O modal transporte coletivo urbano tem passado por perrengues nas cidades brasileiras. Nos últimos anos, esse modelo de mobilidade que é protagonista no deslocamento de milhões de habitantes, diariamente, ficou defasado, perdeu cliente, anda combalido e passa o pires para poder sobreviver. Além disso, tem ficado de fora das agendas dos gestores públicos, que pouco se esforçam para reverter um quadro negativo que compromete a estrutura urbana.
Pensando nisso, o Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana (SEMOB), e a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), firmam Acordo de Cooperação voltado ao fortalecimento da estruturação de projetos de transporte público coletivo por ônibus em cidades brasileiras.
Para Francisco Christovam, diretor-presidente da NTU, a formalização desse acordo representa um importante marco de relação entre o poder público e os operadores do transporte urbano para se alcançar a modernização dos sistemas, a qualificação operacional e a transparência da conexão entre os envolvidos com o setor. “Nosso objetivo é ajudar na modelagem de projetos e contratos que viabilizem investimentos, garantindo que as diretrizes nacionais de mobilidade sejam aplicadas com qualidade e aderência técnica em todas as regiões do país”, destacou o executivo.
Sem uma sinergia entre projetos de mobilidade, com ênfase à prioridade operacional por meio de infraestrutura adequada, prioritária, acessível e uso de veículos modernos e com tração limpa, com as políticas públicas que favoreçam investimentos e o estímulo ao uso do transporte coletivo, dificilmente conseguiremos ter um desenvolvimento urbano sustentável e eficiente.

Secretário Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Denis Eduardo Andia (à esquerda) e Francisco Christovam (à direita) no ato da assinatura do Acordo de Cooperação
Segundo Christovam, o referido acordo tem, ainda, o propósito claro de fortalecer a política nacional de mobilidade urbana por meio de articulação institucional com a realização de diagnósticos técnicos integrados, estudos econômico-financeiros, análises jurídico-contratuais e apoio à modelagem de projetos. Também, serão elaborados manuais técnicos padronizados, permitindo maior eficiência e replicabilidade das soluções em diferentes localidades. “Estamos falando, portanto, de um acordo que não se limita a intenções, mas que cria instrumentos concretos para transformar a forma como estruturamos e financiamos o transporte público no Brasil. Essa parceria permitirá avançar em temas estratégicos, como financiamento, inovação, sustentabilidade, eficiência operacional e melhoria da qualidade do serviço. Mais do que isso, cria um ambiente institucional capaz de impulsionar soluções estruturantes para o transporte público coletivo. Hoje, portanto, não celebramos apenas a assinatura de um acordo. Celebramos um compromisso conjunto, um compromisso para cidades mais acessíveis e para um transporte público mais eficiente, mais sustentável e mais humano. E, acima de tudo, um compromisso com milhões de brasileiros que dependem diariamente desse serviço”, destacou.
O Programa Refrota foi ressaltado como instrumento para a evolução dos serviços. Dessa maneira, seu intento é garantir a renovação e a modernização da frota de veículos dos sistemas de transporte público coletivo, fato que será priorizado nos estudos que serão realizados, viabilizando melhores condições para o usuário do sistema.
O diretor da NTU lembrou que o Refrota pode ser considerado o motor da renovação tecnológica do setor, pois permite que as empresas invistam em ônibus mais modernos, com menor custo de manutenção, maior eficiência energética e melhor desempenho operacional. “E, o ganho disso é direto para quem mais importa: o passageiro. Hoje, a idade média da frota nacional é de 6,4 anos. A incorporação de novos veículos contribui diretamente para reduzir essa média, elevar o padrão tecnológico e melhorar a qualidade do serviço prestado”, observou Christovam.
Imagens – Divulgação












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