O setor de transporte coletivo urbano, realizado pelo ônibus, passa por um momento cheio de dilemas que tem causado perdas em sua operação, como a redução dos passageiros transportados e a eficiência nos serviços. O segmento vem enfrentando, há anos, a falta de valorização em meio à uma concorrência direta com os diversos modais e a falta de políticas públicas consistentes para reforçar seu papel no desenvolvimento urbano.
Mesmo com essa situação desfavorável, o segmento, em partes, luta para não perder seu protagonismo na mobilidade das pessoas. Algumas empresas operadoras, resilientes por sinal, não deixam a peteca cair e trabalham de forma consistente para que o transporte possa ser feito da melhor forma possível. Um caso que referencia essa luta por melhores condições operacionais é o do Grupo Radial e ATT Transportes, empresas que atuam na região do Alto Tietê, junto as cidades de Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos e Mogi das Cruzes.
Ambas as transportadoras vêm investindo em políticas alternativas internas que observam o uso de tecnologias limpas em seus serviços, com o intuito de inserção ao processo de descarbonização do transporte.
Ricardo Irapuan, gerente de Manutenção das mencionadas empresas, ressalta o interesse pela mobilidade livre das emissões poluentes, com foco no investimento em modelos que promovam equilíbrio entre descarbonização e custo operacional. Diferentemente do que o setor vem atribuindo como solução limpa, no caso da tração elétrica, as operadoras do Grupo escolheram seguir em linha paralela no conceito ambiental com o uso do biometano. “Eu me especializei em tração elétrica para poder conhecer como essa opção impacta em nossa operação. Apesar de ser considerada a solução para alcançarmos a redução dos poluentes, neste momento ela não é viável em função das muitas questões encontradas em um cenário negativo que acompanha o transporte urbano, como o lado econômico. Por isso, fomos atrás de outras opções que fossem adequadas à nossa realidade e encontramos nesse biocombustível uma forma de obtermos resultados positivos na questão ambiental”, explicou Irapuan.

O uso do biometano na propulsão dos ônibus tem apresentado resultados positivos
O projeto-piloto das operadoras do Grupo começou há alguns meses, sendo que os primeiros resultados já são conhecidos, com vantagens no custo operacional que gira em torno de 15 a 20% em relação ao diesel. São dois ônibus que passaram pelo retrofit, recebendo um motor de combustão interna do tipo Ciclo Otto, e que estão sendo usados nas linhas das transportadoras. “Por essas vantagens fomos conhecer o que era o biometano e como ele pode ser favorável em nossas operações. Além disso, ele promove a economia circular onde há uma transformação da poluição e dos resíduos em combustível limpo. Hoje, alcançamos uma operação com menor custo operacional, algo fundamental para o nosso rendimento. Outro detalhe é que os custos tendem a diminuir, ainda, mais quando tivermos uma infraestrutura própria de abastecimento, algo que já está em nosso planejamento”, afirmou Irapuan.
Apesar de ser considerado um projeto-piloto, o gerente do Grupo Radial disse que essa questão já está consolidada na operação, tanto é que o interesse da indústria pelo tema virou assunto para a produção em escala desses veículos equipados com motor de combustão a gás. “Com o nosso interesse em promover o conceito na nossa frota, estamos vendo que algumas importantes fabricantes de chassis estão se movimentando em direção de ter seus modelos com essa configuração para que o mercado tenha mais essa opção limpa em propulsão. Seremos os primeiros a comprar esses veículos quando disponíveis”, destacou.
Com uma frota de 500 ônibus atuando na região do Alto Tietê, o gerente de manutenção do Grupo lembrou que ambas as empresas seguem as determinações do Programa Despoluir, desenvolvido pela CNT em parceria com o SEST SENAT, tendo o compromisso real com a sustentabilidade, eficiência operacional e responsabilidade com a sociedade. De acordo com Ricardo Irapuan, o Grupo Radial passou a adotar essa política interna de disponibilizar veículos revisados e adequados com o que é preconizado em relação às menores emissões poluentes, a partir de sua chegada, trazendo esse conhecimento que é vantajoso para todos.

Controle da poluição é um fator determinante nas operações do Grupo
Em sua visão operacional, o Despoluir é fundamental porque vai além de uma simples aferição ambiental, ajudando a criar uma cultura de manutenção preventiva, eficiência energética, redução de custos operacionais e conformidade com as melhores práticas de ESG. “Nós temos uma cultura operacional de ter a frota sempre em dia nesse aspecto ambiental. Além disso, o lado econômico é favorecido pois conseguimos economizar combustível ao ter motores que funcionam perfeitamente. Trata-se de um assunto muito importante, mesmo neste momento em que as circunstâncias não sejam tão favoráveis à operação. Nossos clientes querem fluidez em suas viagens, querem chegar mais rápido aos seus destinos. Transporte coletivo é determinante para o desenvolvimento”, afirmou Irapuan.
Por atender os preceitos do Programa Despoluir, os resultados têm sido positivos sobre a frota estar em dia com suas emissões controladas. “Estamos sempre trabalhando para termos nossos ônibus constantemente aferidos. Isso resulta em uma avaliação positiva. Veja o Índice de Qualidade da Frota, promovido pela Artesp, onde temos a nota de 9,93. Isso é gratificante quando pensamos em dispor de serviços e veículos para realizarmos a melhor operação”.
Outro fator que contribui com a política ambiental tem a ver com as práticas operacionais, sendo que a infraestrutura de garagens adota componentes que incentivam o lado da preservação de recursos naturais, por exemplo, ao haver a captura da água de chuva para seu uso em lavagens dos veículos e o tratamento das águas servidas. Peças e produtos utilizados, também, têm destinação correta com o descarte atendendo à logística reversa e a locais autorizados para esse fim.
Imagens – Divulgação













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