Por Osvaldo Born, estudioso do setor de transportes e articulista da Revista AutoBus
Os desafios climáticos trouxeram à tona novas discussões acerca da incorporação do ar-condicionado nas frotas de ônibus urbanos por todo o País. A situação atual não é mais “se”, mas “quando” faro parte definitivamente da rotina do transporte coletivo nas cidades brasileiras. Os novos editais de licitação que vêm sendo redigidos em diversas regiões, onde os contratos de concessão atuais já vêm findando, trazem como necessidade e preveem o custo do investimento do equipamento e sua manutenção dentro das planilhas financeiras.
Mas, ainda restam discussões sobre o uso do equipamento quanto à sua operação, manutenção especializada e, sobretudo, os benefícios esperados para os passageiros. No setor rodoviário o equipamento, antes restrito aos ônibus do serviço leito, foi incorporado às frotas de linhas regulares, turismo e fretamento no começo da década de 1990 e, exceto para os saudosistas que têm viva a memória afetiva de abrir a janela e sentir a brisa esvoaçando os cabelos, a questão sobre a presença do ar-condicionado é ponto pacífico, não se discute mais.
No setor urbano, o equipamento começou a equipar as frotas de modo mais massivo no fim da mesma década mencionada acima, especialmente em grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo. Hoje, a capital paulista, por exemplo, dispõe de praticamente toda a frota com ar-condicionado, contando com o pesado subsídio na tarifa cobrindo os custos do mesmo.
Em outras regiões do mundo, como no continente europeu, o equipamento faz parte dos veículos de forma natural há décadas, inclusive contribuindo para a reflexão que aqui trazemos, pois são muitos países que, no inverno, têm temperaturas negativas. Boa parte do preconceito ao equipamento, especialmente nos estados da região Sul do Brasil, é que ar-condicionado não seria equipamento necessário no período do rigoroso inverno desta área do País.

Aspectos do aparelho e módulo que são instalados nas carroçarias
Mas, esta visão do equipamento está incorretamente associada ao fato dele ser considerado imprescindível apenas nos meses de calor, até porque em boa parte do Brasil as temperaturas podem alcançar os 40 graus. Por aqui, a discussão do uso do equipamento em locais públicos como restaurantes, escolas e casas sempre está ligado à diminuição da temperatura para níveis “aceitáveis” dentro de ambientes fechados, diante do fato da maior parte do território nacional estar em áreas de altas temperaturas e com maior adensamento populacional, como nas regiões litorâneas.
Contudo, esta mesma lógica vale, também, para a manutenção de temperatura nos meses frios e, sobretudo, dentro de coletivos em qualquer época do ano, mantendo a temperatura corporal em níveis confortáveis no ambiente de um ônibus urbano.
Quem já leu algum dos artigos anteriores deste que lhe escreve sobre mobilidade, ou acompanhou diálogos que conduzi sobre a temática, sabe quanto sou cauteloso sobre a correta incorporação do equipamento nos sistemas de transporte coletivo e que, sobretudo, deve ter sua previsão orçamentária na planilha de custos previamente delineado no contrato de concessão oriundo do processo licitatório.
Desde 2024, a cidade de Curitiba, por exemplo, renovou boa parte da frota com mais de 200 veículos pesados, trazendo algumas comodidades que ainda eram raras na frota municipal como os carregadores USB e estofamento das poltronas, sendo este último item presente desde 2011 em parte da frota, mas não obrigatório no Manual de Especificação de Frota, regulamentação definida pela URBS – Urbanização de Curitiba S. A., empresa responsável pela gestão do transporte municipal na capital paranaense. Uma crítica persistente sobre essa aquisição foi o fato de os veículos não disporem, como padrão, do equipamento de ar-condicionado. Deste lote citado acima, apenas, os seis veículos elétricos vieram de fábrica com o sistema de refrigeração.

