A evolução é um aspecto motivador para quem trabalha na transportadora paranaense, Viação Garcia. Lá, as oportunidades estão sempre abertas para quem quer crescer, não importando o gênero ou a função. Quem mostra competência, tem a chance de galgar uma maior posição, seja em atividades de gestão ou operação.
E, as mulheres andam conquistando espaços, cada vez mais, importantes na vida da empresa. Hoje, são 485 colaboradoras, exercendo diversas funções fundamentais para o sucesso da operadora, visando alcançar a melhor e mais segura operação.
A revista AutoBus conversou com três colaboradoras da Garcia para saber sobre suas rotinas na empresa, seus desafios e histórias relacionadas com as atividades nas áreas de gestão, manutenção e condução de veículos. Cátia Pedrazani, da área de Controladoria, vê de forma clara a evolução do mercado de trabalho para as mulheres, acreditando que a cultura das empresas vem sendo ajustada de forma positiva com a presença feminina.
Ela, que ingressou no ramo do transporte por acaso, concorreu, em 2002, a uma vaga de estagiária na área contábil da operadora, permanecendo na empresa por, aproximadamente, nove anos, período em que construiu sua carreira e experiência profissional dentro da operadora. “Passei por diversos cargos até assumir a Controladoria. Em 2011, me ausentei para buscar novos desafios. Dois anos depois, retornei ao grupo a convite do diretor da época. Desde então, permaneço à frente da pasta. Meu time é composto por, aproximadamente, 30 colaboradores, sendo três coordenadores de área: Contabilidade, Departamento Fiscal e Controle Financeiro de Agências. O dia a dia é bastante intenso, pois fazemos a gestão de todas as empresas do grupo, com atividades que incluem transporte rodoviário de passageiros, encomendas, fretamento, serviço metropolitano, urbano e gestão de veículos”, informou.

Cátia Pedrazani
Casada e mãe de duas filhas, Cátia destaca que concilia da melhor forma possível suas vidas profissional e pessoal, de esposa, mãe e mulher. “O desafio é grande, mas estou satisfeita com meu desempenho, procuro sempre revisar minhas rotinas para identificar e implementar ajustes necessários”, disse.
Em um setor, composto majoritariamente por homens, especialmente nos cargos de alto escalão, área de manutenção e motoristas principalmente. Ela salienta que observa evolução nas composições dos times, porém ainda não muito relevante. “Estamos progredindo. Considero indispensável a diversidade nos times, as mulheres têm muito a contribuir com o mercado de trabalho. Eu, particularmente, não encontrei grandes dificuldades para o meu exercício profissional pelo fato de ser mulher. Nunca me senti intimidada, sempre busquei conquistar meu espaço apesar do ambiente predominantemente masculino”, explicou Cátia.
Entretanto, ela contou que, ainda, existe algum ceticismo por parte de colegas e clientes, especialmente em relação a algumas profissões ligadas ao transporte, como motorista e mecânica. “Ainda assim, é uma jornada e um caminho sem volta, as mulheres entenderam que podem estar onde desejarem, podem fazer por merecer e estão lutando por seus lugares. A vitória de cada uma de nós serve como combustível e exemplo para as demais”, destacou.
Cátia disse que se pudesse dar um conselho para aquelas que desejam ingressar no ramo do transporte, seria: as portas estão abertas. “Busquem pelo seu propósito e sonho de vida. Costumo dizer que não há benefício sem sacrifício, portanto, qualifiquem-se estudem, dediquem-se e comprometam-se para desfrutar do retorno, da satisfação e da realização de poder exercer a profissão de você almejou”, concluiu.
Na manutenção
Lucimara Bressan está na Garcia, há um bom tempo. São 21 anos, sempre na área de manutenção. Seu começo foi depois que cadastrou seu currículo num site de empregos, sendo selecionado pela empresa. “Fui chamada para entrevista e desde esse momento queria muito ser aprovada para a vaga. Entrei no departamento de carroçarias, setor que reforma os ônibus, trabalhando na área administrativa. Na época, eu era a única mulher do setor, que contava com 79 homens”, explicou.
Segundo ela, não teve dificuldade para atuar em sua função, sendo muito bem acolhida por todos. “Aqui existe respeito e profissionalismo. A mulher aqui é o equilíbrio. Ela traz consigo o profissionalismo sem deixar de ter aquele toque de mãe, de mulher, de amiga. Os desafios são grandes para aqueles que não sabem se respeitar ou dar o respeito. Não vejo dificuldades em ser mulher, mesmo trabalhando com 163 homens que compõe a gerência de Manutenção de Londrina (somos apenas três mulheres!)”, afirmou Lucimara.

