As estradas movem a economia brasileira há muitos anos, resultado de políticas públicas que favoreceram o modal do transporte sobre pneus em detrimento aos sistemas de trilhos e hidroviário. Bem ou mal, o fato é que somos dependentes das rodovias, responsáveis pelo protagonismo no transporte de pessoas ou cargas. Mudar essa modalidade implica numa nova mentalidade governamental, tendo como desafios um processo demorado e com altos custos.
Com toda a sua importância no contexto econômico e de desenvolvimento, nada melhor que um constante levantamento para saber da saúde do sistema rodoviário nacional como forma de aplicar o remédio certo aos principais males que causam diversos problemas no transporte. E é isso que a CNT (Confederação Nacional do Transporte) vem realizando nos últimos 30 anos, traçando um panorama sobre os principais aspectos da malha viária e apontando diversas informações relacionadas aos pontos negativos e o que é preciso para o que é preciso em termos de melhora da infraestrutura. O último levantamento aconteceu no ano passado, com a avaliação de 114.197 quilômetros, mostrando avanço no estado geral em relação a 2024.
Em linhas gerais, o estudo, realizado pela CNT e financiado pelo SEST SENAT, revelou que 37,9% da extensão pesquisada (43.301 km) está em condições ótimas ou boas, ante 33,0% em 2024 (36.814 km), representando um avanço de quase 5 pontos percentuais. Já os trechos avaliados como ruins ou péssimos caíram de 26,6% (29.776 km) para 19,1% (21.804 km), uma redução de 7,5 pontos percentuais. A categoria regular manteve proporção semelhante, com 43,0% (49.092 km) neste ano, frente a 40,4% (45.263 km) em 2024.

Um retrato comum do Brasil rodoviário – a falta de manutenção, ainda, prejudica a economia e causa impactos negativos à saúde pública
Os números são motivos para comemoração, porém há muito a se fazer para que a fotografia fique menos desfocada em virtude dos problemas causados pelas ingerências de governos quanto a um contínuo investimento naquilo que move o Brasil. Cabe aqui uma ressalva – com programas de concessão das rodovias à iniciativa privada conseguimos alcançar um patamar mais alto quanto a qualificação da estrutura, não de forma geral, mas em determinados trechos e áreas que proporcionam outro nível de deslocamento.
Em linhas gerais, a Pesquisa CNT revelou as seguintes ocorrências: 10,1% da extensão avaliada foram classificadas como ótimo, 27,8% bom, 43,0% regular, 15,1% ruim e 4,0% péssimo. Em relação ao pavimento, 32,5% da extensão avaliada foram classificadas como ótimo, 11,0% bom, 37,0% regular, 15,0% ruim e 4,5% péssimo. 0,5%, está com o pavimento totalmente destruído. Os números desfavoráveis predominam.
Sobre a sinalização 16,8% da extensão avaliada foram classificadas como ótimo, 33,6% bom, 33,5% regular, 9,7% ruim e 6,4% péssimo. 5,5% da extensão está sem faixa central e 10,0% não tem faixas laterais.
Quanto a geometria da via (traçado), 20,8% da extensão avaliada foram classificadas como ótimo, 17,0% bom, 28,3% regular, 20,7% ruim e 13,2% péssimo. As pistas simples predominam em 85,2%. Falta acostamento em 45,8% dos trechos avaliados e 29,0% dos trechos com curvas perigosas não têm sinalização. Sobre os pontos críticos, a pesquisa identificou 2.146 no País.
As deficiências viárias recaem em toda a sociedade, com custos observados na operação e no produto final aos consumidores. De acordo com a CNT, nas rodovias sob gestão pública, 74,9% apresentam algum problema no pavimento, levando a um aumento de custos operacionais de até 35,8%, 17,4 pontos percentuais a mais do que nas rodovias concedidas. Já nas rodovias concedidas, 46,7% apresentam algum tipo de irregularidade no pavimento, o que resulta em um aumento nos custos operacionais para os transportadores de até 18,4% em relação ao pavimento ótimo.

Trechos sob concessão privadas são os melhores avaliados
Estimativas da pesquisa mostram que em 2025 houve um consumo excessivo de 1,2 bilhão de litros de diesel devido à má qualidade do pavimento da malha rodoviária no País, desperdício que gerou um prejuízo R$ 7,21 bilhões aos transportadores e uma emissão de 3,22 milhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera.
A entidade representativa, ainda, salientou que as condições das rodovias exercem um papel importante na ocorrência de acidentes, visto que falhas na infraestrutura, como buracos, desníveis no pavimento e outras irregularidades, oferecem riscos imediatos e podem levar os motoristas a realizarem manobras bruscas, frequentemente culminando na perda de controle dos veículos. O prejuízo gerado pelos acidentes foi de R$ 16,79 bilhões em 2024, sendo que no mesmo ano o governo gastou R$ 14,04 bilhões com obras de infraestrutura rodoviária de transporte.

Um horizonte que depende de muito investimento para que a infraestrutura seja a melhor
Sobre investimentos, a CNT calcula que, para recuperar as rodovias no Brasil, com ações emergenciais (reconstrução e restauração) e manutenção, serão necessários R$ 101,10 bilhões. “Esta edição comprova que investimentos em infraestrutura geram resultados concretos. Reconhecemos os avanços recentes e os esforços do poder público para ampliar e qualificar a malha rodoviária brasileira. Já é possível perceber uma retomada no ritmo necessário de investimentos, mas é fundamental mantê-lo e ampliar ainda mais os recursos destinados ao setor”, afirmou Vander Costa, presidente do Sistema Transporte.
Contudo, a falta de investimentos na melhoria das estradas, que provocam consequências irreparáveis para a vida e o bem-estar dos usuários, também, geram impactos financeiros significativos causados pelos acidentes, que incluem despesas médicas, perda de produtividade e danos materiais que podem ser estimados. De 2016 a julho de 2025, os custos totais desses acidentes em rodovias federais chegaram a R$ 149,67 bilhões.
Concessões
Promover um programa de parcerias público-privadas (PPPs) patrocinadas para a manutenção de rodovias, diminuindo, assim, a pressão sobre o orçamento.
Fomentar a maior participação internacional no financiamento das infraestruturas por meio de parcerias com organismos bilaterais e multilaterais.
Ampliar a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na estruturação, no financiamento e como provedor de garantias de projetos de infraestrutura rodoviária.
Ampliar projetos com o uso de project finance
Imagens -Divulgação












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