O mercado de ônibus no Brasil, nos primeiros seis meses do ano, mostrou-se resiliente frente aos desafios de uma economia orientada pelos juros altos e falta de sintonia governamental em proporcionar um desenvolvimento sustentável e equilibrado à toda sociedade. Outras questões, como o desgaste da infraestrutura viária, o pouco interesse em modernizar os serviços e as operações do transporte coletivo urbano sobre pneus e a demora na aprovação do Marco Regulatório do setor que poderia dar novos rumos à mobilidade nas cidades, também, fazem parte do cotidiano do ônibus. Porém, tudo isso não impediu que o segmento industrial apresentasse números positivos, tanto em chassis, como nas carroçarias.
Por parte das fabricantes de carroçarias, foram produzidas 13.145 unidades entre janeiro e junho deste ano. Segundo a Fabus, entidade nacional que reúne as encarroçadoras, o Grupo Marcopolo lidera o setor com 6.133 carroçarias, incluindo a marca Volare. Em segundo lugar ficou a Caio, com 3.728 unidades, seguida pela Mascarello, com 1.567, Comil e suas 893 unidades, Busscar com 494 e Irizar com 330 carroçarias. Os modelos urbanos foram os mais produzidos, com 4.783 unidades. Quanto as carroçarias rodoviárias, foram feitas 3.640 unidades. Já as de micro-ônibus foram 2.839. Completam a lista 205 para miniônibus e 133 intermunicipais.
Ruben Antonio Bisi, presidente da Fabus, comentou que o mercado brasileiro continua apresentando números positivos, com crescimento na produção de ônibus, puxado por algumas considerações como o maior PIB interno, o aumento das viagens de turismo e em linhas regulares, com o investimento em modelos mais luxuosos e confortáveis, além do programa Caminho da Escola e na renovação da frota urbana. “No mesmo período do ano passado foram produzidas 12.591 carroçarias. Hoje, apesar da alta taxa de juros, que atinge negativamente toda a cadeia produtora de ônibus e, ainda, os nossos compradores, o mercado tem se mostrado otimista, continuando a renovar sua frota”, observou.
Conforme citado, outros fatores incentivam a produção e compra das carroçarias, como os ônibus escolares e o transporte urbano. Segundo Bisi, o Caminho da Escola vai puxar os números para cima, com compras que podem atingir até 7.500 unidades neste ano e o Refrota, apoio governamental para a renovação dos ônibus urbanos. “Temos visto uma maior renovação da frota urbana por conta do programa federal que aporta recursos, além de muitas cidades estarem financiando os sistemas. Isso tem feito com que as empresas invistam na compra de novos ônibus, num setor que vem perdendo passageiros e sentiu demais os impactos causados pela Pandemia. Hoje, o mercado tem apresentado números positivos”, ressaltou o executivo.
Quanto ao segundo período deste ano, Bisi citou uma sequência da imagem positiva, com uma perspectiva para se alcançar os mesmos volumes do ano passado. “Claro que no Brasil tudo pode acontecer, mas eu vejo o mercado atingindo 27 mil ônibus novos neste ano”.
Em relação ao processo de descarbonização do transporte coletivo, o executivo da Fabus disse que a entidade tem trabalhado no sentido de contribuir com os sistemas para a adoção das tecnologias limpas. De acordo com ele, no sentido da eletrificação dos ônibus, é preciso levar em consideração alguns aspectos, como o alto custo de aquisição dos ônibus elétricos e da falta da infraestrutura de abastecimento da energia. “Não há dúvidas que estamos caminhando para a eletricidade, contudo, temos que olhar para outras alternativas limpas, como os biocombustíveis, para serem utilizadas em nossos ônibus. Teremos uma transição energética lenta em virtude de muitos fatores, como a falta de planejamento. Mas, entendo que o Brasil tem condições para as múltiplas formas energéticas para se atingir a propulsão limpa”, disse Bisi.
O presidente da Fabus destacou que, para os ônibus elétricos funcionarem plenamente, há sistemas de armazenamento de energia elétrica para suprirem suas recargas, conhecidos como BESS – Batery Energy Storage Systems – capazes de contribuir com a operação por algum tempo, evitando que os veículos fiquem parados.
Ainda, no assunto da eletrificação dos sistemas, o executivo chamou a atenção para a defesa da indústria nacional, capaz de produzir ônibus elétrico de acordo com a demanda local e até de outras regiões da América Latina, não sendo necessária a importação de produtos chineses ou de quaisquer outros países, pois temos tecnologia e conhecimento para atender o mercado.
Chassis
Para a Anfavea, associação das fabricantes de chassis, dentre os segmentos automotivos, o setor de ônibus apresentou a melhor notícia, com alta de 7,3% na produção e de 31,3% nas vendas. Foram emplacados, no primeiro semestre, 11.614 chassis e produzidos 15.742 unidades.
No mercado, a Mercedes-Benz teve 5.020 chassis emplacados, 21,5% acima do acumulado de janeiro a junho de 2024 (4.133 unidades), seguida da Volkswagen Caminhões e Ônibus, que vendeu 2.936 veículos, com alta de 38,8% sobre o mesmo período do ano passado (2.115 unidades). Já a Agrale, ficou em terceiro lugar, com 1.641 ônibus, expansão de 11,0% sobre o mesmo período de 2024 (1.479 unidades).
A Iveco Bus comercializou 1.175 chassis até junho, aumento de 117,6% em relação ao ano passado, com 540 unidades. A Scania vendeu 381 veículos, crescimento de 18,7% (321 unidades em 2024) e a Volvo comercializou 292 ônibus, 13,2% a mais em relação ao primeiro semestre de 2024, com 258 unidades.
No mix de produtos, os chassis rodoviários tiveram 58,8% de participação no mercado (3.503 unidades), se comparado com o ano passado, quando o volume alcançou 2.206. No segmento de urbanos, neste ano houve uma retração de 1,8%, com 12.239 veículos.
Imagens – Revista AutoBus
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