Abrindo a tampa do baú

Numa viagem pelo túnel do tempo, os GM´s de antigamente

O cacique da tribo e o seu clone? Numa rápida olhada, pode-se dizer que os dois modelos de ônibus que constam neste artigo de resgate ao passado sejam iguais. Mas, ficam somente na possibilidade. Na verdade, a intenção foi de desenvolver um veículo nacional para aplicação rodoviária que tivesse um aspecto visual muito próximo ao do modelo importado dos Estados Unidos. Explico melhor abaixo.

O Mandachuva ou Morubixaba, termo indígena brasileiro, foi adotado pelo então proprietário da Viação Cometa, transportadora paulistana que importou dos EUA um tipo de ônibus muito pouco visto por aqui, lá nos idos de 1954. Denominado de GM PD 4104 (PD – Parlor Diesel) 4104 – 41 o número de poltronas e 04 a identificação do projeto/modelo -, ele foi considerado a versão de ônibus mais moderna para aquele tempo.

Sua estrutura era toda em alumínio especial, com os pontos de fixação dos componentes mecânicos em aço, chapeamento externo também em alumínio, vidros Ray Ban, sistema de ar-condicionado com motor independente, carroçaria monobloco, suspensão a ar (algo não imaginado por aqui naquele período) e motor Detroit Diesel (6-71), com seis cilindros em linha, 2 tempos (com típica fumaça branca no acelerar), 211 cv de potência e fixação transversal e inclinada na parte traseira, além de transmissão com quatro marchas da Allison.

Interior do GM PD 4104, muito conforto para a época

O veículo foi o divisor de águas no mercado brasileiro, pois marcou o fim da era dos modelos de ônibus importados e o início de um novo ciclo para a indústria brasileira de carroçarias e chassis, que se afirmou como uma das mais importantes do mundo. Sua aquisição quebrou os paradigmas simplistas até então vistas nos ônibus brasileiros e estes nunca mais foram os mesmos com a chegada do modelo estrangeiro.

Esse modelo de ônibus conquistou uma geração de admiradores que até hoje têm boas recordações, se transformando em um ícone das estradas.

Já o produto nacional, fora apresentado em 1959 e era montado sobre o chassi dos ônibus GM ODC 210 (produzidos aqui desde 1950) e que constituía a maioria da frota da Viação Cometa na época. A pedido da própria operadora, foi desenvolvido um produto com um design similar aos dos Morubixabas no intuito de padronizar a frota no padrão do modelo importando, intento esse só foi conseguido quase 20 anos, depois com a operação das carroçarias modelos Dinossauro e Flecha Azul.

O similar nacional foi produzido pela encarroçadora paulistana Striuli e, para não sair fora da sintonia de ter um nome nativo, o veículo foi apelidado de Cururu (dança indígena) e contava com o motor Detroit Diesel (4-71) de 4 cilindros e 147 cv de potência, o mesmo da versão do ODC, e 32 poltronas.

Percebe-se pelas imagens que, muitos detalhes foram seguidos fielmente e outros nem tanto, isso em termos de desígnio externo. Claro que a estrutura do GM PD 4104 original tinha uma concepção diferenciada e única e que a do modelo brasileiro era o resultado de uma proposta adotada pela engenharia nacional (carroçaria e chassi), com menor tamanho. Nesse caso, as aparências enganam.

Semelhanças que enganam

A Viação Cometa possuiu 30 unidades do modelo norte-americano, para uso exclusivo na linha São Paulo – Rio de Janeiro (entre 1954 e 1973), oferecendo satisfação plena ao passageiro nessa rota. Segundo informações obtidas, após a desativação operacional do modelo GM PD 4101, foram preservadas apenas duas unidades, as de números 502 e 522, e o restante foi desmontado, pois o devido ao sucesso nesses quase 20 anos de operação, a transportadora não queria ver os veículos em mãos de terceiros e em péssimo estado rodando por aí. Seria como preservar a imagem de um ídolo ou de um campeão para que ele não sofresse desgaste desnecessário.

Já a respeito do Cururu, foram produzidas apenas 15 unidades como um experimento e colocadas em operação por linhas de curtas e médias distâncias.

Em tempo. Outro desenvolvimento, em termos de ônibus, fora adotado pela Viação Cometa, como mais um experimento, utilizando a mesma carroceria do Cururu e o chassi do ODC, contudo com o motor de 6 cilindros e outras partes mecânicas diferenciadas, resultando num veículo com aparência mais moderna e mais potente para as viagens em rotas mais longas. Ele também recebeu um apelido indígena de Morecobiara (substituto ou sucessor na língua nativa).

Imagens – Tony Belviso

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