A renovação que muitos esperam

Em meio a uma crise existencial, o transporte coletivo urbano tem a oportunidade de recuperar sua competitividade e importância quanto a participar, efetivamente, da mobilidade eficiente dos habitantes das cidades
Antonio Ferro | Editor

Antonio Ferro | Editor

infobus@uol.com.br

Editorial

Os tempos avançaram, as pessoas mudaram suas formas de locomoção, a mobilidade deixou de ser uma simples questão de ir do ponto A ao ponto B, a tecnologia tornou-se uma ferramenta poderosa na relação entre o planejamento das viagens e a realização das mesmas, favorecendo a conectividade, a gestão e a operação. Contudo, o transporte coletivo urbano, feito pelo ônibus, parou no tempo e viu sua imagem ficar desgastada perante às transformações, deixando de ser um protagonista de peso no deslocamento dos habitantes das cidades.

As circunstâncias contribuíram com a perda de competitividade do modal. Nos últimos anos, diversos fatores foram fundamentais, como o constante aumento dos custos de operação, aliado a tarifas insuficientes para cobrir os gastos, fazendo com que o modelo se tornasse financeiramente insustentável em muitas cidades, além da concorrência com outros meios de transporte individual, motos e aplicativos de mobilidade que oferecem maior flexibilidade e rapidez.

O transporte coletivo urbano brasileiro lida com desigualdades regionais e sociais. Em grandes metrópoles, por exemplo, as linhas podem ser numerosas, mas sobrecarregadas. Já em cidades menores, o serviço muitas vezes é insuficiente ou inexistente, dificultando o acesso a direitos básicos e oportunidades. Junte-se à isso, a concorrência com transporte clandestino e aplicativos de mobilidade, que não seguem regras de segurança ou tarifas regulamentadas, agrava ainda mais a situação.

Claro que problemas históricos do setor, como superlotação, atrasos, falta de segurança e infraestrutura urbana limitada estão no balaio da inoperância, reforçando a afirmação que tudo evoluiu, menos ele, reduzindo sua atração em meio aos deslocamentos das pessoas.

Contudo, esse cenário tende a passar por uma transformação em breve. Com a aprovação do Marco Regulatório do Transporte Coletivo espera-se um avanço estratégico e necessário para a mobilidade urbana no Brasil, sendo um instrumento que irá estabelecer diretrizes claras para a organização, operação e fiscalização dos serviços de transporte coletivo, garantindo segurança jurídica para gestores públicos, empresas operadoras e, principalmente, para os passageiros.

Com o novo Marco, a expectativa é que haja uma base sólida para a mobilidade inteligente, inclusiva e segura, buscando uma experiência diferente do dia a dia das pessoas ao o transporte coletivo uma opção confiável, prática e sustentável para todos. Para os cidadãos, as mudanças podem ser profundas: viagens mais rápidas e previsíveis, integração eficiente com outros modos de transporte e tarifas mais justas e transparentes.

De fato, arrumar a casa é o primeiro passo para que o transporte coletivo volte a ter atração. A primeira meta é como mantê-lo sustentável financeiramente e com previsibilidade operacional. São dois fatores que impactam demais na sobrevivência dos serviços e no atendimento à demanda.

Outrossim, sem investimentos em infraestrutura operacional, modernização da frota, tecnologia, integração com outros modais, financiamento e capacidade técnica, o ônibus continua com o risco de se tornar cada vez menos relevante na mobilidade urbana.

E, não se esquecendo, a crise do transporte coletivo urbano no Brasil não é apenas operacional: é um reflexo da necessidade urgente de repensar a mobilidade, garantindo que milhões de pessoas possam se deslocar com dignidade, segurança e eficiência.

Portanto, o Marco Legal do Transporte Coletivo Urbano chega numa hora propícia, fruto de esforços de entidades que defendem o modal para que mantenha seu protagonismo na cena da mobilidade e possa ser o indutor para que os desenvolvimentos nacionais, tanto em veículos, tecnologias, propulsões e soluções, sejam valorizados e incorporados na rotina do setor. Temos muito a aprender, mas, também, temos muito a ensinar com a expertise que conquistamos por meio de anos envolvidos com a atividade.

Que os gestores públicos encarem esse novo instrumento de organização como um conjunto de incentivo à mobilidade coletiva, deixando a bandeira política de lado para instaurar programas de Estado que venham auxiliar na retomada daquilo que muitos esperam. Oxalá que saia como o planejado!!

Imagem – Revista AutoBus

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