Diesel em alta complica ainda mais o ônibus

E, mais uma vez, quem irá arcar com o reajuste dos preços do combustível e das tarifas será o pobre passageiro

O recente aumento do preço do diesel provocou o aumento das manifestações negativas vindas do setor de transportes. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) confirma que o segmento irá sofrer maiores prejuízos operacionais, com riscos de faltar ônibus para circular fora dos horários de pico, caso os sucessivos aumentos de custos não sejam compensados de alguma forma. “Temos cidades que já fizeram seus reajustes tarifários anuais e outras que adotaram subsídios emergenciais ou permanentes, a situação varia. Mas a grande maioria dos operadores não têm fôlego financeiro para enfrentar mais esse reajuste e terão que suspender o serviço fora dos horários de pico”, disse Francisco Christovam, presidente da NTU.

De acordo com a entidade, a redução da oferta vai variar caso a caso, segundo as condições de cada contrato. “Quem não conseguir apoio do poder público e não tiver recursos será obrigado a cortar a frota. Dependerá da situação financeira de cada empresa neste momento”, lamentou o executivo.

A questão tem um ponto essencial que deve ser levado em consideração – como resolver a escalada do diesel e consequente reajustes na tarifa? Christovam avalia que a solução seria a adoção de mecanismos para a estabilização dos preços dos combustíveis, que vão da reformulação da estrutura tributária incidente sobre o diesel à adoção de políticas de preços especiais para setores essenciais como o de transporte público. “O consumo de diesel do transporte público por ônibus nas cidades e regiões metropolitanas é de apenas 5% a 6% do total do consumo nacional e ter uma política diferenciada para esse segmento não impactaria significativamente a política de preços dos combustíveis”, observou ele.

O transporte urbano já vem sofrendo um revés em sua imagem há tempos, por não se renovar e acompanhar a modernidade em sua estrutura operacional e na modalidade de financiamento que lhe permite a sustentabilidade. Há soluções que devem ser praticadas urgentemente, como a alternativa da separação entre a tarifa pública (que o passageiro paga), da tarifa técnica, ou de remuneração dos custos das operadoras, com a diferença sendo arcada pelo poder público, segundo informou a NTU. “Assim, os aumentos de custo decorrentes dos reajustes do diesel podem ser compensados sem onerar a tarifa do passageiro pagante, que já está excessivamente sacrificado com a alta da inflação”, lembrou Christovam.

E, mais uma vez, quem irá arcar com o reajuste dos preços do combustível e das tarifas será o pobre passageiro, que não tem para onde correr, se quiser e necessitar utilizar o tão surrado sistema de transporte coletivo.

Imagem – Reprodução da internet

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