Mauricio Lucena assumiu a função de gerente de Vendas de Soluções para Mobilidade da Scania Operações Comerciais Brasil, no lugar de Gustavo Cecchetto, com a responsabilidade de manter a fabricante num patamar de evolução quando o tema é ônibus e suas vertentes no universo dos serviços e ferramentas tecnológicas. Ele, que está na Scania há sete anos, passou pela área de caminhões e agora tem pela frente um ambiente cheio de desafios, próprios de um setor que vive com margens apertadas, trabalho intenso e a necessidade por constantes investimentos.
A revista AutoBus foi a primeira editoria segmentada do transporte sobre pneus a entrevistar Lucena, que revelou os principais aspectos positivos do mercado e a participação da fabricante em meio à um novo tempo do segmento que requer inovações e soluções para que o operador possa continuar sendo competitivo e tenha rentabilidade em seus negócios.
Sobre o mercado, ele disse que em 2025 as vendas foram significantes, com predomínio dos veículos rodoviários, mantendo a tradição da marca em atender o segmento de linhas regulares e o fretamento turístico. “Tivemos um ano muito bom, apesar das taxas de juros continuarem altas. Nossa participação no segmento de chassis rodoviários permitiu a posição de liderança, com 35% de participação. No total, emplacamos mais de 960 chassis, incluindo mais de 100 unidades do modelo de 15 metros que foram fornecidos para os projetos de ônibus elétrico de outra fabricante”, observou.
A versão 6×2 do modelo K410, presente no portfólio de chassis rodoviários, foi a que liderou as vendas para os clientes, protagonizados por operadores de linhas regulares. Com ele, a Scania teve 41% de mercado nessa configuração.
Sobre 2026, Lucena destacou dois cenários, um positivo que pode ser visto bem no começo do ano, e outro com o arrefecimento dos negócios no fechamento do primeiro trimestre desse período. De acordo com o gerente, algumas boas vendas puderam ser observadas, com o fornecimento aos clientes de algumas regiões brasileiras, como os negócios fechados de 16 unidades para a empresa Liderança, de Goiás, 25 chassis articulados para o transporte de Curitiba, além de outros operadores. “Hoje, com a redução da taxa de juros, na casa do 0,5%, além da retomada do Programa Move Brasil, que nesta segunda fase incluiu os ônibus, nos faz ver um cenário diferente, de interesse pelas consultas. Isso permite que sejamos otimistas quanto ao incentivo das renovações de frotas dos nossos clientes”, ressaltou.

Maurício Lucena
Por outro lado, o setor de fretamento turístico e da modalidade contínua, também, é um importante cliente da fabricante, que disponibiliza seus produtos idealizados para as demandas operacionais. “Temos o chassi K 500 8×2 muito bem aproveitado pelo segmento quando há a procura por um veículo que responda pela eficiência e rentabilidade, além de muito conforto e segurança. Ele é uma referência de mercado. Também, temos o K 320, um modelo específico que é bem posicionado em nosso portfólio ao cliente que necessita de resultados positivos e de desempenho em seus serviços”, observou Lucena.
Em se tratando de propulsão limpa, a Scania já conta com seu chassi com tração elétrica (a baterias) e a gama de produtos com motorização a gás, opção intermediária para o processo de descarbonização. A marca disponibilizou as primeiras oito unidades do seu chassi articulado para o sistema de transporte coletivo de Goiânia e está em tratativa com o sistema local para o fornecimento de outro grande volume que contempla 79 chassis articulados e outros 22 do tipo Padron. “Acreditamos nesse conceito e estamos vendo que o setor tem olhado com mais atenção para a motorização a gás para o uso com o biocombustível. O exemplo goiano tem despertado interesse pelo Brasil, o que nos anima a dizer que essa opção tende a ganhar destaque. Já temos várias demonstrações pelo País do nosso veículo urbano e, ainda, do chassi rodoviário, que está no Sul do Brasil sendo avaliado. Outro teste muito importante é o que acontecerá numa usina de cana-de-açúcar do interior paulista, que usará o biometano produzido por ela para abastecer o nosso veículo”, adiantou Lucena.

Chassi rodoviário K500 8×2, modelo com alta tecnologia embarcada para a otimização operacional
O gerente da Scania, também, falou sobre o modelo de ônibus dessa configuração que está sendo finalizado na encarroçadora Caio, produzido sobre o padrão da SPTrans, visando a avaliação no transporte coletivo paulistano. “Ele é um veículo com piso baixo, tem tanques de gás do tipo 4, o mais moderno do mercado, e será avaliado no sistema de São Paulo para mostrar toda a sua eficiência e viabilidade. Portanto, estamos otimistas com o conceito do biometano no processo de descarbonização”, disse Maurício.
Para esse tipo de negócio com os clientes interessados em adquirir os produtos a gás, a Scania dispõe do financiamento CDC Green, com condições atrativas proporcionadas pelo Banco Scania.

Com o fornecimento de chassis a gás para Goiânia, a Scania tem uma expectativa positiva quanto ao conceito ganhar corpo no transporte nacional
Em relação à serviços, Lucena destacou que, o pós-vendas é um assunto significativo para a fabricante com soluções adequadas de atendimento ao cliente para que este possam alcançar eficiência e rentabilidade em sua operação. “Nosso portfólio de serviços contempla os programas de manutenção dimensionados para todos os tipos de operadores. Isso gera previsibilidade à ele quanto a custos e o tempo de parada dos veículos. Trata-se de uma forma de fidelizar nossos clientes por meio do atendimento personalizado e dedicado. Também, não podemos esquecer da oferta dos serviços de conectividade, com a telemetria e seus pacotes para que o operador possa acompanhar diversas funções de seus veículos Scania em tempo real, trazendo vantagens em seu negócio, agregando valor”, salientou.













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