Em uma iniciativa que reúne a parceria entre a operadora Grande Londrina, a CMTU (órgão gestor do transporte) e a Prefeitura de Londrina, PR, o sistema de transporte coletivo da cidade paranaense anunciou um processo de avaliação de um micro-ônibus movido a biometanto, reforçando o compromisso do município com a inovação, a economia circular e a descarbonização do transporte público.
A operadora Grande Londrina está testando o modelo Volare Fly 10 GV, que tem o motor FPT N60 CNG de 200 cavalos e 750 Nm de torque, operando com 100% de biometano, sem qualquer mistura com combustível fóssil. Ele pode transportar até 54 passageiros, sendo plenamente acessível a pessoas com mobilidade reduzida.
Segundo informações, a frota da transportadora londrinense usa o tradicional óleo diesel e combinação com 15% de biodiesel, tendo intensidade de carbono estimada entre 74 e 80 gCO₂eq/MJ no ciclo de vida completo. Já o biometano, por sua vez, apresentou em 2024 uma intensidade de carbono de 8,35 gCO₂eq/MJ, valor apurado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com base nas certificações do Programa RenovaBio. Isso representa uma intensidade de carbono até 10 vezes menor do que o combustível fóssil.
Além disso, o uso do biometano está atrelado à redução das emissões poluentes, em aproximadamente 620 toneladas de CO₂ equivalente por ano, uma contribuição direta à mitigação das mudanças climáticas e à melhoria da qualidade do ar urbano.
A lógica do biometano está alinhada aos princípios da economia circular, pois resíduos orgânicos e agroindustriais, que antes seriam destinados a aterros, com risco de emissão de metano livre para a atmosfera, passam a ser, integralmente, aproveitados no processo de digestão anaeróbica. Assim, o resultado é duplo: combustível renovável para o transporte e digestato, subproduto rico em nutrientes utilizado como biofertilizante, que retorna ao solo e reduz a dependência de fertilizantes químicos de origem fóssil.
A tecnologia do biometano é brasileira, favorável à nossa realidade e que nos coloca em um patamar avançado quanto a proporcionar um transporte livre da poluição. Por ser produzido regionalmente e não estar sujeito às oscilações do mercado internacional de petróleo nem à variação cambial, esse biocombustível oferece maior previsibilidade de custos no longo prazo, um fator considerado crítico para o equilíbrio econômico dos sistemas de transporte público.

Com a adoção do biometano, Londrina se posiciona na vanguarda da transição energética no setor de transportes, integrando inovação tecnológica, responsabilidade ambiental e desenvolvimento regional sustentável
Claro que, para o biometano alcançar resultado prático e favorável como solução de longo prazo para o transporte coletivo, ele depende da expansão da infraestrutura de distribuição. Nesse sentido, iniciativas como os projetos da Compagás (distribuidora estadual de gás do Paraná) de ampliação de gasodutos e redes de abastecimento são fatores-chave para garantir fornecimento contínuo e permitir a escalabilidade do modelo.
E, segundo a Abiogás, o Paraná ocupa, hoje, a segunda posição nacional em número de plantas de biogás em operação, com potencial estimado de produção superior a 2 milhões de metros cúbicos de biometano por dia, energia gerada localmente a partir da biomassa disponível na própria região. Teste com a tecnologia não é novidade na cidade. Em 2023, a mesma distribuidora realizou com outra fabricante de ônibus, uma avaliação operacional, demonstrando seu interesse em consolidar a infraestrutura necessária para essa transição.
Além disso, a Lei nº 14.993/2024, que é a Lei do Combustível do Futuro, e que foi sancionada em outubro de 2024, institui o Programa Nacional de Incentivo ao Biometano, reconhecendo o combustível como estratégia prioritária de descarbonização do transporte rodoviário brasileiro.
Produzido pela fabricante gaúcha, Volare, o modelo Fly 10 GV foi desenvolvido desde a sua origem para aplicação de gás veicular, não sendo uma adaptação de um chassi movido a diesel para receber o motor a gás. Seus cilindros de armazenamento do combustível ficam posicionados sob o piso do veículo, em local protegido, e são certificados pelo Inmetro, com válvulas de segurança de vazão, pressão e temperatura.
O modelo está equipado com o motor FPT N60 CNG, de 6 cilindros, ciclo Otto, com 200 cv (150 kW) a 2.500 RPM e torque de 750 Nm a 1.500 RPM.
Imagens – IA e divulgação












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