Não precisa de IA para saber

O sistema BRT (em português - Trânsito Rápido de Ônibus) é amplamente considerado uma solução eficiente para a mobilidade urbana em grandes e médias cidades brasileiras

Por Osvaldo Born, entusiasta e estudioso do setor de mobilidade e transporte, além de usuário de ônibus

Há cerca de dois ou três anos, nos tornamos dependentes da evolução de uma tecnologia que chamamos de “Inteligência Artificial” (IA). Nas redes sociais, no ambiente de trabalho, na escola, onde quer que estejamos, tudo está permeado pela IA. Seja como recurso de apoio ou como substituto das ferramentas de busca, não pode faltar uma consulta a um dos recursos para produzir um texto (frisando que este texto que você está lendo foi feito por inteligência humana), para identificar o local de uma foto ou mesmo para ter certeza de um fato. Uma rápida pesquisa no Google Gemini, por exemplo, nos traz a seguinte conclusão para a questão “o sistema BRT é bom para as cidades brasileiras?”:

“O sistema BRT (em português – Trânsito Rápido de Ônibus) é amplamente considerado uma solução eficiente para a mobilidade urbana em grandes e médias cidades brasileiras, especialmente pela sua flexibilidade e custo de implementação. No entanto, sua eficácia depende diretamente da qualidade da infraestrutura e da manutenção”.

Ora, nem seria preciso uma IA para nos responder o óbvio. O BRT é uma solução eficiente para a mobilidade, pois ele reúne atributos positivos do ônibus como a flexibilidade com aqueles proporcionados por sistemas de maior capacidade em termos de embarque rápido e boa velocidade de deslocamento. Mas, é claro, como a própria resposta da IA também nos evidenciou, ele precisa de qualidade da infraestrutura, e isso significa veículos diferenciados e estrutura viária adequada, terminais e pontos de parada amplos, entre outros.

Ônibus de pequeno porte e motorização dianteira não poderiam ser considerados em um sistema de grande porte, troncal. Dividir espaço com automóveis nas ruas e parar em interseções em nível a cada esquina, também, não fazem parte do pacote de eficiência. E, por fim, dotar os eixos de simples paradas com uma cobertura para os usuários aguardarem o transporte, complementa o panorama de horror que muitos gestores proporcionam, chamando sistemas de transporte anabolizados de BRT.

E a cidade de Curitiba, um dos berços do modelo BRT de transporte coletivo, sempre fez a lição de casa, cumprindo todos os requisitos. E agora difunde, por meio do Governo Estadual, o modelo de eficiência para mais dois municípios da região metropolitana, com a ampliação do eixo BRT da Linha Verde – avenida que substituiu o antigo trecho urbano da BR116 na capital paranaense, e parte do início da BR476, sem passagem pela área central. As cidades de Colombo, ao norte, e Fazenda Rio Grande, ao sul, são as contempladas no projeto do BRT metropolitano, ou, como está sendo oficialmente chamado, Eixo Norte Sul Metropolitano.

Os extremos da Linha Verde já contemplam a integração destes municípios limítrofes, inclusive com o uso de veículos de alta capacidade e embarque em nível. Mas, agora a receita será complementada com a implantação de canaleta exclusiva no meio das rodovias, sendo 5,9 km na ligação com Colombo e 17,5 km para Fazenda Rio Grande, com um total de R$ 6,1 milhões de investimento e a construção de um novo terminal de transporte no eixo Sul.

A opção de prioridade resolve grandes desafios de mobilidade entre a capital e estas cidades que, especialmente em horário de pico, concentram intenso fluxo, especialmente na entrada e saída ao sul para Fazenda Rio Grande, cidade que teve o maior crescimento populacional em termos percentuais nos últimos dois anos de acordo com o Censo (alta de 8,49%, totalizando agora uma população de cerca de 160 mil habitantes).

Veículos articulados com embarque em nível possibilitarão a redução do tempo de viagem, considerando os extremos, em torno de 45 minutos a 1 hora, com as estações preparadas para atendimento com veículos biarticulados também, se houver necessidade de ampliação da oferta.

Apesar da constante crítica de motoristas à Linha Verde que vem sendo implementada há cerca de 20 anos e não previu a transposição com trincheiras (como são chamados os túneis em Curitiba) e/ou viadutos diversos, cruzamentos em nível, o sistema de ônibus expresso municipal em atividade tem uma velocidade surpreendente, chegando a ligar os 41 quilômetros do extremo norte (Estação Atuba) ao sul (Terminal Pinheirinho) em cerca de 40 minutos, com 14 estações intermediárias. O eixo deve ganhar ainda mais eficiência com a conclusão das obras da trincheira junto à estação Vila São Pedro (obras iniciadas) e a complementação dos viadutos do sistema trinário do eixo Boqueirão, eliminando semáforos nestes cruzamentos.

Imagens – Osvaldo Born

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *