Volvo inova com biodiesel e destaca suas vendas em 2025

A descarbonização continua como fator decisivo para a marca, seja com ônibus elétricos ou em investimentos nos biocombustíveis

Com 1.099 chassis fornecidos aos seus clientes no ano passado, sendo 553 para operadores brasileiros e o restante no mercado latino-americano, a Volvo Buses Latin America reafirma sua consolidação junto ao transporte de passageiros sobre pneus, dispondo de soluções, serviços e produtos que objetivam a eficiência e a rentabilidade operacional.

Desse volume informado quanto ao mercado nacional, 80% é de chassis rodoviários, com entregas importantes para clientes de várias partes do País. André Marques, presidente da Volvo Buses na América Latina, disse que o segmento estradeiro foi determinante nos negócios da marca, enfatizando algumas operadoras de peso, como a Guerino Seiscento, Real Maia, Saritur e Grupo Brasileiro, que acreditaram nos atributos da gama de chassis. “O setor, como um todo, de chassis rodoviários pesados teve um revés de 10% no ano passado. Contudo, isso não nos impediu de avançar no segmento, tendo participação de 21% nos negócios totais. Ressalto, ainda, o lançamento do chassi B360R para aplicações de curtas e médias distâncias, sendo eficiente no consumo de combustível e no padrão operacional. Também digo que a consolidação de nossa plataforma de chassis de 13 litros traz alto desempenho e menor consumo de combustível, com muita tecnologia embarcada”, explicou.

Outrossim, no transporte urbano brasileiro a Volvo forneceu alguns de seus chassis com tração elétrica para São Paulo (40 unidades) na versão 4×2 e outras 21 unidades para Goiânia, entre articulados e biarticulados. “Em 2025 reafirmamos a produção brasileira da plataforma mais completa de chassis com tração elétrica, tornando Curitiba uma base mundial na fabricação desse tipo de ônibus”, observou o executivo.

A marca, conhecida por se destacar no segmento em virtude de uma gama de chassis adequada aos serviços rodoviários e urbanos, seja ela com motores de combustão interna ou elétricos, mostra sua posição de vanguarda no respeito ao meio ambiente. Nesse sentido, ela anunciou o desenvolvimento de duas opções limpas que buscam a descarbonização do setor, com o uso de biocombustíveis e da eletricidade.

Compromisso ambiental por meio do uso de biocombustíveis

Com a primeira opção, a fabricante anunciou a chegada de seu chassi urbano B320R equipado com o motor de 8 litros que pode ser alimentado com o biodiesel na proporção 100%. Marques lembrou que a marca tem uma tecnologia madura, que já foi consolidada em caminhões, sendo que o B100 combina ganho ambiental, viabilidade técnica e facilidade de aplicação, pois já há um grande número de produtores desse biocombustível em todo o País. “Nossa jornada de descarbonização trabalha com linhas de desenvolvimento visando a redução das emissões poluentes – eletrificação e os combustíveis renováveis. Com esta última opção, estamos apresentando o chassi B320R na versão urbana que pode ser movido pelo biodiesel B100, após um bem sucedido processo de avaliação e construção de sua tecnologia. Com isso reafirmamos o nosso compromisso ambiental no transporte coletivo”, disse.

De acordo com o executivo, as provas comerciais desse modelo de chassi já começaram, mostrando eficiência e durabilidade em seu uso. “O veículo está disponível para o mercado. Operadores e sistemas interessados em promover a sustentabilidade ambiental em seus negócios ou serviços de transporte coletivo podem optar por mais essa inovação. Além disso, ele conta com sensor de mescla incorporado no motor, componente eletrônico que monitora a mistura do combustível utilizado, tecnologia adotada em nossos caminhões FH”, afirmou Marques.

Eletrificação e a entrada no programa de financiamento para que possa aumentar sua participação de mercado. Dois objetivos concretos para 2026.

Quanto a eletrificação, além dos recentes chassis fornecidos para a cidade de Goiânia, com as versões articuladas e biarticuladas, a Volvo salientou o seu chassi na configuração rodoviária, mostrada no ano passado no Peru, em uma feira para o segmento da mineração. “Nosso cliente peruano de longa data, Cruz del Sur, já iniciou a avaliação do modelo no transporte fretado de funcionários de três minas com agendas ESG, que investem em soluções de descarbonização. Estamos mostrando esse modelo lá por observarmos um forte movimento das mineradoras em escolher um transporte livre de emissões poluentes. Além disso iremos avaliar todo o mercado, o que a demanda exige, para podermos reforçar nosso conceito ambiental”, salientou Marques.

Trata-se de um veículo na versão 4×2, com carroçaria brasileira, tendo a configuração muito semelhante ao modelo de chassi que é usado no transporte urbano, com piso alto. O chassi em questão conta com dois motores elétricos de 200 kW de potência, cada, e o banco de baterias com potência de 360 kWh (4 packs, 90 kWh cada).

Modelo rodoviário elétrico que está sendo avaliado no Peru. Mais um desenvolvimento Volvo em direção à sustentabilidade no transporte

E como competir num mercado em que as fabricantes chinesas dominam, trazendo veículos dotados da mais alta tecnologia? André Marques citou que a Volvo vem trabalhando para que seus clientes possam ter produtos e serviços que ofereçam segurança operacional, pós-vendas e atendimento específico. “A concorrência é grande, mas acreditamos na confiança de nossos clientes na marca Volvo, contando com o suporte de uma rede robusta de concessionários, tendo um atendimento exclusivo composto por técnicos preparados. O negócio de ônibus não é feito em um ou dois anos. Ele opera mais de 10 anos, exigindo uma cooperação muito próxima entre fabricante e operador para que haja sucesso na aplicação. Acreditamos muito nisso”, lembrou o executivo.

Além do Peru, o Chile é outro país que vem investindo nesse conceito em suas grandes minas, sendo grande oportunidade para a marca Volvo em seu negócio de eletromobilidade.

Em 2025, 80% dos chassis comercializados pela Volvo foram de modelos rodoviários

Quanto ao transporte brasileiro, outra novidade revelada. A marca anunciou sua entrada no programa Pró-Transporte, visando aumentar a disponibilidade de financiamento de seus chassis a custo mais acessível. Trata-se de um mecanismo financeiro destinado a projetos de modernização e aumento da qualidade da mobilidade nas cidades na aquisição de ônibus urbanos. Segundo informações da Volvo, os recursos vêm do FGTS e são concedidos pela Caixa Econômica Federal por meio de agentes financeiros repassadores, no caso o Banco Volvo. A taxa de juros depende do perfil de crédito de cada cliente, mas pode chegar à metade dos juros dos financiamentos regulares. “O transporte de passageiros é um segmento empresarial com margens baixas e custos altos. Este programa pode ajudar na renovação de frotas, principalmente na atual conjuntura econômica. E, junto com a Volvo Financial Services, conseguimos nos habilitar para oferecer condições atrativas aos nossos clientes”, explicou Marques.

Para 2026 ele disse se tratar de um ano desafiador, com uma perspectiva que tende a apresentar um volume total de 3.500 unidades, isso se tratando de chassis pesados, com motorização traseira, mercado em que a marca participa. A Volvo anunciou que investirá R$ 2,5 bilhões no Brasil no período entre 2026 e 2028, sendo o maior volume de recursos já aplicado aqui desde que a empresa começou a produzir veículos comerciais em Curitiba (PR), em 1979, sendo o primeiro a sair de sua linha de produção um chassi para ônibus.

Imagens – Revista AutoBus e Divulgação

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