Seis décadas de um símbolo

O Diplomata teve uma produção que alcançou 20 mil unidades, enquanto foi produzido até 1990, quando então deixou o segmento

Em 2021, a encarroçadora catarinense Busscar, originária da extinta marca Nielson, celebra seus 75 anos de mercado, fato marcante para o segmento brasileiro produtor de carroçarias para ônibus. A data expressa a longevidade de uma trajetória marcada pelo envolvimento com o transporte de passageiros, por meio de seu prestígio alcançado na linha do tempo construída por diversos pioneiros que ajudaram a colocar o Brasil num degrau bem alto ante a indústria mundial do ônibus.

Além dessa comemoração, é preciso lembrar que, das linhas de produção da antiga Nielson saiu um modelo de carroçaria que foi fundamental na consolidação da antiga marca no mercado brasileiro de ônibus. Era o Diplomata, produto que marcou época e ainda é lembrado pelos mais saudosistas que têm uma relação muito próxima com o setor de transporte de passageiros. O nostálgico modelo festeja em 2021 os seus 60 anos de lançamento.

Tudo começou em 1961, quando a direção das Carrocerias Nielson apresentou a primeira unidade, inspirado no modelo norte-americano Flxble VL 100, que em 1956 tinha sido importado pela operadora Expresso Brasileiro de Viação para concorrer com a Viação Cometa e seus GM Coach PD 4104, Morubixabas.

No desenvolvimento da carroçaria, houve um particular interesse pelo conceito estético inovador, com teto em dois planos, visual arrojado, janelas inclinadas, vigia traseiro, perfil sobressalente na saia da mesma, junto às portas dos bagageiros, além de um interior com porta divisória entre o salão de passageiros e o posto do motorista, o que melhorava, de certa forma o isolamento acústico, poltronas convencionais ou leito e acabamento caprichado.

A estrutura da carroçaria era metálica, com chapeamento em alumínio, favorecendo o peso do veículo. A primeira unidade foi produzida para a transportadora Eroles, de Mogi das Cruzes, SP. Assim que desenvolvido, o modelo significou a especialização da marca em tetos com dois planos, lembrando que o veículo podia ser construído sobre chassis Mercedes-Benz e Scania e seus atributos seriam ressaltados pelos operadores que se transformaram em fiéis clientes da empresa de Joinville.

Porém, os atrativos da carroçaria só seriam apresentados com visibilidade nacional em 1968, ano em que a encarroçadora a expôs em um evento de envergadura – o Salão do Automóvel, em São Paulo.

Ao longo dos anos, o Diplomata foi sofrendo diversos ajustes, redesenhos e aperfeiçoamentos. A estética e as linhas da carroçaria foram sendo moldadas de acordo com as tendências de cada década em que foi produzida a versão. Novos materiais, como a fibra de vidro por exemplo, e componentes de acabamentos foram sendo incorporados nas versões subsequentes, ampliando a segurança, a robustez, a leveza e o conforto nas viagens rodoviárias.

A qualidade estrutural e do acabamento interno, certamente foram pontos positivos que contribuíram com o crescimento e o reconhecimento da então Nielson no mercado de ônibus rodoviário. O modelo elevou o nível de exigências dos operadores que o escolhiam para a promoção dos melhores serviços.

O Diplomata teve uma produção que alcançou 20 mil unidades, enquanto foi produzido até 1990, quando então deixou o segmento, sendo substituído por uma nova geração de carroçarias com inovadores conceitos construtivos. De norte a sul do Brasil, as mais variadas versões (4×2, 6×2, com motores dianteiro, traseiro e central) da carroçaria estiveram presentes nas frotas de muitas empresas de transporte, percorrendo os mais longínquos caminhos.

Imagens – Arquivo AutoBus

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