Na região metropolitana de Curitiba, a tecnologia ACA já é utilizada com sucesso no transporte coletivo
O motivo desta “ausência” exigia algo que a maioria dos comentaristas críticos modernos não faz: a leitura do contexto, buscando a análise das referências em termos de documentos, como o edital e contrato atual da operação que não previa o equipamento e que, inclusive, está no final do período de vigência. Seria uma irresponsabilidade do órgão gerenciador exigir o equipamento inflando a planilha tarifária e correndo o risco de questionamento pelos consórcios sobre a remuneração integral do equipamento em fim de contrato, após o novo processo licitatório.
E por outro lado, o que tem se visto no Brasil a fora é o equipamento de ar-condicionado sendo destaque na divulgação de aquisições e renovações de frota, sendo que o veículo em si continua um modelo muito básico. A melhora da frota não pode prescindir de uma escolha que ofereça ao passageiro a melhor qualidade possível para os veículos, sendo a refrigeração parceira de outros itens e configurações imprescindíveis para tornar mais atrativo o transporte coletivo à sociedade.
Um exemplo é a frota municipal de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, onde o ar-condicionado vem associado à transmissão automática e outros itens de conforto e comodidade ao passageiro.
Um movimento importante no sentido de universalizar o ar-condicionado na frota urbana de ônibus no Brasil vem pelos programas de financiamento de aquisições de ônibus, como o Refrota do Governo Federal, que passou a exigir qualificações mínimas para os veículos, incluindo a obrigatoriedade do sistema de refrigeração e itens que aumentam a qualidade dos ônibus como um todo.
E o mercado vem diversificando a oferta nesse sentido, com novas opções como o ar-condicionado elétrico que apresenta avanços significativos em relação ao modelo tradicional, sobretudo nas questões de disponibilidade do veículo equipado com ele e a diminuição dos custos e simplificação dos processos de manutenção do equipamento.
Avanço Planejado
Como tudo no setor de transporte coletivo na cidade de Curitiba (PR) – planejado minuciosamente desde sua reorganização, como um sistema único a partir de 1974, chegou agora a hora de um passo adicional para melhorar o perfil da frota, com a incorporação de itens para conforto e comodidade do usuário, como o equipamento de ar-condicionado. E havendo a previsão disso no texto do novo edital de licitação que será lançado em breve, agora a renovação da frota municipal da capital do estado do Paraná contará com ônibus com esse recurso de comodidade, inclusive nos veículos diesel que continuarão compondo parte da frota junto com os novos elétricos.
Neste sentido, antecipando-se à nova configuração para os veículos da frota municipal de Curitiba (PR), já há movimentação do setor produtivo preparando seus produtos para as rígidas normas do sistema de transporte da cidade. A encarroçadora Mascarello, por exemplo, apresentou recentemente um urbano GranVia equipado com ar-condicionado da marca ACA que rodou em testes operacionais no período de fevereiro a abril deste ano, na linha alimentadora Gramados operado pela Viação Cidade Sorriso (Sorriso de Curitiba). A empresa, que faz parte do Consórcio Pioneiro, opera um dos lotes que atende a região sul da cidade, a mais populosa da capital paranaense e que tem exigências operacionais bastante significativas quanto à disponibilidade da frota.

Ar-condicionado elétrico equipando veículo do transporte municipal de Curitiba (PR)
A ACA – Indústria e Comércio de Ar-Condicionado Automotivo Ltda -, empresa paranaense com sede em São José dos Pinhais (PR), região metropolitana de Curitiba (PR), ofereceu a solução técnica de ar-condicionado modular de acionamento elétrico, modelo ACA PC 2800 RV BUS para testes, obtendo o Atestado de Capacidade Técnica da URBS no começo do mês de maio, estando então (mantendo os requisitos a serem exigidos no Manual de Especificações da Frota) apta a fornecer seu equipamento para atender a nova especificação de ônibus com esse equipamento no sistema.

