Decisões para 2024

Um pequeno panorama sobre o transporte coletivo urbano em 2024

Editorial

Todo começo de ano, a imprensa segmentada do transporte de passageiros traz um editorial que procura avaliar e mostrar uma perspectiva sobre os principais aspectos e assuntos envolvidos com a realidade operacional dos ônibus urbanos, principalmente, bem como sobre o que é preciso fazer para melhorar os seus sistemas e serviços. Afinal, a mobilidade é tão fundamental para o desenvolvimento das cidades, que o tema vem, há muito, sendo debatido e questionado.

Porém, decidi que não vou fazer nenhum prognóstico sobre a situação do transporte coletivo brasileiro. Não vou falar sobre o quão é necessária uma mudança de critérios e posturas políticas que visem uma nova imagem ao modal, tão desgastada perante a opinião pública. Enfim, temos tecnologia de sobra para que a eficiência seja parceira nas operações, possibilitando um atendimento à demanda que pede por uma melhor mobilidade.

Também, tomei a decisão de não levar a público o quão é essencial a modernização dos serviços de ônibus para que este seja competitivo perante outros modais e que possa ser atrativo, por meio da previsibilidade, da prioridade e da rapidez em seu fluxo por ruas e avenidas.

Decidi, ainda, que não vou destacar a necessidade por políticas públicas que favoreçam a sustentabilidade ambiental, com a adoção de programas que incentivem os diversos tipos de trações limpas para que possam ser disponibilizados no mercado brasileiro, permitindo que o ônibus seja um indutor do crescimento saudável das áreas urbanas. Aliás, sabemos do valor da indústria nacional em desenvolver os mais variados modelos de propulsão. Ah! Essa tal de transição energética…

Seguindo a mesma postura, decidi que não citarei que os planos e programas consistentes que estão em projetos (diga-se Marco Legal do Transporte e outros instrumentos) com a finalidade de dar um novo impulso aos serviços de ônibus urbanos, numa relação transparente entre poder público e operadores privados, promovendo sustentabilidade financeira, segurança jurídica, financiamento da infraestrutura, de aquisição veicular e das próprias tarifas, que devem ser condizentes ao público, e acessibilidade universal, precisam sair do papel, urgente, para que o transporte coletivo se afaste dessa espiral negativa.

Sobre a Tarifa Zero, assunto debatido numa condição social importantíssima para os muitos formadores de opinião, reforço que minha determinação é pela avaliação muito bem fundamentada para que não haja desacertos em torno de uma política que pode causar impactos negativos aos sistemas. Haja vista, alguém terá que pagar por isso, assim como acontece nos sistemas de educação, saúde e segurança.

Mais uma vez, por decisão própria, não comentarei que as prefeituras, responsáveis por todos os serviços de transporte urbano, precisam estar compromissadas com a causa, de maneira a elevar o padrão operacional, fazendo com que os passageiros possam se deslocar com toda a qualidade. Nisso, decido não repetir que o transporte coletivo não deve ser bandeira de um programa governamental, mas sim de Estado, capaz de se manter sólido e moldado numa cultura onde o que deve prevalecer é a lógica da mobilidade sob o estigma da coletividade.

Enfim, essa decisão de não refletir sobre o tema numa óptica mais abrangente, é porque não quero ficar repetitivo e cansativo, pois o assunto ônibus urbano necessita ser tratado com muita seriedade e capacidade técnica para a sua promoção positiva. Caso contrário, como tem acontecido, as decisões equivocadas têm levado o modal à um nível de qualidade bem abaixo do que lhe é devido.

Imagem – Reprodução

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