Para celebrar o Dia Internacional das Mulheres, o reforço das representantes femininas do setor do transporte

Em um setor com predominância masculina, as mulheres buscam se destacar em meio às diversas funções, operacionais ou na gestão administrativa

Especial Dia das Mulheres

O Dia Internacional das Mulheres, que para a revista AutoBus poderia ser todos os dias, nos faz pensarmos sobre as conquistas destas que, ao longo da história, buscam superar os desafios que ainda enfrentam em diversos setores, como o do transporte de passageiros, um dos campos com avanços significativos com potencial de transformação.

Tradicionalmente dominado por uma presença masculina, o segmento seja ele no transporte público urbano ou no transporte rodoviário de passageiros, a participação das mulheres é vista de forma tímida, onde elas ocupam papéis cruciais, como motoristas, operadoras de transporte, engenheiras, gestoras de frotas e técnicas de segurança, além de outras funções, que são vitais para o funcionamento diário e a evolução do sistema.

A importância da presença feminina nesse setor vai além da equidade de gênero. As mulheres, com sua perspectiva única e habilidades excepcionais, contribuem para a melhoria da qualidade dos serviços prestados, da segurança dos passageiros e da implementação de soluções inovadoras.

E, como forma de homenagear a importante data, a revista AutoBus reuniu algumas mulheres profissionais dedicadas ao setor do transporte com funções relacionadas à gestão, operação e comunicação, para que falassem sobre os diversos temas envoltos com suas profissões. Jornalista, pós-graduada em marketing e mídias digitais, com quase 30 anos de experiência em comunicação empresarial e institucional, Beatriz Lima reforçou que o transporte rodoviário sempre foi majoritariamente masculino, sobretudo na operação, mas que, ao longo dos anos, vem acompanhando uma transformação consistente, onde a presença feminina em posições estratégicas no setor qualifica o processo decisório ao ampliar perspectivas. “Mulheres tendem a integrar visão operacional, experiência do usuário e cultura organizacional com mais transversalidade. Na comunicação institucional, essa presença também contribuiu para profissionalizar narrativas, fortalecer reputações e estruturar posicionamentos mais estratégicos tanto por parte das operadoras quanto dos terminais rodoviários que hoje se tornaram grandes centros de serviço, além do embarque e desembarque”, destacou.

Beatriz Lima é um exemplo em fortalecer a presença feminina no segmento da imprensa que cobre o transporte

Ela, que exerce as funções de Head de Comunicação e Porta Voz da Rodoviária do Rio (o 2º maior terminal rodoviário da América Latina em movimentação de passageiros) e é editora da Revista Abrati, observou que o setor hoje exige uma liderança menos vertical e mais estratégica. “Minha formação em jornalismo e marketing sempre me levou a trabalhar com análise de cenário, leitura de contexto e construção de posicionamento e bons relacionamentos, competências que considero fundamentais para lideranças contemporâneas. Não acho positivo falarmos de uma liderança feminina como rótulo, mas de uma liderança que possa ser mais integradora, capaz de articular a operação e a gestão ao planejamento por parte da comunicação gerando reputação positiva e mais resultados, na área em que atuo, por exemplo, que é a imagem corporativa dos players do transporte rodoviário”, explicou.

Elizangela da Silva, motorista de ônibus, da Viação Águia Branca, está na profissão desde 2018, sendo colaboradora da operadora capixaba há três. Entusiasmada, ela que conduz seus veículos em linhas intermunicipais dentro do estado do Espírito Santo, se diz feliz com a posição, apesar dos desafios diários. “A empresa nos dá condições favoráveis para que possamos realizar nossos serviços de maneira segura e confortável. Com isso, sempre recebemos treinamentos para o aperfeiçoamento tecnológico e da segurança. Estou satisfeita em poder fazer parte dessa profissão”, afirmou.

Segundo Elizangela, a preocupação da transportadora em dispor de condições favoráveis com a operação é bem expressiva. “O Programa Medicina do Sono nos ajuda demais a mantermos nossa atenção durante as viagens. Isso é muito importante”, disse. Ela que começou no setor como cobradora de ônibus, foi estimulada a ser motorista pelos parentes, que são profissionais da condução, no transporte de cargas.

Elizangela da Silva – satisfação e alegria em ser motorista de ônibus

Para a Viação Águia Branca, sua colaboradora pode inspirar outras mulheres a seguirem na função de motoristas e outras ocupações na área do transporte, permitindo que realize seus sonhos nessa área. “Nos preocupamos demais em promover um transporte mais seguro. Há muitos desafios, mas sempre estamos atentos para superá-los. Além disso, o que me dá satisfação é poder ser reconhecida, com elogios vindos de muitas pessoas que se surpreendem com a minha posição”, disse Elizangela.

A motorista foi reconhecida, recentemente, com a premiação na categoria Top Ouro do programa promovido pela transportadora como forma de certificar os melhores motoristas que atingiram os requisitos estabelecidos para se alcançar uma operação segura e econômica, bom comportamento e desempenho positivo. “Estou muito feliz por ter alcançado isso. Agora eu almejo chegar ao Top Diamante. Vou trabalhar muito para obter esse reconhecimento. Isso é gratificante”, destacou Elizangela.

