No mundo de hoje, o transporte coletivo realizado pelo ônibus ocupa um papel estratégico na construção de cidades mais sustentáveis, inclusivas e eficientes. Em um cenário marcado pelo crescimento urbano acelerado (em muitos casos desordenado), pelas mudanças climáticas e pela necessidade urgente de reduzir emissões de gases de efeito estufa, o ônibus está presente no cenário por sua afirmação como uma das soluções mais acessíveis, versáteis e eficazes visando a mobilidade sustentável.
Muito além de um meio de deslocamento, ele é um instrumento de transformação social, econômica e ambiental, que está inserido nas transformações e na transição energética com vistas ao menor impacto ambiental, visto que substitui o transporte individual com vantagens expressivas nestes aspectos. Por isso, nada mais salutar do que destacar sua eficácia junto a capacidade de incorporar inovações e tecnologias alternativas, por meio das energias limpas e viáveis que temos por aqui.
Ao transportar um grande número de passageiros, o ônibus já parte de uma vantagem estrutural em relação ao transporte individual, ao otimizar o uso do espaço urbano e da energia por passageiro transportado, reduzindo proporcionalmente a geração de poluentes. É comum atribuir a poluição ao ônibus a diesel, mas isto é passado: os novos motores PROCONVE P8 emitem menos material particulado por litro de combustível queimado do que um automóvel novo com motor de injeção direta.
Complementarmente, na transição para uma matriz energética mais limpa, o modal assume o protagonismo ao incorporar novas tecnologias, como veículos elétricos, híbridos, movidos a biocombustíveis, biometano ou hidrogênio. Contudo, há diversos aspectos que envolvem sua operação, como a tecnologia disponível, os custos e a eficiência energética que devem ser priorizados de acordo com a aplicação, considerando cada caso.
Nesse contexto, a revista AutoBus pretende apresentar uma série de artigos que têm como objetivo mostrar, de forma clara e aprofundada, como o transporte realizado pelo ônibus pode contribuir decisivamente para a sustentabilidade ambiental. Serão abordados temas como a redução de todas as emissões e da pegada de carbono, aumento da eficiência energética, a renovação de frotas com tecnologias mais limpas, o uso de combustíveis alternativos, a eletrificação e a combinação de todas essas variáveis para a otimização de cada caso de transporte, além do impacto positivo na diminuição do congestionamento urbano e da poluição do ar.
Outrossim, é preciso saber como a previsibilidade dos custos energéticos, especialmente no caso da eletricidade e dos biocombustíveis de produção local, poderá contribuir para a maior estabilidade financeira dos sistemas de transporte. Em meio a isso, a redução de custos com a saúde pública e a diminuição dos impactos ambientais, elementos que nem sempre são contabilizados, diretamente, nas planilhas operacionais, necessitam ser reforçados para melhor compreensão da viabilidade econômica do ônibus como vetor da transição energética e da redução da poluição do ar e do efeito estufa, que são coisas diferentes e geralmente confundidas.

As matrizes energéticas podem ser variadas para o transporte coletivo urbano
E é isso que ao longo dos próximos textos iremos pautar sobre os desafios enfrentados pelo setor, as inovações tecnológicas em curso e já disponíveis e as políticas públicas necessárias para fortalecer o transporte coletivo como eixo central da mobilidade urbana sustentável. O objetivo é fomentar a reflexão, informar e estimular o debate sobre o papel fundamental do ônibus na construção de um futuro mais equilibrado, saudável e comprometido com o meio ambiente.
Opção sustentável para o transporte urbano
Como um dos principais meios de deslocamento coletivo das pessoas no ambiente das cidades, de médio e grande porte, tendo, ainda, importante representação na organização do espaço urbano e distribuição dos grandes eixos de transporte por trem e metrô, o ônibus tem como uma de suas principais características a flexibilidade operacional, pois diferentemente de outros modais, pode se adaptar a itinerários, horários e frequências de acordo com a demanda da cidade, atendendo desde áreas centrais até bairros periféricos, densamente povoados.
Quando integrado a corredores exclusivos, faixas preferenciais e sistemas inteligentes de transporte, o ônibus ganha eficiência, regularidade e maior atratividade para o usuário. Hoje, seguindo o contexto do desempenho em harmonia com a estrutura específica à boa operação, existem diferentes tipos de veículos, desenvolvidos para atender às variadas necessidades da mobilidade urbana. E neste aspecto, a desejada eletrificação ainda se subdivide em três categorias principais: o trólebus e sua maior eficiência, com duas versões (tradicional e aquela que conta com um pequeno banco de baterias para operar em áreas sem a rede aérea); os ônibus a baterias com maior mobilidade, mas menor eficiência e maior peso; e a tração híbrida diesel-elétrica.
Dentre as categorias existentes, o micro-ônibus é indicado para linhas de menor demanda ou vias estreitas, garantindo a capilaridade ao sistema, atendendo pequenas demandas de passageiros.
Já o ônibus convencional é o modelo mais comum utilizado, tendo uma configuração básica em que o motor está localizado na frente, a transmissão é manual e o quadro do chassi usa suspensão metálica, idealizado para as linhas regulares, equilibrando capacidade, custo operacional e flexibilidade. Num cenário mercadológico, ele é o protagonista.
Outras versões para corredores de alta demanda, ainda, estão presentes na gama de produtos, como o ônibus com motor traseiro, com maior capacidade, e os ônibus articulados e biarticulados, com suas respectivas capacidades de transportar grandes volumes de passageiros, identificados para corredores e sistemas do tipo BRT (Trânsito Rápido de Ônibus), capazes de operar com desempenho semelhante ao de modais sobre trilhos, porém com custos de implantação inferiores.
Além da classificação por tamanho e capacidade, os ônibus também se diferenciam pela tecnologia de propulsão. Há veículos movidos a diesel Euro VI, com os padrões de emissão mais rigorosos do mundo, além de ônibus com tração híbrida, os elétricos a baterias ou por meio de rede aérea (trólebus), ou mistos, os movidos por biocombustíveis e, em fase de expansão, propulsionado pelo hidrogênio. Essas alternativas reforçam o papel do ônibus como elemento central na transição para uma mobilidade urbana mais limpa e sustentável.
Dessa forma, o ônibus se consolida como um modal versátil, eficiente e indispensável para as cidades. Sua diversidade de tipos de veículos e tecnologias permite atender diferentes perfis de demanda, ao mesmo tempo em que contribui para uma mobilidade urbana mais equilibrada, acessível e ambientalmente responsável.
Não há solução única, mas uma miríade de opções de configuração e de tecnologias que, combinadas, resultam nas melhores opções econômicas e ecológicas.
Imagens – Divulgação













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