Veículo operando linha regular na cidade de Curitiba, cujos testes do equipamento elétrico foram aprovados pela URBS
O modelo usado no veículo de testes avaliado conta com capacidade individual de refrigeração de 11.952 BTU/h, tendo sido instalado num veículo do tipo comum, de 12,20 metros, em configuração de cinco módulos com capacidade total de 59.760 BTU/h. Segundo o Atestado da URBS, tendo alcançado as especificações técnicas exigidas, o modelo está autorizado para aplicação imediata em outros tipos/categorias, com a devida reconfiguração, quando necessário, da quantidade de módulos do equipamento para a adequada manutenção da temperatura em níveis de conforto térmico aos passageiros.
Alternativa inteligente e eficaz
O ar-condicionado elétrico pretende oferecer uma opção aos modelos tradicionais cujos problemas são o aumento de cerca de 33% no consumo de combustível, maior desgaste do motor e periféricos, por exemplo, além de exigir mão de obra especializada em sua manutenção. O modelo elétrico do equipamento é uma alternativa mais inteligente para a operação, pois evita a necessidade de retirada imediata do veículo de circulação devido a pane do equipamento, sendo que haja alguma interrupção em um dos módulos, os demais continuam mantendo a refrigeração, podendo o veículo seguir para manutenção após o atendimento ao serviço regular.
Além disso, o veículo pode ter o módulo trocado (back-up) em menos de 30 minutos, retornar novamente à operação em menor tempo. Os prejuízos dos modelos tradicionais de ar-condicionado são, também, no meio ambiente com aumento de até 25% na emissão de CO² na atmosfera. Em contraposição, os modelos elétricos de ar-condicionado oferecem maior comodidade aos usuários sem danos ambientais de sua operação.

Testes do equipamento de ar-condicionado elétrico
Os modelos da ACA contam com condensador e evaporador em cobre, reduzindo o desgaste e aumentando a durabilidade do equipamento, ao mesmo tempo com baixo consumo de bateria. Além disso, o compressor não depende da rotação do motor, entregando resultados constantes ao longo dos trajetos, independente de características específicas de relevo e inclinação das vias. E tudo isso acontece de forma silenciosa, uma das características do equipamento da marca.
Universalização
Visando atender especificações de outras regiões e apresentar seu produto a empresários e gestores públicos interessados em conhecer o ar-condicionado elétrico em todo o país, a ACA iniciou testes visando promover a documentação técnica necessária para atender os requisitos de cada necessidade de operação.
Neste sentido, a empresa solicitou avaliação da empresa LTL Serviços com sede em Guarulhos, para um veículo de chassi Volkswagen equipado com seu equipamento. O ônibus foi submetido a ensaios de monitoramento térmico, conforme critérios determinados pela SPTrans, atingindo resultados satisfatórios, sendo, portanto, considerado aprovado para os processos. Os testes, realizados no mês de abril, envolveram a avaliação da distribuição do ar ao longo do salão de passageiros e ensaio de desempenho do sistema como um todo.
Estes dados reforçam a eficiência e capacidade técnica da ACA, empresa que há 25 anos fornece sistemas e equipamentos de refrigeração de veículos para o mercado.

Equipamento ACA instalado em um veículo da Viação Piracicabana
Além da aprovação técnica a partir dos testes em Curitiba (PR), o ar-condicionado da ACA já está presente nas duas empresas que operam o transporte municipal em São José dos Pinhais, uma das maiores cidades na região metropolitana de Curitiba e na Viação Piracicabana, operando na cidade de Santos (SP).

O sistema inovador incorporado em veículos para o transporte escolar
Diversos veículos do Programa Caminhos da Escola do Governo Federal, também, foram entregues com o modelo de ar-condicionado da marca.
Caso queira conhecer os produtos da ACA consulte o site www.aca.ind.br, o Instagram @acaarcondicionado ou entre em contato pelos telefones (41) 3098-8685 e (41) 998103150 (WhatsApp).
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