De passivo a ativo ambiental

Não custa nada lembrar que o biometano é uma rica oportunidade para um modelo limpo de tração visando a operação urbana

A transição tecnológica da atual tração a diesel por modelos mais sustentáveis no setor brasileiro de ônibus tem sido a tônica de um debate que envolve diversos setores e especialistas. Tanto eletricidade, como biocombustíveis, são fatores energéticos defendidos para atuar no futuro do transporte urbano.

Num cenário de curto e médio prazo, as cidades poderão contar com a tecnologia a gás natural/biometano que a montadora brasileira Agrale está disponibilizando no mercado como forma de contribuir com o incentivo aos ambientes livres da poluição. A fabricante gaúcha ressalta, neste momento, o desenvolvimento de seu chassi MA 11.000, que em combinação com a carroçaria Volare (marca Marcopolo), forma um veículo adequado para centros urbanos que estabelecem programas de transporte limpo.

O diretor-comercial e de marketing da Agrale, Edson Martins, faz questão de ressaltar que o Brasil tem um potencial muito grande em termos de gás natural ou mesmo o biometano, este último respondendo por resolver os problemas ambientais causados por aterros sanitários, que emitem gases tóxicos continuamente. “O Brasil tem metade de seus municípios numa situação desfavorável, com grandes problemas relacionados aos seus aterros. Com isso, estamos desperdiçando o conteúdo energético dessas áreas, que poderia se transformar em combustível para o transporte escolar e urbano”, observou.

Ainda, segundo o executivo, outras fontes geradoras de biogás também estão localizadas em áreas rurais, com a transformação dos dejetos animais em energia. “Toda essa poluição pode ser transformada em oportunidade energética e em adubo para a agricultura”, comentou.

Chassi MA 11.000 com propulsor a gás natural/biometano

A Agrale quer construir um projeto-piloto que envolva uma usina produtora de biometano e a operação de uma pequena frota de ônibus com tração específica para mostrar essa solução ambiental e a tecnológica. “Queremos uma ação ambiental para melhorar a qualidade de vida e das cidades. Na prática, isso poderá gerar créditos de carbono e reduzir a pegada de carbono. É importante para revelarmos a viabilidade da solução proposta”, disse Martins.

No quesito custo operacional, o diretor da Agrale falou que, no passado, essa questão do uso do gás natural já apresentava uma grande vantagem em termos de valor do quilômetro rodado, numa comparação com o diesel, em terno de 40% a 50% menor, o que pode proporcionar equilíbrio financeiro ao transportador.

Quanto ao novo produto, Martins revelou que está reunindo dados envolvidos no custo do quilômetro rodado para fazer uma comparação entre o gás natural e a versão a diesel. “Também vou utilizar informações relacionadas com o biometano para fazer um comparativo com o diesel. Tenho a expectativa que haverá redução do custo operacional, bem significativa, aliás”.

Em 2001, a Agrale iniciou o desenvolvimento de seu primeiro chassi de micro-ônibus movido a gás natural do Brasil. Em 2003, foi apresentado oficialmente, como toda a homologação necessária para ser um diferencial no mercado. Porém, a falta de continuísmo de planos governamentais (na época a Petrobrás incentivou a criação desse veículo) acabou deixando de lado essa proposta ambiental.

O projeto gaúcho de sustentabilidade ambiental também conta com a parceria da fabricante Volare

Para Edson Martins, o momento ambiental é propício para o surgimento de novas tecnologias de tração dos ônibus urbanos e o conceito tecnológico da montadora gaúcha está à disposição do mercado. “Não há solução única que resolverá os problemas ambientais do transporte. Há espaço para todas as tecnologias, dependendo das condições locais e das necessidades operacionais. Tanto o gás natural, como o biometano, são combustíveis que ainda terão seus momentos certos no segmento, com investimentos e apoio”, afirmou.

O respectivo chassi MA 11.000 tem o motor importado FPT NEF 6, com 200 cv de potência, 600 Nm de torque, seis cilindros, transmissão com seis marchas e tanque para acomodar 380 litros de gás.  

Imagens – Divulgação

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