*Patricia Rito
Diante da escalada dos custos do petróleo — intensificada pelos conflitos no Oriente Médio e pela instabilidade geopolítica — o transporte coletivo urbano brasileiro chega a um ponto de inflexão. A dependência de combustíveis fósseis deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a representar um risco direto à previsibilidade econômica, à estabilidade contratual e à própria sustentabilidade do sistema.
A transição energética, antes tratada como agenda de médio prazo, impõe-se agora como vetor estratégico imediato. Biocombustíveis avançados, eletrificação da frota, hidrogênio e soluções híbridas passam a integrar o núcleo das decisões públicas e privadas, exigindo mais do que investimento: requerem segurança jurídica, coerência regulatória e inovação nos modelos de contratação.
Entretanto, o avanço ainda ocorre de forma assimétrica e, muitas vezes, reativa. Persistem entraves estruturais relevantes, como a ausência de planejamento integrado entre mobilidade e matriz energética, limitações no acesso a financiamento, insegurança regulatória e baixa padronização tecnológica.
Mais do que substituir combustíveis, o desafio consiste em redesenhar o modelo de prestação do serviço, conciliando eficiência operacional, modicidade tarifária e sustentabilidade de longo prazo.
Nesse contexto, surge o questionamento: Estamos conduzindo uma transição energética estruturada — ou apenas reagindo às crises do petróleo?
Até quando o transporte coletivo urbano no Brasil conseguirá sustentar sua dependência de combustíveis fósseis?
Mais do que uma pauta ambiental, a transição energética tornou-se uma questão de previsibilidade de custos para assegurar a segurança operacional e a estabilidade contratual
Não basta a troca do diesel por novas fontes. É necessário investir na capacitação do setor, para que ele possa atravessar com resiliência os desafios do atual cenário de incerteza e, deste modo, redefinir o modelo de mobilidade urbana com eficiência, sustentabilidade e viabilidade econômica.
Imagens – Acervo pessoal e IA

*Patricia Rito é advogada, especialista em Regulação em infraestrutura e transporte público, diretora Jurídica da SUMOB – Superintendência de Mobilidade do município de Belo Horizonte













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