Espaço FETPESP
A Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de São Paulo (FETPESP) promoveu, recentemente em sua sede, o evento “Fim da escala 6×1: impactos, desafios e perspectivas para o transporte de passageiros”. Em formato híbrido, a iniciativa reuniu dirigentes e lideranças do setor presencialmente e transmitiu o debate ao vivo pelo YouTube, com o objetivo de analisar tecnicamente os efeitos da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 sobre a operação, os custos e a disponibilidade de profissionais no transporte coletivo.
A palestra principal foi conduzida pelo engenheiro Wan Yu Chih, diretor de negócios da WPLEX Software, que apresentou um estudo desenvolvido a partir de modelos matemáticos e validado com dados reais de empresas clientes em todo o país. Segundo o levantamento, a adoção da escala 5×2 deve provocar um aumento da ordem de 20% na quantidade de motoristas necessária e um crescimento equivalente nos custos com pessoal, além de exigir a renegociação de contratos, tarifas, subsídios e acordos coletivos e a remodelagem completa da forma de elaborar as escalas – modelo consolidado há mais de cinco décadas no Brasil.
Um dos pontos centrais da apresentação foi o impasse em torno da jornada diária. Como 100% dos acordos coletivos do Estado fixam um limite diário de horas – 7h20 na maioria das cidades e 7h na capital paulista –, a migração para a escala 5×2, limitada a 40 horas semanais, deixaria cerca de 3h20 semanais não trabalhadas por motorista, abrindo divergência sobre a possibilidade de elevar a jornada de 7h20 para 8 horas. O estudo apontou ainda um efeito aparentemente paradoxal: com a redução de dias trabalhados, horas extras e diárias, o salário efetivo do motorista tende a cair entre 4% e 8%, ao mesmo tempo em que o custo total das empresas com pessoal aumenta entre 14% e 19%, conforme o entendimento jurídico que vier a prevalecer.
O especialista detalhou ainda o cronograma de transição previsto após a eventual aprovação no Senado, o impacto sobre a remuneração dos motoristas e os riscos operacionais para as empresas, e apresentou ferramentas técnicas, como o simulador de escalas disponibilizado gratuitamente ao setor. O debate contou com a participação de presidentes de entidades nacionais e estaduais e de dirigentes empresariais, que trouxeram a perspectiva dos diferentes segmentos – urbano, metropolitano, rodoviário intermunicipal, fretamento e escolar.

Alcance e repercussão
Reunindo um público qualificado de dirigentes e técnicos na sede da Federação, o evento teve forte repercussão também no ambiente digital. A transmissão ao vivo registrou mais de 500 visualizações, com picos de 219 espectadores simultâneos e tempo médio de acompanhamento superior a 35 minutos. O chat reuniu 130 mensagens de participantes de diversos estados, reflexo do interesse nacional pelo tema.
O que disseram
“Se aprovada, a medida vai causar um impacto enorme em todas as empresas de transporte do Estado de São Paulo, tanto em custo quanto no número de motoristas que precisaremos admitir. A escassez de motoristas atinge todos os segmentos – o fretamento, o rodoviário e o urbano. A iniciativa da Federação foi justamente elucidar o que está por vir e começar a enfrentar esse desafio; estamos trabalhando junto à NTU e à CNT em busca da melhor solução.”
Mauro Artur Herszkowicz, presidente da FETPESP
“Os estudos apontam um forte impacto, da ordem de 20%, na quantidade de motoristas, e um aumento semelhante nos custos. É um processo em que, contrariamente ao ideal do ganha-ganha, todos perdem: a empresa, o poder público, o motorista e o passageiro, sobre quem a conta acaba recaindo. E problemas complexos não têm soluções simples – a saída passará por um grande entendimento entre poder público, empresas, motoristas e população.”
Wan Yu Chih, engenheiro e diretor de negócios da WPLEX Software
“A questão da 5×2 traz uma mudança que classifico como estrutural para o nosso setor. Mais do que o impacto nos custos, ela altera a própria competitividade do transporte coletivo e exigirá uma mudança de modelo e das condições de financiamento do setor. Mais do que nunca, precisamos estar unidos nesse esforço.”
Edmundo Pinheiro, presidente da NTU
“Estamos vivendo um momento difícil em que todos os setores, e não apenas o transporte, serão afetados por essas escalas – e quem mais sofre é o trabalhador. Precisamos avaliar com responsabilidade o que teremos pela frente.”
Milton Zanca, presidente da FRESP
Imagens – Divulgação















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