Goiânia e Volvo juntas na reformulação do transporte coletivo

Fabricante de chassis para ônibus forneceu sua tecnologia de tração elétrica que visa promover maior sustentabilidade ambiental na capital de Goiás

Por muito tempo, o sistema de transporte coletivo de Goiânia e seu entorno passou por um processo de degradação, com o envelhecimento da frota, a falta de manutenção da infraestrutura, o não investimento na modernização dos serviços e a desvalorização a quem mais precisa dessa mobilidade – o passageiro.

Porém, essa imagem negativa começou a mudar após o arregaçar de mangas promovido pela união de esforços entre operadores e poder público com o objetivo comum de reestabelecer o desenvolvimento equilibrado para a cidade, sua região metropolitana e seus habitantes.

Dessa maneira, os esforços estão concentrados na recuperação do sistema local do transporte coletivo com investimentos que visam melhorar o BRT da Região Metropolitana de Goiânia, composto pelos corredores Norte–Sul e Leste–Oeste, como eixos estruturantes da mobilidade urbana e parte central da Nova RMTC (Rede Metropolitana de Transportes Coletivos), hoje, um dos maiores projetos de modernização do transporte coletivo atualmente em execução no Brasil. Lembrando que o BRT (Trânsito Rápido de Ônibus) de Goiânia foi o segundo a ser implantado no Brasil, isso em 1976.

Além dos investimentos na infraestrutura que vem passando por obras de readequação e atualização, com a restauração do pavimento, a construção de novos pontos e terminais de passageiros nos dois principais eixos do transporte, a cidade, também, viu a renovação de sua frota de ônibus, com a chegada de novos veículos convencionais e de maior porte, totalmente elétricos.

Dentre a renovação da frota, destaque para o incentivo à sustentabilidade ambiental, alcançada por meio de veículos com motores a diesel Euro VI e a eletrificação dos serviços com 21 novos ônibus dotados de motores elétricos, produzidos pela Volvo. Também, como diferencial, eles são de grande porte, sendo 15 articulados com 21 metros (180 passageiros) e cinco unidades do biarticulado, com quase 28 metros de comprimento (250 passageiros).

Os maiores ônibus elétricos (a baterias) do mundo estão em operação comercial na cidade de Goiânia

Esses novos ônibus foram adquiridos pela GreenMob Capital, da HP Mobilidade que é uma das operadoras do sistema. André Marques, presidente da Volvo Buses na América Latina, destacou a importância desse negócio em sintonia com a sustentabilidade ambiental e com a modernização do sistema local. “Estamos consolidando, ainda mais, nosso propósito de apresentar e oferecer soluções que valorizam o transporte coletivo. Em nosso DNA temos um compromisso com a mobilidade, sempre desenvolvendo veículos adequados com a demanda dos sistemas urbanos. E, com o fornecimento desses ônibus de maior porte, 100% elétricos, reafirmamos o nosso papel de promover um transporte seguro, vantajoso, ambientalmente correto e rentável”, afirmou o executivo.

A Volvo Buses enfatiza a importância dos projetos de BRT quanto a promoção de uma mobilidade eficiente e sustentável. No caso da capital goiana, ele é um dos mais tradicionais do País, contando com dois sistemas em operação – o trecho Norte-Sul, que compreende 31 estações, tem 22 km de extensão e 55 km de ramificações e o trecho Leste-Oeste, antigo “Eixo Anhanguera”, com 19 estações e extensão de 28 km, chegando também às cidades de Trindade, Goianira e Senador Canedo.

Marques disse que esse processo de recuperação de um modelo de transporte que tem o potencial de induzir um desenvolvimento urbano equilibrado, norteado pela valorização operacional, rapidez nos deslocamentos e acessibilidade. “Estamos aqui para entregar o melhor serviço, apoiando o nosso cliente por meio de um ecossistema de eletrificação dotado do atendimento exclusivo e de soluções com uma plataforma de produtos capazes de atender todas as demandas do transporte coletivo. Nossos investimentos na eletromobilidade datam de 2008, quando iniciamos aqui a construção desse modelo de transporte limpo e eficiente”, explicou o executivo.

Sobre os chassis elétricos Volvo, a carroçaria Attivi Express, produzida pela Marcopolo, completa a configuração das 21 unidades fornecidas. Ela conta com o novo interior, que inclui poltronas City estofadas com portas USB, piso amadeirado, iluminação full LED, ar-condicionado, rampas no lado esquerdo e elevador no lado direito do veículo e espaço reservado para pessoas com mobilidade reduzida.

