A importância da presença delas no transporte

Em evento realizado na capital federal, Brasília, a liderança, qualificação e equidade de oportunidades foram temas abordados para que as mulheres estejam mais presentes no setor

Aconteceu, há poucos dias, a segunda edição do evento Mulheres no Transporte, pelo Sistema Transporte, em Brasília (DF), iniciativa que reuniu dirigentes da CNT, do SEST SENAT e do ITL, além de especialistas em painéis temáticos voltados aos desafios enfrentados pelas mulheres no setor de transporte, com foco na promoção de ambientes inclusivos.

Além disso, houve o destaque à outros temas, como a valorização das trajetórias femininas e o incentivo ao networking entre as participantes, fortalecendo conexões profissionais e ampliando a visibilidade de mulheres em funções técnicas, operacionais e de liderança.

A programação contou com a participação de diversas presenças femininas que estão, diretamente, ligadas ao mundo do transporte, efetivadas em cargos de liderança, gestão e operação. Fernanda Rezende, diretora da CNT (Confederação Nacional do Transporte) apresentou dados sobre a evolução da participação feminina no setor, sendo que atualmente, 18% das trabalhadoras têm ensino superior completo, índice que chega a 37,4% entre mulheres com menos de 30 anos. “É fundamental que as mulheres persistam diante dos desafios e que os homens atuem como aliados nesse processo”, disse.

Fernanda Rezende

Outrossim, outros representantes do Sistema Transporte destacaram que o fortalecimento da presença feminina é estratégico para o desenvolvimento do setor, tendo uma avaliação que ressalta uma atuação conjunta de empresas, entidades, trabalhadores e poder público para que a transformação aconteça.

Carina Silva

Pelo lado da operação, três representantes de empresas de ônibus estiveram em Brasília para acompanhar o evento. Carina Silva, diretora da empresa gaúcha, Turis Silva, comentou que as trajetórias compartilhadas reforçam o quanto o setor já avançou na ampliação da participação feminina e a sua importância no contexto. “Eventos como esse são importantes justamente por ampliarem a consciência sobre essa evolução, mas também por evidenciarem que a continuidade desse avanço depende de ações concretas: ambientes mais preparados, cultura organizacional consistente, lideranças comprometidas e oportunidades reais para atrair, desenvolver e reter mulheres no transporte”, destacou ela.

Já Letícia Pineschi, diretora da Abrati, entidade que reúne operadoras regulares do transporte interestadual de passageiros, lembrou que encontrar lideranças femininas tão inspiradoras e competentes promove a inspiração a continuar trabalhando com coragem de quebrar paradigmas e influências novas gerações.

Letícia Pineschi

Especificamente na área do transporte de passageiros, a presença delas tem sido visto como uma grande oportunidade para que possam estar no mercado de trabalho em funções antes consideradas masculinas, como a condução dos ônibus e em setores de mecânica, por exemplo, e em nível de gestão.

Luana Fleck, diretora da conhecida empresa Viação Ouro e Prata, destacou que mulher que apoia mulher não é clichê, é o que muda o jogo. Para ela, que participou do evento no painel sobre ambientes seguros para mulheres no transporte, mulheres de diferentes empresas, modais e trajetórias, sentadas juntas, falando abertamente sobre desafios que muitas vezes carregam sozinhas, tem um poder muito grande de transformação. “A idealizadora do evento, Eliana Costa, diretora adjunta do ITL, resumiu bem ao destacar que a diversidade fortalece as organizações e gera melhores resultados. Precisamos unir forças para transformar nossas empresas e o País. Concordo completamente. E acrescento: quando uma de nós sobe, ela tem a responsabilidade de estender a mão”, disse a executiva.

Luana Fleck em sua apresentação no painel

Ela, ainda, comentou que que eventos como esse são sementes e trazem muitos frutos para todas as mulheres. “Destaco, também, a palestra de Rachel Maia, fundadora e CEO da RM Cia 360, que construiu uma carreira em empresas como Tiffany & Co. e Pandora. Como CEO e mulher negra, ela representou, até 2020, apenas 0,04% das posições de CEO em multinacionais no Brasil, um número que diz mais sobre as barreiras sistêmicas do que sobre qualquer limitação individual. Sua palestra conectou liderança, empoderamento feminino, sustentabilidade, impacto social e carreira”, afirmou Luana.

A executiva da Ouro e Prata disse que o encontro destacou a valorização das trajetórias femininas e o incentivo ao networking entre mulheres, fortalecendo conexões profissionais e ampliando a visibilidade de mulheres em funções técnicas, operacionais e de liderança. “Isso é transformação real. Não acontece em um único dia, mas começa com ele. Saí de Brasília com a agenda cheia de novos contatos e a certeza renovada: o transporte brasileiro precisa de mais mulheres e as que já estão aqui, têm a responsabilidade de tornar esse caminho mais possível para quem vem depois”, adiantou.

No final do Mulheres do Transporte, houve o lançamento do livro Liderar com um novo tom: Mulheres que transformam, do qual a diretora adjunta do ITL, Eliana Costa, é coautora. A obra reúne 21 histórias que evidenciam a pluralidade da liderança feminina contemporânea, caracterizada pela autenticidade e por diferentes estilos de condução. Segundo ela, a iniciativa amplia o debate sobre igualdade de oportunidades no mercado de trabalho. “O nosso setor não pode se furtar a essa responsabilidade de tratar temas tão importantes para a sociedade”, disse.

Para a organização do evento, as trajetórias destacadas ressaltam atributos como coerência, escuta ativa e a capacidade de adaptação na tomada de decisões, aspectos considerados essenciais para a liderança no contexto atual.

Imagens – Divulgação

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