Inteligência Artificial: Riscos & Oportunidades

Como a IA pode ajudar a melhorar a mobilidade urbana

Por Roberto Sganzerla, especialista em Marketing em Transportes e Mobilidade Urbana

A publicitária Stephanie Jorge e o jornalista Caio Túlio Costa, publicaram um interessante artigo na Folha de 07 de novembro de 2024, intitulado “Nova geração de nativos algorítmicos viverá em simbiose com IA”.

Os autores argumentam que depois da passagem dos nativos analógicos para os nativos digitais, a humanidade vive hoje a transição para a era dos nativos algorítmicos, geração que será moldada pela influência determinante da inteligência artificial. A transformação pode criar uma nova identidade humana, em que a tecnologia deixará de ser uma ferramenta externa para se tornar parte intrínseca da experiência individual.

A geração analógica nos lembra de tempos em que os jornais eram impressos em papel, livros físicos ocupavam muito espaço nas estantes e as interações sociais dependiam de encontros presenciais ou de ligações telefônicas que, muitas vezes, exigiam paciência até que alguém estivesse disponível. Era uma época em que carros só funcionavam com motoristas humanos, e as crianças corriam pelas ruas, longe das telas que definem as infâncias contemporâneas.

Os nativos analógicos vieram de uma época em que o progresso tecnológico caminhava em outro ritmo. Eles cresceram sem a internet, sem smartphones, sem a constante interação com telas. Suas vidas eram marcadas por tecnologias que hoje parecem primitivas: máquinas de escrever, televisões de tubo e telefones fixos.

O termo nativo digital apareceu pela primeira vez em 2001, cunhado por Marc Prensky, escritor americano e especialista em educação, no artigo “Digital natives, digital immigrants “. Ele falava de gerações que nasceram em um mundo no qual computadores, videogames e, mais tarde, a internet, se tornaram parte integral da vida cotidiana.

As crianças que nasceram após os anos 1980 não conhecem outra realidade que não seja definida pela presença constante da tecnologia. Elas não precisaram aprender a “entrar” nesse mundo digital, porque já nasceram dentro dele. Assim como um peixe não percebe a água ao seu redor, os nativos digitais raramente se questionam sobre a onipresença dos dispositivos, redes sociais ou algoritmos que moldam suas experiências.

Para a geração analógica, o salto para o digital representou uma transformação drástica, e muitos se viram obrigados a se adaptar a novas e desconhecidas realidades tecnológicas. Isso não foi um processo simples; exigiu aprendizado, adaptação e carregou, em muitos casos, resistência. Lidar com a transição para o digital foi mais do que aprender a usar um novo dispositivo —foi uma mudança de mentalidade, uma reconfiguração da maneira como se comunicavam, trabalhavam e viviam.

Mas, agora, algo novo está emergindo. Se os nativos digitais nasceram integrados ao mundo da tecnologia e os nativos analógicos tiveram de se adaptar, estamos à beira de uma nova transição: a era dos nativos algorítmicos. Essa nova geração crescerá em um ambiente onde a IA (inteligência artificial) estará presente desde os primeiros momentos de suas vidas.

Diferente dos nativos digitais, que aprenderam a interagir com smartphones e redes sociais, os nativos algorítmicos terão suas vidas profundamente moldadas e direcionadas por algoritmos. Não será apenas uma questão de usar a tecnologia como ferramenta —ela será um elemento intrínseco de sua formação e de suas experiências diárias.

Os autores com este artigo, têm como objetivo propor semanticamente duas denominações possíveis para essa nova e futura realidade:

Geração sintética: denominação para aqueles que crescerão em um ambiente onde a IA participa ativamente de todas as esferas da vida;

Nativos algorítmicos: aqueles cuja vida será profundamente influenciada por algoritmos, em todos os aspectos. Não será mais uma questão de escolha, mas de coexistência

Riscos e benefícios da IA para a Humanidade

Elon Musk listado como uma das pessoas mais influentes do mundo pela Time e pela Forbes e considerado a pessoa mais rica do mundo, com sua fortuna ligada principalmente à Tesla e SpaceX, também é um grande defensor de tecnologias limpas, incluindo energia renovável e transporte sustentável. Enquanto promove tecnologias avançadas, Musk também alerta para os riscos da IA descontrolada.

Ele tem se posicionado de forma consistente sobre os riscos e benefícios da inteligência artificial (IA) para a humanidade. Embora ele reconheça o potencial transformador e benéfico da IA, frequentemente expressa preocupações sobre os perigos associados ao seu uso descontrolado e à falta de regulamentação adequada. Aqui estão os principais pontos de sua visão:

Superinteligência fora de controle: Musk acredita que sistemas de IA superinteligentes, se mal controlados, podem escapar ao controle humano ou até desenvolver objetivos incompatíveis com o bem-estar humano.

Impacto na economia e empregos: Ele teme que a automação avançada possa levar ao desemprego em massa, criando desigualdades sociais significativas.

Armas autônomas: Musk é um crítico fervoroso do desenvolvimento de armas baseadas em IA afirmando que elas podem desestabilizar geopoliticamente o mundo e facilitar conflitos.

Falta de regulamentação: Ele acredita que os avanços em IA estão acontecendo tão rápido que os governos e instituições reguladoras não estão acompanhando o ritmo, o que pode resultar em consequências desastrosas.

Ações para mitigar riscos

OpenAI: Musk foi um dos fundadores da OpenAI, uma organização cujo objetivo inicial era garantir que a IA avançada beneficiasse toda a humanidade. Embora tenha se distanciado da gestão direta da organização, ele continua apoiando esforços para o desenvolvimento responsável de IA.

Advocacia por regulamentação: Ele defende a criação de regulamentações e diretrizes éticas para o desenvolvimento e o uso de IA, sugerindo que a supervisão governamental é essencial para evitar abusos.

Sensibilização pública: Musk frequentemente utiliza sua visibilidade para alertar o público e líderes mundiais sobre os perigos da IA descontrolada.

Apesar de suas preocupações, Musk reconhece os benefícios potenciais da IA, como:

  • Melhorias na saúde, incluindo diagnósticos mais rápidos e precisos.
  • Soluções para problemas complexos, como mudanças climáticas.
  • Automação que pode aumentar a eficiência e reduzir custos em diversas indústrias.

Musk fundou a Neuralink, uma empresa focada em interfaces cérebro-máquina, com o objetivo de “alavancar” o poder da inteligência humana para acompanhar os avanços da IA. Ele acredita que isso pode ser uma forma de integrar humanos e IA de forma benéfica, em vez de competir com sistemas superinteligentes.

Ele comumente enfatiza que “com a IA, estamos brincando com fogo”, então ele reforça que, embora o progresso seja inevitável, é essencial tratar a IA com cautela para evitar consequências imprevistas para a humanidade.

Elon Musk já comentou diversas vezes sobre o impacto da tecnologia no transporte, incluindo inteligência artificial (IA). Ele acredita que a IA pode desempenhar um papel crucial na transformação do transporte público, embora suas visões frequentemente incluam uma combinação de tecnologias avançadas, como veículos autônomos e infraestrutura inovadora.

Ao integrar tecnologias avançadas com um foco no bem-estar e nas necessidades humanas, a IA pode transformar a mobilidade em uma experiência mais acessível, empática e humana, priorizando o conforto, a segurança e a inclusão de todos os passageiros.

Imagem – Divulgação

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