Por Rodnei Quinello
Características invisíveis estão presentes na hora da aquisição de um novo ônibus. Precisam ser avaliadas com olhos de lince para que não se transformem em custos elevados na operação.
O artigo a seguir não tem a pretensão de afirmar qual é o melhor ou pior modelo de chassis, pois sua aquisição envolve muitas variáveis, não tão diferente do caminhão. Faço esta análise baseada em toda a minha experiencia como motorista e gestor de frota, onde posso falar com certa propriedade, pois vejo muitas decisões no momento de fechar negócios, em uma mesa de reunião na concessionária ou no operador, que não levam em consideração informações suficientes para se alcançar o que é melhor para cada operação.
Vejo muitos vendedores despreparados, sendo estes, na maior parte do tempo, preocupados em atingir a meta de comercialização, além de querer ficar bem na foto com a sua diretoria. No entanto, se esquecem de pontos importantes e muitas vezes simples que influenciam no rendimento dos veículos.
Será que o básico é citado? Por exemplo, quanto vai custar a manutenção preventiva durante certo período, falando apenas na troca de óleo e filtros? Isso importa muito. Veja o caso de uma determinada marca que, na virada tecnológica para o Euro VI, mudou o tipo de seu óleo do motor, prolongando sua periodicidade, mas a acabou elevando o seu preço, encarecendo a revisão sem o aviso prévio ao cliente operador.
Também, não podemos deixar de citar algumas peças inclusas nessa nova geração de chassis, pois são elementos que de acordo com sua importância no veículo tem seu custo elevadíssimo, sem falar na dificuldade de se executar uma manutenção.

O catalisador, uma parte importante do veículo em que o material particulado (fumaça preta) fica retido, que são as fuligens que iriam naturalmente para atmosfera, tem comprometida a sua manutenção, uma vez que o filtro que fica localizado em sua área interna precisa ser substituído ou limpo de forma mais ressaltada. Isso tudo por causa da péssima qualidade que nosso óleo diesel tem em virtude da mistura com o biodiesel (esse assunto vou tratar em outro artigo).
Nisso, precisamos ter que suspender todo o veículo (de uma determinada marca) ou estacionar o mesmo de forma que sua traseira fique dentro de uma valeta e baixar o catalisador, pois não tem janela e nem outro meio para retirar. Entretanto, o modelo de outra marca facilita a sua manutenção, poiso filtro está em uma posição de acesso fácil.
A posição das baterias, também, traz desafios quanto a suas substituições e manutenção em determinado modelo de chassis. Não posso deixar de citar que, nós brasileiros, não temos o hábito, quanto ao aspecto da manutenção, em modo geral, de ler. Foi assim que descobri que determinada marca de chassi estava usando outro óleo de motor. Como não fui informado, tive que indagar o concessionário sobre a respectiva mudança.

O assunto de manutenção, isso se aplica à todos os tipos de operadores, desde autônomo ao grande frotista, deve ser levado muito a sério, pois a falta das revisões, o postergar das substituições de peças, a aquisição de peças de má qualidade, só impactam, negativamente, na operação e no rendimento das empresas.
Conclusão:
A decisão pelas marcas de chassis que estão no mercado depende, diretamente, do perfil da operação. Claro, não somente ela, mas levar em consideração as muitas variáveis dos serviços e do uso dos veículos. São decisões que precisam ser avaliadas antes da aquisição, atento à longevidade dos componentes e a segurança extrema, questões que justificam o maior investimento em peças originais e mão de obra altamente técnica. Além disso, será que é o ideal buscar o máximo em tecnologia?
Por fim, negligenciar as revisões em qualquer um dos chassis resulta em custos altos em seu reparo, dada a sofisticação tecnológica envolvida.
Este artigo foi elaborado com base em dados técnicos e relatos de quem vive o transporte em toda sua esfera.
Imagens – acervo pessoal

Rodnei Quinello, administrador, bacharel em Direito e pós-graduado em Logística Empresarial. É criador do canal Vida de Frota (youtube), dedicado à análise estratégica do transporte rodoviário













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