A nova frota, também, contempla veículos do tipo articulado

De acordo com Ricardo Portolan, diretor de Operações Comerciais Mercado Interno e Marketing da Marcopolo, o momento é histórico com a chegada desses novos ônibus, que têm um projeto peculiar e moderno, tendo um layout específico para o cliente e as operações em Goiânia. “Para nós da Marcopolo, os desafios envolveram uma coordenação entre nossas equipes de engenharia, com o cuidado de proporcionar o melhor produto para um sistema que busca sua reafirmação em meio à uma mobilidade eficiente e rentável. O que Goiânia está fazendo, hoje, pode ser considerado um exemplo para o Brasil em direção ao transporte coletivo qualificado e moderno. Trata-se de uma grande satisfação estar presente nessa nova fase do transporte coletivo de Goiânia”, disse.

Para a Marcopolo, segundo Portolan, o incentivo ao transporte sustentável passa pelas diversas soluções limpas que já estão disponíveis no País, como o uso de biocombustíveis, aspecto de grande potencial. “Entendemos que além da eletricidade, o transporte coletivo urbano pode adotar outras formas energéticas limpas visando a sustentabilidade ambiental dos sistemas. Nisso, temos o biodiesel, o diesel verde e o biometano, sendo que este último está em nosso radar com a entrega, recente, de micro-ônibus Volare para dois primeiros clientes, além da possibilidade de um grande negócio com Goiânia, que vem investindo nesse contexto, com o projeto de ter unidades articuladas movidas pelo combustível renovável”, afirmou.

O sistema de portas tem acionamento eletrônico com função antiesmagamento, reforçando a segurança operacional. Além disso, os veículos contam com três portas do lado direito e três do lado esquerdo, câmeras embarcadas e tecnologia de reconhecimento facial para monitoramento, elevando a experiência e a segurança dos usuários.

A Volvo informou que os veículos fornecidos são do modelo BZRT, equipados com dois motores elétricos de 200 kW cada, totalizando 400 kW (540 cv), podendo contar com até oito baterias, com 720 kWh de capacidade total. O motor elétrico fica na parte central, abaixo do piso, além das baterias que, também, ficam na parte inferior, permitindo carroçarias com salão completamente livre para os passageiros.

O lado operacional

A iniciativa, segundo informações da gestão operacional, se consolida como o maior projeto de transporte público em implantação no País (mais de R$ 2 bilhões em investimentos) num sistema atende, atualmente, cerca de 530 mil usuários por dia em 21 municípios. A atualização do sistema envolve a requalificação de terminais e estações, mais de 7 mil pontos de ônibus; renovação total e ampliação da frota em aproximadamente 30%, alcançando cerca de 1.500 veículos, e ainda a integração trânsito e transporte.

Até o final de 2026, o sistema BRT contará com 199 ônibus, sendo 63 veículos elétricos, 79 movidos a biometano e 57 com tecnologia Euro VI, reforçando o compromisso com a redução de emissões e a transição energética. A infraestrutura do sistema compreende 47 estações, 213 pontos de parada, 15 terminais e cerca de 108 km de extensão, atendendo a mais de 2,5 milhões de usuários por mês, com operação realizada por cinco empresas consorciadas.

O eletroposto conta com 23 carregadores de 240 kW, capacidade para recarregar até 46 ônibus simultaneamente e potência total de 6 MVA. O espaço foi dimensionado para garantir alta disponibilidade operacional e eficiência energética

Edmundo Pinheiro, CEO do Grupo HP Transportes, ressaltou todo o trabalho que vem sendo feito na recuperação do sistema, com investimentos significativos realizados pela inciativa privada em termos de nova frota, estrutura e serviços. Segundo ele, essa conquista só foi possível pela sinergia entre as operadoras e o poder público, que atuaram de forma conjunta visando uma nova imagem do transporte coletivo de Goiânia e o seu entorno. “Já investimos quase R$ 2 bilhões nessa transformação do transporte coletivo, numa relação público-privada que proporciona a qualificação dos deslocamentos coletivos e a expansão dos serviços. Isso se traduz no papel de relevância que a mobilidade tem no desenvolvimento urbano. Acreditamos que o sucesso operacional exige um esforço contínuo e políticas específicas suportadas por investimentos de longo prazo, permanentes, a fim de assegurar um padrão de qualidade e de atendimento”, explicou o operador.

