e risco elevado de autuações.
A fumaça excessiva não surge de forma isolada. Ela é, na maioria dos casos, o reflexo de um conjunto de falhas acumuladas ao longo do tempo.
Opacidade como indicador técnico
A emissão de fumaça preta está diretamente relacionada à qualidade em que o motor a diesel se encontra. Quando há uma queima incompleta, o resultado é o aumento da opacidade. Entre as principais causas técnicas, destacam-se o sistema de injeção desregulado; filtros de ar saturados; baixa eficiência na admissão de ar; falhas na manutenção preventiva; e uso inadequado do veículo na operação.
Custo operacional
O reflexo direto entre opacidade e custo pode ser visto no maior consumo de combustível; aumento na frequência de manutenção; redução da vida útil de componentes; e perda de desempenho operacional.
A fumaça visível no escapamento muitas vezes representa custos invisíveis dentro da operação, como combustível desperdiçado, desgaste acelerado e perda de eficiência. Empresas que ignoram esse indicador acabam absorvendo prejuízos contínuos, muitas vezes sem identificar sua origem real.

Responsabilidade e risco jurídico
A emissão fora dos padrões estabelecidos pode trazer implicações legais relevantes. Sendo assim, a empresa pode estar sujeita a autuações por órgãos ambientais; penalidades contratuais; restrições operacionais; e danos à imagem institucional. Sem contar que estamos vivendo um momento, isso falando de transporte, com as práticas ESG batendo em nossa porta.
Nesse contexto, volto a salientar que muitas empresas nem sabem do que se está falando, quando, possivelmente, pode se tornar lei e todas elas no segmento de transporte tendo que aderir ao ESG (Governança, Gestão Ambiental e Social).
O controle de opacidade em termos de operação não é fácil para ser realizado em uma frota numerosa, mas com vontade e esforços dos departamentos envolvidos e pessoas comprometidas, pode ser facilitado.
O verdadeiro diferencial e a Cultura operacional
O mais difícil é furar a bolha da ignorância de muitos gestores e donos de empresa quando vêm o teste de opacidade um inimigo. Em minha visão, ele é um aliado, pois permite alcançar uma referência em gráfico de como está a saúde dos nossos motores, sendo que nada que muitas vezes uma troca de filtro não resolva. Isso nos gera muito mais do que imaginamos em matéria de custo, pois evitamos ou identificamos um problema precocemente.
Assim, o teste de opacidade deve ser incorporado como parte do processo de manutenção preventiva, e não como uma ação pontual. A integração entre operação, manutenção e gestão é o que garante resultados consistentes ao longo do tempo.
Controle que gera resultado, conclusão
O teste de opacidade nada mais é que identificar na saída do escapamento a dita fumaça preta, que são particulados gerados pelo motor de combustão a diesel, que, quando lançados na atmosfera, impacta negativamente a saúde pública.
Dessa maneira, o teste consiste em introduzir um sensor no escapamento, que realiza uma leitura e gera o resultado. Isso é possível após alguns processos de verificação, como altitude referente ao mar, e o valor máximo da opacidade que é determinado pelo fabricante do motor. Dentro deste parâmetro, o aparelho faz a leitura e gera o índice.
A partir do índice gerado, conseguimos ter uma visão de como está a saúde do motor. Estando ele fora da normalidade, partimos para a oficina e fazemos algumas análises e testes em alguns periféricos até encontrar a causa.
Com isso, todos nós ganhamos: ar mais limpo, uma frota mais eficiente, menor custo operacional. No fim, a lógica é simples: ignorar esse controle é aceitar prejuízo contínuo. Empresas organizadas não reagem à fiscalização, elas se antecipam aos problemas.
Este artigo foi elaborado com base em dados técnicos e relatos de quem vive o transporte em toda sua esfera.
Imagens – Acervo pessoal

*Rodnei Quinello, administrador, bacharel em Direito e pós-graduado em Logística Empresarial. É criador do canal Vida de Frota (YouTube), dedicado à análise estratégica do transporte rodoviário













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