A presença feminina no transporte de passageiros tem crescido, mas ainda enfrenta desafios históricos e culturais. Tradicionalmente, o setor, especialmente na condução de veículos, manutenção e operação logística, é dominado por homens, devido a estereótipos sobre força física e horários irregulares.
Porém, esse conceito tem caído por terra, nos últimos anos em virtude de uma virada de chave que buscar igualar os gêneros nas mais distintas categorias de trabalho. A presença feminina tem impulsionado políticas de diversidade, segurança e bem-estar no transporte, como campanhas de conscientização, programas de prevenção à violência e medidas de acessibilidade.
A trajetória histórica das mulheres no transporte revela coragem, adaptação e competência, mostrando que, mesmo diante de barreiras sociais, elas transformaram o setor e continuam a construir novos caminhos de participação e liderança. Veja o caso de duas personagens que estão no segmento há muitos anos, reforçando o trabalho dedicado à gestão administrativa em dois tipos de operações – o transporte rodoviário e urbano.
Vera Gaion, secretária executiva na Viação Garcia, está atuando na empresa paranaense há mais de 50 anos, representando uma vivência e tanto dentre o universo de colaboradores que formam o conglomerado operacional. “Iniciei minha trajetória na operadora em 1973, como auxiliar do departamento financeiro. Mas, antes disso, eu fui professora de datilografia, auxiliando minha irmã nessa função. Me tornei uma conhecedora das máquinas de datilografia, ganhando apelido de pilota das máquinas, pois eu montava e desmontava as mesmas como ninguém”, destacou.
Ela, que chegou a fazer faculdade de letras, passou por três gerações administrativas na empresa, estando até, hoje, na linha de frente junto a processos que estão ligados à gestão, organizando, coordenando e supervisionando a área com uma abordagem colaborativa, tornando a operação mais eficiente e humana. “Aos poucos fui galgando funções dentro da Garcia. Desisti de fazer letras para seguir os estudos do curso de sociologia, me formando nessa área. Com a experiência adquirida pela rotina, a diretoria da empresa viu potencial em meu trabalho, sempre me apoiando e investindo em meu crescimento”, afirmou Vera.

Vera Gaion – Uma vida dedicada à gestão de uma das maiores operadoras de ônibus rodoviários do Brasil
Trabalhando em um ambiente favorável, conforme ela define, Vera responde à pergunta sobre desafios como algo gratificante, pois não deixa de dedicar esforços para alcançar resultados positivos em meio ao que foi solicitado em termos de processos. Sempre solícita, ela ressalta que a atual diretoria da Viação Garcia incentiva a presença feminina no setor por meio das portas sempre abertas para a inserção nas diversas funções que a operadora oferece. “Uma mensagem que deixo às mulheres que se interessam em ingressar neste setor é que invistam no conhecimento e naquilo que gosta de fazer. Tudo vale a pena quando aquilo que se busca tem relevância na carreira profissional. Haverá dificuldades pelo caminho? Sem dúvidas. Mas, isso pode servir de estímulo para o engrandecimento em qualquer área que atue”, observou.
Para Indiara Ferreira, diretora-presidente da HP Mobilidade, as questões de gênero e mobilidade podem ter uma sinergia positiva, com respostas para todas as demandas do modal transporte coletivo. “Minha história no transporte tem uma trajetória de 30 anos dedicados na gestão da HP mobilidade. É uma jornada que impôs diversos desafios, dentre eles o relacionamento pessoal, exigindo habilidade para lidar com tanta gente envolvida com o nosso caso, que é o transporte. Destaco que sempre tive uma atenção especial em atender as mais diversas pessoas, de variados níveis, sejam eles cultural ou econômico”.
Sobre o atual momento da mobilidade, Indiara contou que tem visto um grande debate sobre a transição energética, algo fundamental para o processo da descarbonização do transporte. “Mas, vou além, sendo que no meu entendimento vejo que a eficiência operacional é um fator fundamental para que não tenhamos os sistemas colapsados. Por isso, valorizar o transporte coletivo, proporcionando-lhe melhores condições operacionais, investimentos em infraestrutura, gestão, tecnologia, matriz energética limpa e previsibilidade, deve ser a tônica de governos preocupados com a mobilidade e o desenvolvimento sustentável. Se isso não for feito, nosso futuro não será nada favorável em termos de deslocamentos, pois com o crescente número de automóveis e motocicletas nas ruas, nossa mobilidade tende a piorar cada vez mais. É um enorme desafio que temos todos os dias, buscando planejamento e eficiência”, explicou ela.

Indiara Ferreira – Engajamento e o cuidado com as relações humanas para que o transporte seja um diferencial na vida das pessoas
Segundo a diretora, Goiânia tem trabalhado para mudar uma situação que prejudicou muito o transporte, sendo que hoje, com a participação de operadores e governos, o sistema vem sendo resgatado, com grandes investimentos em infraestrutura, na compra de novos ônibus e numa gestão centrada pela governança que destaca a integração tarifária e operacional. “Como gestora num setor de extrema importância para as pessoas, tenho muitas responsabilidades para o bom funcionamento da operação, lidando diariamente com as mais diversas demandas para manter a operação em perfeitas condições de uso aos passageiros”, lembrou Indiara.
Outra questão salientada por Indiara é a que trata da presença feminina no setor, pois esse assunto deve ser relevante, para que elas façam parte, cada vez mais, dos diversos cargos e funções envoltas com o transporte.
Ainda, nesse contexto, ela fez um comentário, numa reunião acontecida há poucos dias sobre as tecnologias limpas de propulsão dos ônibus adotadas pela cidade de Goiânia, em que estavam presentes representantes da própria HP, fabricantes de ônibus e da imprensa. Num determinado momento, Indiara comentou, em voz alta, sobre a necessidade da presença delas em diretorias das grandes empresas fornecedoras da cadeia do transporte e que a HP só iria adquirir algum produto se esse tema fosse realidade. “Claro que não passou de uma brincadeira”, disse ela. Porém, ela ressaltou que a aquisição de algo é em virtude daquilo que é oferecido sob a determinação do melhor custo benefício, com resultados positivos para a operação e para os acionistas da empresa. “Trabalhamos para entregar valor aos nossos clientes e rentabilidade à HP Mobilidade”, concluiu.
Imagens – Acervos pessoais e IA













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