O Brasil tem um papel de importância mundial no quesito desenvolvimento e produção de ônibus, com o potencial de atender à diversos mercados localizados nos mais variados países. Daqui, além dos veículos que podem ser produzidos com qualquer tecnologia de propulsão, configuração e acabamento, saem iniciativas que visam ser aplicadas nas operações, almejando o melhor transporte com conceitos que redefinem o modelo de mobilidade das pessoas.
Durante a coletiva de imprensa na abertura da Lat.Bus 2026, um fato chamou a atenção. Em sua apresentação, o presidente da Fabus, entidade que congrega os principais fabricantes de carroçarias para ônibus do Brasil, ressaltou o atual momento da indústria nacional, como um todo, dizendo que há um processo de desindustrialização silenciosa ao permitir a vinda de muitos produtos de fora, interferindo diretamente na economia brasileira e na vida das pessoas. “O que estamos vendo preocupa demais, com o desfavorecimento da indústria brasileira, que se encontra numa situação delicada ao ver seu desmantelamento, tendo, ainda, que enfrentar a alta carga tributária. Trata-se de uma competição injusta entre a produção local e a que vem de fora, que chega com subsídio governamental, sendo até 40% mais barata. Além disso, aqui ocorre o desemprego muito forte de um setor que emprega uma mão de obra qualificada. Outro detalhe é que o Governo Federal não incentiva a melhoria desse setor, que pode produzir de tudo, mas que sofre pelas políticas equivocadas do poder público. Ainda não consigo enxergar o que será do futuro com esses movimentos do Governo”, explicou o executivo.
Quanto ao transporte coletivo e o ônibus, Bisi destacou que a produção atingiu mais de 14.600 mil unidades nos primeiros sete meses de 2026, mas que em se tratando de mercado houve uma redução de 17,3% no segmento de ônibus urbano em comparação à 2025 e 26,8% de redução nos rodoviários, índices que atestam diversos cenários locais. “As altas taxas de juros, questões de ordem geopolítica que interferem na economia e política e a redução dos investimentos que visam a renovação política podem ser considerados pontos fundamentais para que a indústria apresente essa produção menor”, afirmou.
Contudo, programas governamentais já referenciais e pontuais que contribuem para que a indústria apresentasse uma melhora em termos de produção e licenciamento. “Se tivemos queda nos urbanos e rodoviários, graças à alguns incentivos governamentais, como o Refrota, o PAC, o Move e as aquisições públicas de micro-ônibus, foram um estímulo para que o cenário não fosse pior. A categoria dos pequenos veículos tem salvado o setor fabril, neste momento”, observou Bisi.

Ruben Bisi, da Fabus – A indústria brasileira precisa ser incentivada
Em relação à feira Lat.Bus, a edição de 2026 teve um aumento de quase 100% em relação ao ano de 2024, estando numa área de 45.000 m², com estandes de todos os tamanhos, espaços dedicados, painéis e eventos como Frotas Conectadas, Encontro de Fretamento, UITP (Associação Internacional do Transporte Público), Seminário NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), Seminário Abrati (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros), Oficina de Tecnologia, Fórum Nacional de Secretários de Mobilidade Urbana, Fórum Paulista de Secretários de Transportes e Fórum Transporte Sustentável.
As fabricantes se destacaram
A exposição foi a oportunidade para que os produtos da indústria de ônibus, como os chassis, as carroçarias, componentes e insumos fossem mostrados ao grande público. Outrossim, novas tecnologias em mobilidade e soluções em soluções de descarbonização, sustentabilidade e inovação.
Neste ano, a edição reforçou que o ônibus passa por uma significativa transformação, colocado em evidência por uma indústria que busca responder aos desafios da mobilidade urbana e rodoviária, combinando tecnologia, eficiência, sustentabilidade e conforto. Claro que não podemos esquecer sua importância como elemento central de uma mobilidade mais racional e acessível.

As principais fabricantes e desenvolvedoras de carroçarias não param de investir em inovação
Muitas carroçarias ganharam detalhes externos que podem promover redução do arrasto, gerando economia em combustível e aumento da performance, além de terem estéticas de última geração. Já os chassis foram destacados pela variedade de propulsão, em uma consonância tecnológica formada pela eletrificação e outras diferentes alternativas energéticas e digitais que podem conviver dentro da lógica do transporte eficiente e rentável, como diesel Euro VI, gás natural, biometano, híbridos, a conectividade, inteligência de dados e sistemas avançados de segurança.
E, no centro de toda essa reformulação de conceitos, a figura do passageiro não foi esquecida ao se ver projetos que redefinem o modelo de se transportar, com veículos mais silenciosos, confortáveis, seguros, acessíveis e conectados podem ajudar a tornar o transporte coletivo mais atrativo. Contudo, a tecnologia é bem-vinda mas, não resolve os problemas históricos da mobilidade, pois continua a carência da sinergia entre qualidade do veículo, infraestrutura, frequência, previsibilidade, integração, informação ao usuário e uma política de financiamento capaz de garantir a continuidade do serviço e da operação.
Destacando que a indústria nacional continua intensificando seu poderio em poder contribuir com toda essa transformação em que passa o modal.
Imagens – Divulgação e revista AutoBus

















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