No debate energético, o que será melhor para o transporte coletivo?

Trata-se de uma pergunta do milhão. Para muitos, a eletricidade tende a ser o recurso protagonista, enquanto que outros afirmam que a multiplicidade de combustíveis serão a vez na propulsão de veículos comerciais

Recentemente, a Abiogás passou a ter uma nova presidente-executiva. Trata-se de Josiani Napolitano, que chega à função em meio a grandes desafios em torno da cadeia do biometano no sistema de transporte sobre pneus. Curiosamente, ela veio de um setor que é o concorrente direto quando se fala em propulsão limpa para veículos – o elétrico -, onde trabalhou por quase 30 anos, em áreas variadas e empresas multinacionais, com destaque para as relações institucionais.

Segundo ela, no contexto da vulnerabilidade de países dependentes de combustíveis fósseis importados e do incentivo ao processo de descarbonização do transporte comercial sobre pneus, o uso do biometano tem um potencial enorme que é viável e pode sim ser uma fonte energética capaz de suprir as demandas relacionadas à redução das emissões poluentes. “Nós, da Abiogás, acreditamos que as tecnologias limpas possam complementar no setor do transporte. Há espaço para a eletricidade, assim como há oportunidades para os biocombustíveis, como o biometano. Contudo o referido biocombustível traz grandes vantagens, pois transforma passivo ambiental em combustível limpo, se adapta muito bem às condições operacionais e pode substituir o diesel em grandes proporções na cadeia energética do transporte”, destacou Josiani.

Em relação aos desafios em promover o combustível renovável junto ao setor transportador, a executiva salientou que Brasil é um dos países mais bem posicionados para liderar essa agenda ambiental, de descarbonização, sendo que poucos setores conseguem reunir simultaneamente atributos tão relevantes: produção local, aproveitamento energético de resíduos, desenvolvimento regional, redução de emissões, flexibilidade operativa e integração entre os setores elétrico, industrial e de combustíveis. “O Brasil se difere por ter grandes fontes geradoras de biometano, podendo alcançar uma produção expressiva decorrente de vários setores, como o agro, os lixões e resíduos. Além disso, temos tecnologia capaz de suprir toda a demanda”.

Josiani, também, destacou que o Brasil tem um potencial de produção de 120 milhões de m³/dia de biometano, volume que poderia substituir cerca de cinco vezes o volume atualmente importado de gás natural, GLP e diesel, reduzindo a exposição do País à volatilidade internacional dos combustíveis fósseis. “Mais do que uma nova fonte energética, trata-se de uma nova lógica de aproveitamento econômico e ambiental dos resíduos, fortalecendo a economia circular e ampliando a resiliência energética nacional. Claro, precisamos fortalecer toda a infraestrutura de distribuição para que o combustível seja competitivo. Outros fatores como políticas públicas de fomento, segurança regulatória e escala de produção são fundamentais para o sucesso”, explicou.

As operações com o mencionado biocombustível podem ser justificadas em atividades urbanas e rodoviárias com a viabilidade técnica e econômica. Segundo Josiani, algumas cidades já estão olhando para essa energia como forma de reduzir a pegada de carbono de seus sistemas de transporte coletivo. “Goiânia é o principal exemplo de cidade que acredita nesse investimento. A capital paulista deve apresentar seu projeto dentro de mais alguns dias, confirmando o interesse nessa propulsão. Quanto ao transporte rodoviário, trata-se de um segmento importante que pode alavancar o biometano e alcançar resultados positivos. Aqui, na Abiogás, trabalhamos em promover pontos específicos de abastecimentos para facilitar a operação dos transportadores de passageiros, para que seja uma ideia abrangente e eficaz”, disse a executiva.

Josiani Napolitano

Para a presidente da Abiogás, o modal rodoviário precisa receber atenção de políticas públicas para que possa se inserir nesse diferencial que tem a propensão de trazer vantagens ao setor. “Contudo, é preciso que haja metas sobre a descarbonização do setor, temos que alcançar uma resposta quanto ao mercado de veículos de segunda mão e o estabelecimento de incentivos para a renovação das frotas com essa tecnologia de propulsão. Vamos trabalhar para que isso ganhe escala”, observou Josiani.

Ela, também, lembrou que a aprovação da Lei do Combustível do Futuro e a regulamentação do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB) representam passos importantes para a consolidação de um mercado estruturado de gás renovável no Brasil, trazendo maior previsibilidade regulatória para investidores e consumidores. “É um o setor que pode mobilizar aproximadamente R$ 348 bilhões em investimentos e gerar cerca de 798 mil empregos no País”, concluiu.

Imagens – Divulgação e revista AutoBus

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