Com um volume que pode alcançar 2,2 bilhões de metros cúbicos de biogás, o potencial goiano na produção desse combustível renovável coloca o estado em um patamar de destaque no processo de descarbonização, principalmente no segmento do transporte de passageiros e carga.
É o que diz o estudo desenvolvido pelo Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), em parceria com o RedeMob Consórcio, que aponta a grande produção de biogás e biometano no estado de Goiás, reforçando a viabilidade do uso desse combustível no transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia.
De acordo com o levantamento, com base em dados do Atlas do Biogás do Estado de Goiás, esse potencial de 2,2 bilhões de m³ de biogás por ano corresponde a aproximadamente 331,8 mil GWh/ano de energia, a partir de diferentes fontes como agricultura, pecuária, agroindústria e resíduos urbanos.
Em linhas gerais, o biometano pode ser gerado por meio de culturas como cana-de-açúcar, milho, soja e mandioca, fatores que apresentam elevado potencial energético, assim como atividades da pecuária e da agroindústria, incluindo setores como açúcar e álcool, biodiesel, laticínios e frigoríficos.
Outro detalhe é que os resíduos urbanos são fontes de energia para a produção do biocombustível, ampliando as possibilidades de geração de energia limpa no estado. Dessa maneira, segundo o estudo, há a viabilidade do uso dessa energia limpa como combustível para a frota da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), dentro do processo de renovação dos ônibus em curso.
Laércio Ávila, diretor-executivo do Consórcio BRT de Goiânia, destacou que o potencial identificado no estudo reforça o papel estratégico de Goiás na produção de energia limpa e na transição do transporte coletivo para uma matriz mais sustentável. “Estamos falando de um volume expressivo de produção, que coloca o estado em uma posição privilegiada para aproveitar seus próprios recursos e avançar na descarbonização do sistema. O biometano surge como uma alternativa viável, tanto do ponto de vista ambiental quanto operacional, especialmente em um cenário de renovação da frota”, disse.

Estudo mostra a projeção do biometano como alternativa comercial para a descarbonização das frotas de veículos comerciais no Brasil
Mas, não é só o biocombustível que é abordado pelo estudo. Há, nesse trabalho, uma análise sobre o estágio de desenvolvimento de biocombustíveis avançados do tipo drop-in, como o HVO (diesel verde) e o diesel de cana, pois o Brasil ainda se encontra em fase inicial de amadurecimento dessas tecnologias, com expectativa de maior viabilidade comercial apenas no médio e longo prazo.
Para a análise, foram consideradas duas frentes principais: o mapeamento da oferta de biometano no estado em diferentes horizontes de tempo e a modelagem do custo total de operação (TCO), comparando alternativas de motorização de ônibus a diesel com opções a gás natural abastecidas com o bicombustível.
Ávila, ainda, observou que a utilização do biometano no transporte coletivo representa uma oportunidade de integrar diferentes cadeias produtivas e impulsionar o desenvolvimento regional. “Além de reduzir as emissões, o uso desse combustível permite transformar resíduos em energia, criando um ciclo mais eficiente e sustentável. É uma solução que alia inovação, viabilidade econômica e aproveitamento de recursos locais, contribuindo diretamente para o fortalecimento de uma mobilidade urbana mais limpa e estruturada”, concluiu.
O estudo mostra resultados que indicam que o combustível renovável se apresenta como uma alternativa estratégica para a redução de emissões no transporte coletivo, com potencial de contribuir para a transição energética do setor, aliando sustentabilidade, viabilidade econômica e aproveitamento de recursos locais.
Imagens – Revista AutoBus e divulgação













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