Lucimara Bressan
Casada e mãe de dois filhos, ela contou que se sente satisfeita e tranquila em sua função, pois a empresa oferece o suporte quando necessário. “Entrei no departamento de carroçarias, passei pela gerência de manutenção, controle de manutenção e depois retornei ao departamento de carroçarias, onde estou atualmente. Tenho uma equipe excelente, respeitosa. Nosso trabalho aqui é a reforma dos ônibus, envolvendo funilaria, pintura, tapeçaria, fibras de vidro, solda, adesivagem, marcenaria e revisão de carroçaria. Também, auxilio outras áreas, como mecânica, elétrica e borracharia, dando suporte para todos no que se refere às demandas administrativas”, explicou.
Lucimara observou que para aquelas mulheres que desejam ingressar na empresa, o que se tem a falar é que é ótimo trabalhar com transporte, pois há muito aprendizado a cada dia. “Eu só tenho a agradecer, primeiramente, a Deus por permitir que eu esteja aqui há tantos anos e a todos os meus superiores por confiar no meu trabalho. Procuro fazer meu trabalho com excelência e será assim até o meu último dia nessa empresa. Quero deixar um legado de boas lembranças, de profissionalismo”, destacou.
Conduzindo os ônibus
Desde 2011 na Garcia, quando começou na limpeza dos ônibus, a motorista Rosângela Rodrigues, passou por diversas atividades – de cobradora, manobrista e motorista do metropolitano, até chegar ao rodoviário. De acordo com ela, foi uma caminhada de muito aprendizado, construída com esforço, oportunidades e de bons relacionamentos com pessoas que confiaram em seu trabalho. “Cada etapa teve seu valor e fez parte da motorista que sou hoje. E ser motorista rodoviário é participar de várias emoções na mesma viagem: alegria na chegada e choro na despedida. Com meu trabalho posso realizar um sonho, proporcionar uma conquista, sendo muito gratificante saber que fui a responsável por tudo isso”, afirmou.
Rosângela disse que, como motorista não há uma escala fixa, pois, cada dia está em um horário diferente. “Isso não é problema. Eu consigo conciliar minha vida pessoal: às vezes tomo um café com um filho, almoço com a filha e janto com outro filho ou até consigo levar as netas no parquinho. Como moramos perto, a gente sempre dá um jeito de se ver, quase todos os dias”, explicou.

Rosângela Rodrigues
Para ela, preconceito de gênero não combina com evolução, sendo que empresas modernas valorizam a competência e a responsabilidade profissional. “As empresas precisam oferecer oportunidades. Cada mulher que assume uma profissão dominada por homens mostra que coragem e competência não têm gênero. Eu sempre digo: quem começa com humildade e trabalha com dedicação e honestidade, uma hora chega longe. Eu sou prova disso. Temos que pensar que com respeito e profissionalismo, a gente conquista qualquer espaço. Sempre recebi muito apoio e ajuda dos colegas de trabalho”, salientou.
O lado empresarial
Para o vice-presidente da Viação Garcia, Estefano Boiko Jr., a importância da presença feminina mostra que a empresa tem uma história marcada pela inclusão dessa força em seu quadro de pessoal, o que ganhou mais relevância nos últimos anos com a participação delas, não só em cargos de liderança, mas, também, em funções antes voltada, quase que exclusivamente, para homens. “Nossa empresa conta com mulheres em seu quadro de motoristas, gerência, supervisão, eletricistas, mecânicas, manobristas e nas mais diversas áreas de atuação. A política de seleção da empresa é de igualdade na contratação de colaboradores, com base em critérios técnicos e de habilidades para as funções que serão exercidas. Isso fomenta um ambiente mais colaborativo e diverso no ambiente corporativo. Entendemos que a presença feminina na empresa fortalece as relações interpessoais e contribui para uma maior resiliência organizacional, com um viés humano e empático na rotina da empresa”, explicou.
Para Boiko, num momento em que o setor de transporte tem sofrido com a carência de motoristas, a força feminina já é uma realidade no trabalho de conduzir os veículos, não só na empresa paranaense, como no cenário nacional. “As mulheres romperam barreiras e preconceitos, e representam uma parcela importante e crescente da mão-de-obra neste segmento. Atuam com competência, técnica e profissionalismo, ganham fatias cada vez maiores do mercado de trabalho e constroem carreiras sólidas, com grande paixão pela profissão”, concluiu.
Imagens – Divulgação












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