Além de trazerem um impacto positivo na cultura organizacional das empresas de transporte, promovendo maior colaboração, diversidade de pensamento e a redução de estereótipos, as mulheres ajudam a quebrar barreiras, mostrando que a liderança e a excelência não têm gênero, sendo essenciais para a construção de um setor mais sustentável e inovador.

María Fernanda Brito, Head de Marketing da Reserhub, plataforma de marketplace de passagens, destacou que sua equipe é formada, integralmente, por mulheres, que também, são responsáveis pelo desenvolvimento do layout da tecnologia junto aos clientes operadores. “Para nós, é muito orgulho e uma honra ter equipes formadas por mulheres que lideram com seus conhecimentos a criação da nossa tecnologia, estando presente em áreas muito importantes”, observou.

María Fernanda – Liderança feminina que desenvolve a tecnologia que o setor usa para a sua rentabilidade

Segundo ela, o transporte rodoviário de passageiros é muito expressivo na América Latina e há muitos desafios para que as mulheres possam conquistar seus espaços junto ao setor. “No México, ainda, não é muito comum ver motoristas femininas, porém elas estão se inserindo, pouco a pouco, como podemos ver no Grupo Flecha Amarilla, que tem em seu quadro algumas condutoras. Reafirmo que precisamos de mais mulheres em todos os setores, que sejam promovidas às variadas funções, como a tecnologia, por exemplo. Uma das primeiras iniciativas com o desenvolvimento da inteligência artificial foi proporcionada por uma mulher. Então, eu vejo que existem muitas oportunidades à elas”, disse Fernanda.

Ao celebrar a data do Dia das Mulheres, é fundamental reconhecer o papel crescente e transformador delas no setor de transporte. Continuar a promover a inclusão e garantir um ambiente igualitário são passos decisivos para que mais mulheres possam ocupar posições de destaque, inspirando futuras gerações e garantindo um sistema de transporte mais justo e eficiente para todos.

Luana Fleck, diretora da Viação Ouro e Prata, referência no transporte rodoviário de passageiros, reforça que o setor tem espaço para que a presença feminina possa aproveitar. “A mulher tem uma maneira especial de lidar com as situações, em qualquer área que atua. No setor do transporte rodoviário de passageiros, nossa presença não chega a 20%, portanto, devemos estimular que esse quadro seja outro. Dentre as minhas funções, eu busco trazer todo o conhecimento e informações para que elas estejam inseridas no segmento. Veja o caso da Ouro e Prata, em que temos mulheres mecânicas. Quem imaginaria isso, há alguns anos? Isso é gratificante”.

Luana Fleck promove a inclusão feminina nos novos tempos do segmento do transporte coletivo

Porém, as dúvidas, ainda, fazem parte no cotidiano da operação. Segundo Luana, elas existem, mas podem ser dirimidas numa integração entre os gêneros visando um novo momento profissional. “Aos poucos vamos semeando as sementes para que o lado feminino se expanda no setor. É positivo ver uma relação saudável entre os homens e as mulheres que podem se complementar nas diversas profissões, somando pela competência de cada um”, afirmou.

Luana lembrou que é preciso haver uma maior comunicação à sociedade, feita pelas operadoras, para mostrar como é a atividade da mulher no setor, objetivando aumentar a participação delas. “Entendo que as empresas precisam ter uma mentalidade mais aberta para que a situação seja outra. Claro, com a presença delas são necessárias algumas readequações dos ambientes de trabalho e na forma como se comunicar. Para isso, é preciso uma conscientização interna, na governança, para destacar como elas podem se destacar em suas funções e em termos de como valorizá-las nas operações”, salientou.

Bianca Marques lidera um setor com qualidade e uma percepção refinada

Bianca Marques, superintendente de Operações da Viação Águia Branca, setor Bahia, destacou que a presença feminina na operação ou gestão traz mais suavidade às relações, amplia a percepção sobre as pessoas e promove um ambiente mais diverso. Dessa maneira, quando um homem é liderado por uma mulher, essa troca também transforma ambos, pois ele passa a incorporar uma visão mais atenta aos detalhes e às nuances da equipe, enquanto a líder, também, compreende melhor as dinâmicas da equipe. “Acredito que, onde a mulher está presente em um ambiente predominantemente masculino, ela de fato se impõe com respeito. Tenho a percepção de que gestores mais antigos ainda enfrentam a necessidade de quebrar paradigmas, mas já reconhecem a importância do papel atual da mulher na liderança que, embora ainda tenha baixa representatividade, já é uma realidade”, afirmou.

Ainda, segundo ela, diversidade precisa ser tratada com seriedade e estrutura, como é feito na Viação Águia Branca, sendo que o primeiro ponto é a empresa estar genuinamente aberta para receber pessoas diferentes, seja uma liderança feminina, seja alguém com orientação sexual diversa. “Além disso, é importante que nós, mulheres, continuemos firmes, com postura e confiança. Muitas vezes, ainda precisamos provar que entendemos do assunto e que somos capazes, como se o fato de sermos mulheres colocasse nossa competência em dúvida”, ressaltou Bianca.

Imagens – Divulgação e IA

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