Os investimentos são 100% privados, sendo possíveis pelo reequilíbrio e ampliação do tempo dos contratos, pela separação da tarifa pública e de remuneração, da presença do subsídio e da participação dos governos do estado, de Goiânia e de quatro municípios do entorno. “O transporte é complexo e necessita da integração de diversos órgãos para ter resultado positivo. Foi isso que fizemos em Goiânia ao unirmos esforços e termos clareza dos nossos propósitos. Sabemos que o transporte brasileiro precisa de referências, sendo que nós estamos nos transformando em uma, mostrando à sociedade que a mobilidade coletiva é essencial se bem operadora e gerida. Depois que fizemos todos esses investimentos já ultrapassamos a demanda de público transportado pré-pandemia, uma conquista e tanto quando a maioria das cidades sentem perdas expressivas dos passageiros. Destacamos que o sistema de BRT pode trazer muitos benefícios às cidades e a população”, ressaltou Edmundo.

Ele, também, afirmou que a sustentabilidade ambiental do sistema vai além da eletricidade como forma energética para os ônibus. “Nosso compromisso com o meio ambiente elencou, além da eletromobilidade, o uso do biometano como combustível para obtermos um transporte limpo. Com isso, estamos investindo em sua produção e logo teremos uma frota com a tecnologia. O fato é que não teremos, apenas, uma solução ecológica em nossa frota de ônibus, que ainda tem muitos veículos Euro III, mas que segue seu cronograma de renovação com as tecnologias mais limpas e disponíveis”, informou.

Novos terminais

Com quase 1,5 milhão de habitantes, Goiânia vem se tornando modelo em transporte coletivo, mostrando que com políticas públicas e o trabalho consistente é possível ter no Brasil uma mobilidade urbana eficiente e com rentabilidade. E a infraestrutura recebeu grande atenção nessa nova fase do transporte goiano, com investimentos na renovação dos terminais de passageiros.

Um exemplo disso, que a revista AutoBus pode ver, foi o novo Terminal Praça A, com área três vezes maior e incorporação de tecnologias avançadas de operação e segurança, consolidando um novo padrão de infraestrutura para o transporte coletivo de Goiânia e região metropolitana.

Antes da obra, o local apresentava um cenário de desgaste visível, sem realização de qualquer requalificação estrutural há 26 anos. Se antes, a estrutura tinha 1.941,60 m², hoje ela conta com 5.541,76 m², permitindo o pleno aproveitamento do terreno e a ampliação significativa da capacidade operacional, atendendo, atualmente, cerca de 50 mil passageiros por dia, o que o posiciona entre os de maior movimentação de usuários da Rede.

O respectivo terminal está localizado no eixo do BRT Leste–Oeste, junto à um setor de comércio popular e de grande circulação de pessoas. Seu layout interno permite que haja 14 plataformas de embarque, sendo planejadas de forma estratégica para reduzir cruzamentos de fluxo e tornar mais ágil a circulação de ônibus e passageiros.

O Terminal Praça A foi um dos que passaram por uma profunda transformação objetivando o melhor atendimento e acessibilidade ao passageiro. Acima, nas fotos, o antes (no alto) e o depois (abaixo)

Laércio Ávila, diretor-executivo do Consórcio BRT, salientou que o contexto da mudança da nova RMTC começou no pós-pandemia, período em que o serviço quase entrou em colapso e foi necessário subsídio para viabilizar o mínimo do serviço, sendo que na sequência, o governo do Estado, junto com os operadores, buscou um alinhamento de que não era somente manter o serviço, mas sim desenvolver o melhor sistema de transporte público do Brasil. “Para isso, esse alinhamento entre operador e poder público, Estado e municípios foi feito baseado em algumas premissas de que a renovação da frota precisava ser uma frota verde, de que toda a infraestrutura seria reconstruída, os terminais, as estações, transformando o BRT numa vitrine desse novo sistema, agora denominado sistema de transporte”, disse.

Ávila, ainda, comentou que a com referida frota verde, elétrica, nesse primeiro momento, e a biometano, a seguir, promove uma transformação profunda e extensa de todo o sistema de transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia. “Toda a gestão da frota elétrica e sua infraestrutura e da frota e da energia do biometano está sendo realizada. A frota será toda renovada até o final deste ano, numa harmonia entre os veículos Euro VI e elétricos, com a infraestrutura renovada para garantir que a nova RMTC possa cumprir com suas metas”, reforçou.

Com a renovação da frota, a meta é tirar das ruas os ônibus mais antigos, ainda Euro III, possibilitando a modernização do sistema e a redução das emissões poluentes

Imagens – Revista AutoBus e Divulgação

A melhor maneira de viajar de ônibus rodoviário com segurança e conforto

Ônibus movido a biometano, por Juliana Sá, Relações Corporativas e Sustentabilidade na Scania

Posts Recentes

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *