A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), participou da audiência pública promovida pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal para discutir a regulamentação do trabalho por aplicativos no Brasil. De acordo com a entidade que reúne empresas do setor regulado do transporte interestadual de passageiros, o debate reuniu representantes de trabalhadores, especialistas, órgãos públicos, entidades empresariais e organizações da sociedade civil para discutir diretrizes voltadas à proteção dos trabalhadores e dos usuários dos serviços de transporte.
A diretora-geral da Abrati, Letícia Pineschi, defendeu que a regulamentação preserve a isonomia entre todos os agentes que atuam no transporte de passageiros, assegurando os mesmos direitos, deveres e responsabilidades para empresas operadoras e aplicativos que conectam passageiros e condutores. “O que trago ao debate é objetivo: que a regulação do trabalho por aplicativos no transporte não crie dois pesos e duas medidas. Que os condutores tenham nos aplicativos e plataformas um lugar seguro, e não de risco e desamparo laboral, e que empresas regulares e plataformas digitais estejam submetidas às mesmas obrigações”, ressaltou.
A executiva, ainda, lembrou que o transporte rodoviário é um serviço público essencial, submetido a regras que garantem segurança, continuidade da operação, atendem gratuidades previstas em lei, são fiscalizadas e cobrem linhas socialmente relevantes. Letícia alertou para os riscos da atuação de plataformas que operam à margem da regulamentação, sem assumir as mesmas responsabilidades impostas às empresas autorizadas. “A plataforma não é apenas uma intermediadora tecnológica quando atua no transporte de pessoas. Não é apenas ferramenta. Toda tecnologia incorpora, em seu próprio design, escolhas de valor, relações de poder e visões de mundo e como tal, deve responder por suas consequências, ter responsabilidades”, observou.

A maioria dos participantes da mesa concorda que é necessária uma regulamentação que assegure condições dignas de trabalho aos motoristas, evitando relações laborais precárias e garantindo segurança tanto para os profissionais quanto para os passageiros. “Inovação e tecnologia são bem-vindas, desde que estejam inseridas dentro do marco legal do transporte de passageiros. O que está em jogo é definir se a inovação tecnológica vai ocorrer dentro da lei ou à margem dela”, concluiu Letícia.
Imagens – Reprodução
















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